A importância do banco de dados para apoiar ações de sustentabilidade

Conciliar meio ambiente, tecnologia e geração de valor nunca foi tão relevante

Foto: Shutterstock

Ações de sustentabilidade, além de promoverem o meio ambiente, podem acarretar em resultados positivos para as empresas que investem nesse setor.

Estudo feito pela consultoria Nielsen com 30.000 pessoas em 60 países revelou que 66% estavam dispostas a pagar mais por produtos e serviços de companhias comprometidas com essas questões. O número é o maior desde 2013.

No Brasil, os dados do impacto financeiro do apoio a um mundo mais verde se dão pelo Índice de Sustentabilidade Empresarial (IBE) da bolsa de valores B3. Desde a sua criação, em 2005, o ISE B3 apresentou maior rentabilidade e menor volatilidade que a do Ibovespa (base de fechamento em 25/11/2020). A mais recente carteira vigora até o fim deste ano e reúne 46 ações de 39 companhias. Isso representa 15 setores e soma R$ 1,8 trilhão em valor de mercado, o que equivale a 38% do total do valor de mercado das companhias.

O uso dos bancos de dados para ações de sustentabilidade

O banco de dados nada mais é do que um repositório de informações sobre o mesmo assunto ou de arquivos que se relacionam entre si que precisam ser armazenados com segurança. Os modelos podem ser em rede, hierárquico ou relacional. Algumas de suas principais vantagens são:

  • Melhora no relacionamento e produtividade da empresa;
  • Aumento da segurança;
  • Rapidez na tomada de decisões.

É possível tomar o banco de dados como base para pesquisas de mercado e ações de sustentabilidade. Esse é o caso da PretaTerra, empresa que desenvolve designs replicáveis de sistemas de produção agroflorestais regenerativos, combinando dados científicos, informações empíricas e conhecimentos tradicionais com inovações tecnológicas.

“Mesclamos espécies florestais com cultivos variados que podem ser anuais ou perenes. Por isso, para implantar um projeto agroflorestal, é preciso fazer um levantamento vasto de dados. Começamos com as características de solo, clima e relevo, e temos que pensar em cada uma das peculiaridades de cada espécie e como elas interagem”, explica Paula Costa, engenheira florestal, bióloga, especialista em gerenciamento ambiental e cofundadora da PretaTerra.

Os benefícios dessa prática refletem não só positivamente ao meio ambiente, mas são viáveis apenas por conta do uso de plataformas inteligentes. “As árvores, além de contribuírem com a renovação do solo e controle de temperatura, podem ser fontes de diversos produtos”, diz.

“Eles se correlacionam e o desenho ideal só é possível através da interrelação dos bancos de dados existentes e utilizando ferramentas de machine learning que permitem criar sistemas com interação perfeita para aquela situação e clima”, afirma Valter Ziantoni, engenheiro florestal, especialista em gerenciamento, mestre em aglofloresta e cofundador da PretaTerra.

Gerando impacto por meio da natureza

Produzir valor e efeitos positivos com ações de sustentabilidade requer bastante estudo e análises de probabilidades, opções de investimentos e escolhas.

“No case de Avaré, cidade do interior do Estado de São Paulo, foram plantadas mudas de Khaya grandifoliola, o mogno africano. Convivendo com pés de café e banana nanica, essas árvores podem ser colhidas em 14 anos, o que abre caminho de uma renda extra para o agricultor agroflorestal”, salienta o empresário.

Em consonância com o mercado, os consumidores estão cada vez mais interessados em conhecer a procedência dos produtos que consomem. Desse modo, há uma vertente em ascensão com grande capacidade de exploração em um futuro próximo.

“O Brasil tem muito potencial para ser um dos líderes em sustentabilidade, o verdadeiro celeiro de produção de alimentos sustentáveis e carbono positivo no mundo! Para alcançar isso, é preciso conciliar o meio ambiente, a geração de renda e de emprego, um tripé que é valorizado em um sistema produtivo como o da agrofloresta. Sítios e fazendas adaptadas têm produções que podem ser 60% maiores do que antes do novo modelo”, discorre Paula Costa.

“Existe uma transformação em andamento e como as pessoas estão mais atentas a esses tipos de iniciativas, cria-se uma exigência por novos posicionamentos e ações reais por parte de quem produz”, explana a especialista em gerenciamento ambiental.

Aplicando o conceito de ESG

A iniciativa de se realizar ações de sustentabilidade está prevista na primeira letra da filosofia “environmental, social and corporate governance” (ESG). Muito mais do que falar sobre sustentabilidade, é necessário produzir ações concretas e estratégicas para reparar os estragos que têm sido feitos no meio ambiente.

Ter a companhia conhecida como um “fundo verde” perante os investidores ganha uma nova perspectiva, pois apoiar a redução de exploração de matérias-primas ou eliminação de poluentes, desenvolvimento de políticas de proteção com a natureza, por exemplo, mostram que os gestores entendem a importância de ser socialmente consciente.

“No caso de uma agrofloresta, mais do que respeitar, propomos uma aliança entre frentes que tradicionalmente são desassociadas, unindo conservação da natureza com ganhos econômicos. Esta conexão só é possível devido a uma visão holística de diferentes bancos de dados, que agregam informações sobre a biologia e ciclos de vida de espécies, ecologia da paisagem, produção agrícola e história local”, finaliza Valter Ziantoni.

Sendo assim, é possível e viável adotar o uso de tecnologias, como o banco de dados, em prol dessa causa. Basta aplicá-la com segurança e se munir de colaboradores ou consultorias com conhecimento para tal.


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