Por que as empresas precisam investir no upskilling das equipes

A presença cada vez mais constante da automação nas empresas elimina serviços e produz novas demandas

Foto: Shutterstock

Até 2025, a automação e a relação de trabalho entre humanos e máquinas irão interromper 85 milhões de empregos em todo o mundo, segundo o relatório Future of Jobs 2020, do Fórum Econômico Mundial (FEM).

Isso porque a força de trabalho está sendo impactada pela tecnologia mais ágil do que o esperado. Nesse contexto, a ideia de investir em upskilling se torna mais do que atrativa: essencial para se manter no mercado.

A mesma pesquisa revelou que o avanço dos robôs criará 97 milhões de novos empregos. De acordo com esta tendência, a Dell Technologies em parceria com o Institute For The Future indicou que 85% dos trabalhos que irão existir em 2030 ainda não foram inventados.

Leia também: A importância do desenvolvimento de competências emocionais 

O que é e os benefícios do upskilling

O termo upskilling, em uma tradução aproximada, significa requalificação. Em um contexto em que novos conhecimentos surgem quase que diariamente por conta do aprimoramento da inteligência artificial e dos sistemas, a mão de obra tem que se atualizar.

As funções que potencializam as habilidades humanas vão aumentar em demanda, como tarefas administrativas e trabalhos manuais de rotina. As máquinas serão focadas principalmente no processamento de informações e dados.

Já entre os trabalhadores que deverão permanecer em suas tarefas nos próximos cinco anos, quase 50% precisarão de requalificação para suas habilidades essenciais para o estudo do FEM.

“Partindo do princípio que o conhecimento de tecnologia é perecível, aliado ao fato de quão rápido ela se torna presente e com o advento da pandemia, que potencializou ainda mais esse cenário, a capacitação da força de trabalho torna-se imprescindível”, comenta Paulo Exel, gerente geral da Yoctoo.

“Não somente na perspectiva da agenda de transformação de uma organização e consequente disrupção de seus serviços ou produtos, mas para impulsionar a capacidade de criação, colaboração e desenvolvimento de equipes”, pontua. Entre os benefícios de se investir neste ramo, que é uma moeda de dois lados, o especialista em recursos humanos elenca alguns:

Para a empresa:

  • Cultura de aprendizado contínuo;
  • Retenção de talentos;
  • Melhoria de eficiência;
  • Aumento de engajamento e da capacidade de se adequar rapidamente às mudanças de mercado.

 

Para os funcionários:

  • Aquisição de conhecimento para uma carreira sólida;
  • Desenvolvimento de competências;
  • Ganho de capacitação, liderança e confiança para realizar novas funções.

Passos para uma empresa atraente para os profissionais de TI

A Tecnologia da Informação (TI) é um segmento que está cada vez mais em ascensão na hierarquia profissional, pois é através dele que as inovações irão se converter em conhecimento palpável e aplicável na realidade da organização.

Pensando nisso, Diego Barbosa, administrador de empresas e gerente da Yoctoo com expertise em contratação de talentos na América Latina, expõe alguns pontos a serem levados em consideração para que a relação entre as equipes deste setor e a companhia seja boa.

1. Crie um ambiente de aprendizagem

Profissionais de TI gostam de estar por dentro das novidades – e tem sempre uma ferramenta, uma plataforma ou mesmo uma tecnologia totalmente nova. Então, é imprescindível que a empresa ofereça oportunidades para que eles estejam sempre em contato com o que existe de mais recente nessa área. Eles realmente levam muito a sério a ideia de estudar continuamente.

A empresa tem que ser uma escola. É preciso proporcionar espaços de capacitação, seja internamente ou mesmo por meio da oferta de bolsas para cursos de especialização. Existem diversos cursos específicos voltados para as mais diversas áreas de TI que podem contribuir para a profissionalização desses profissionais e prepará-los para as demandas e exigências do mercado.

2. Construa uma boa marca

Muitos sonham em trabalhar nas big techs, que tem a tecnologia em sua atividade principal. Então, se sua empresa não é desse meio, o melhor a fazer é criar uma boa estratégia de marca, mostrando o quanto a área é relevante e valorizada pela empresa.

Apresente grandes projetos com tecnologia de ponta, como e-commerces e ações de transformação digital, evidenciando que a empresa tem uma mentalidade voltada à inovação.

3. Invista em uma experiência de marca

Uma vez que sua empresa conseguiu contratar bons profissionais de TI, outro grande desafio é retê-los. Para isso, é importante investir na jornada do colaborador, mostrando o quanto a empresa trabalha para que ele viva experiências memoráveis em sua carreira.

Crie projetos envolventes, que despertem o desejo de participar, de contribuir para a construção de algo realmente valioso e relevante não só para a empresa, como para a sociedade como um todo. É necessário criar engajamento e ser coerente com o propósito da organização. Para isso, o RH tem um papel fundamental, atuando positivamente no clima organizacional.

4. Ofereça um bom plano de carreira

Com tantas vagas e poucos profissionais capacitados disponíveis, é natural que os salários fiquem inflacionados. Óbvio que uma boa remuneração faz diferença, mas um plano de carreira atrativo não quer dizer apenas cifras elevadas.

É importante que a empresa ajude o colaborador a visualizar seu crescimento ali dentro, quais serão os degraus que irá subir e o que ele irá ganhar, aprender e contribuir durante sua jornada ali dentro.

Esses profissionais tendem a valorizar a flexibilidade de horários, o home-office e, principalmente, uma proposta clara de crescimento profissional, tanto do ponto de vista da aprendizagem quanto da remuneração.

5. Interaja e seja parte das comunidades

A melhor forma de se manter no radar dos profissionais de TI é estar onde eles estão. É importante interagir com a comunidade por meio de hackathons, meetups, encontros que promovem a troca de experiências, cases e boas práticas ligadas a interesses em comum e os bootcamps, que são treinamentos imersivos que visam o desenvolvimento de habilidades em diversas áreas.

É preciso mostrar que a empresa, mesmo que não tenha tecnologia como sua atividade principal, investe fortemente na área e está preocupada com o constante desenvolvimento. Ter líderes inspiradores, que estão sempre em evidência, seja em eventos ou universidades, é um atrativo.

Requalificar é a chave

O upskilling entra em alta em um cenário em que funções são extintas e criadas, simultaneamente, devido à chegada em massa de máquinas e inteligência artificial que otimizam processos. Isso já foi previsto e está em curso em empresas que adotaram os princípios da indústria 4.0 como norteadores.

Pouco a pouco essas tendências irão se popularizar e alcançar mais camadas da força de trabalho, que se especializada no timing correto, só tem a agregar com a formação de conhecimento híbrido, atual e pertinente.


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