Aluguel de equipamentos e aulas online: uma tendência que pode pegar?

CEO do Studio Velocity explica como o aluguel dos equipamentos foi indispensável para manter academia durante a pandemia e qual deve ser o futuro

Foto: Pexels

Muitos fatores mudaram com a pandemia. Isso configurou em uma série de recuos na economia e na falência de determinados negócios. As academias de esportes e afins são um dos exemplos de espaços destinados para uso presencial e que sofreram com as fases mais agressivas da pandemia. O caminho, no fim, foi se reinventar, produzir aulas online e criar novas estratégias para manter clientes.

Ainda que a circulação de pessoas nas academias tenha sido limitada, o negócio não parou por aí. Inúmeros centros de exercícios se adaptaram ao período de quarentena e isolamento social para que seus negócios permanecessem, com aluguel de equipamentos e aulas online. Foi o caso do Studio Velocity, academia focada em movimento na bicicleta fixa.

Exercícios e saúde mental

A pandemia pode ter dificultado o acesso ao exercício da forma como conhecíamos antes, mas a necessidade de se exercitar provou-se mais forte. E não apenas por estética: muitas pessoas passaram a procurar por videoaulas para manter também uma saúde mental mais equilibrada, visto que os níveis de ansiedade e depressão aumentaram bastante durante o período de isolamento.

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicado pela revista The Lancet, ressalta que os casos de depressão aumentaram 90% durante a pandemia. Em conjunto a isso, o número de pessoas que tiveram uma crise de ansiedade e/ou estresse agudo teve um crescimento altíssimo: mais que dobrou entre os meses de março e abril de 2020.

A saída para isso, além de tratamento psicológico em casos necessários, foi trabalhar para manter a saúde mental. E os exercícios são essenciais, explicam especialistas, para ajudar nesse processo. Para Shane Young, CEO do grupo Velocity, a prática evita que a mente abra mais espaço aos transtornos mentais que podem ser desenvolvidos na quarentena. “Durante esse período de confinamento, a prática de exercício físico é de extrema importância para a manutenção da saúde física e mental, visto que o período de distanciamento aumenta a existência de possíveis desequilíbrios em nosso cotidiano.”

Nesse sentido, o grupo passou a disponibilizar conteúdo gratuito sobre a prática de exercícios, com transmissão de aulas nas redes sociais. E por meio disso, a academia também encontrou maneiras de manter o negócio durante a pandemia. “A fim de que nossos alunos não ficassem sem nossas aulas, iniciamos aulas gratuitas com nossos professores via IGTV e alugamos todas nossas bikes dos studios também como forma de receita para manter os custos, depois com capacidade reduzida de 50%”, destaca.

Essa estratégia foi fundamental para que o comércio resistisse à pandemia, porque os alunos, diz Young, procuraram por aulas em canais mais acessíveis para acompanhamento. “No início da pandemia, com o isolamento, oferecemos lives gratuitas para qualquer pessoa que quisesse assistir. Isso ajudou muito as pessoas que não podiam frequentar os studios físicos, muitos agradeceram e disseram o quanto as lives ajudaram também mentalmente a enfrentar esta fase difícil”, ressalta.

Aluguel de equipamentos: será permanente?

Muito focada nas bikes, o Studio Velocity viu como alternativa algo que inúmeras academias praticaram para sobreviver à pandemia: o aluguel dos equipamentos. Desde então, Young explica que houve cerca de 750 novos cadastros em uma das plataformas de aulas online fornecidas pela empresa: “Em nosso grupo, alugamos 50% das bikes de todos studios praticamente. E em nossa rede própria de studios de São Paulo (que inclui Itaim, Jardins, Moema e Paulista), locamos 140 bikes durante período de isolamento”.

O aluguel das ferramentas também permitiu que os alunos tivessem uma experiência mais física da prática de exercícios, embora todo o processo de locação tenha sido por meio digital. Essa foi uma das maneiras fundamentais para trazer também o online, uma das exigências dos novos consumidores.

Mas o grande destaque é que esses novos hábitos podem ter levado as academias a perceberem que o aluguel dos equipamentos pode ser algo mais passageiro do que permanente. Afinal, a prática de exercícios é uma constante na vida das pessoas e ainda que o local e a forma de os realizar possa ser muito mais ampla, essa capacidade de adaptação não deve superar a prática dentro das academias. “Acreditamos que uma parcela das pessoas gosta de frequentar os studios pela estrutura oferecida e senso de comunidade forte que temos entre professores e alunos”, acrescenta Young. “Mas existe uma parcela que prefere a prática de exercícios em casa, seja pela distância, deslocamento ou segurança em período de pandemia, e agora há mais opções.”


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