Saiba quais são os principais erros na gestão das finanças pessoais

Ilusão financeira e falta de planejamento afetam finanças pessoais e colaboram para o endividamento de 66,5% das famílias brasileiras

Foto: Shutterstock

A pandemia do novo coronavírus trouxe grandes impactos para a economia do país. Com empresas fechadas ou funcionando parcialmente por conta das medidas restritivas de contato e circulação, muita gente perdeu o emprego ou viu sua renda ser reduzida, sentindo reflexos diretamente nas finanças pessoais.

Diante deste cenário, pesquisas indicam que mais brasileiros passaram a buscar novas formas de investimento para garantir sua segurança financeira, porém, muita gente ainda esbarra no endividamento e nas dificuldades provocadas pela pouca educação financeira que recebeu ao longo da vida.

Gastar mais do que ganha, não planejar nem controlar o orçamento e fazer escolhas equivocadas de crédito e investimento são alguns dos erros de gestão de finanças pessoais mais comuns; saiba quais são os outros e como evitá-los.

Falta de educação financeira é barreira para boa gestão das finanças

Preste atenção nos dados a seguir: 51% dos brasileiros se dizem insatisfeitos com sua situação financeira atual e 58% declaram que a falta de dinheiro impede a realização de coisas que consideram importantes para si.

Neste sentido, poupar dinheiro é uma preocupação de 88% dos brasileiros, sendo que nem sempre isso se reflete em atitudes práticas. Entre quem de fato guarda dinheiro, alternativas com pouca ou nenhuma rentabilidade – como depósitos na poupança, na conta corrente ou deixar as economias em casa – são as mais comuns.

Há ainda um grupo que acredita que dinheiro existe para ser gasto (29%) e também quem confesse que tende a viver o hoje e deixar o futuro para depois (34%).

Os dados são da pesquisa “Letramento Financeiro – Medindo Percepções e Hábitos Financeiros Entre os Brasileiros”, realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a Xpeed – braço de educação financeira da XP Investimentos, e demonstram indícios de como a pouca educação financeira contribui para o distanciamento entre as expectativas e a realidade da vida financeira do brasileiro.

“Na média, os brasileiros não têm preparo para analisar a relação risco/retorno das aplicações financeiras e – por desconhecimento – fazem más escolhas. Decisões erradas levam a destruir valor em vez de criar valor, que é a tônica das pessoas bem-sucedidas em qualquer área do conhecimento e em especial no mercado financeiro”, aponta o economista e consultor Reinaldo Cafeo, associado regional da Fundação Dom Cabral.

Os reflexos desse baixo “letramento financeiro” podem ser medidos pela Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que aponta que, em janeiro de 2021, 66,5% das famílias brasileiras conviviam com o endividamento, sendo que 24,8% têm contas em atraso e 10,9% afirmaram não ter condições de pagar as dívidas.

Sobre endividamento, a pesquisa do CNC levantou que 80,5% dos entrevistados afirmam ter dívidas com cartão de crédito, o tempo médio de comprometimento com parcelas é de 6,9 meses.

“A pandemia potencializou o empobrecimento da população. O desemprego faz com que muitas famílias se endividem e com isso criam um ciclo ruim para suas finanças. Tudo começa em não perceber que o seu padrão de vida caiu. Muitos continuam mantendo hábitos de consumo que a renda não permite mais. Imaginam que será temporário e quando se dão conta, estouraram o cheque especial, não pagaram o cartão de crédito, atrasaram uma dívida no comércio e tudo fica muito grave quando o dinheiro não dá sequer para comprar o básico”, explica Reinaldo Cafeo.

Para o economista, a inclusão da educação financeira na grade de disciplinas da escola formal e o incentivo por parte de empresas no letramento financeiro de seus funcionários são algumas das medidas possíveis para evitar erros básicos de gestão de finanças pessoais. “Formar cidadãos com responsabilidade financeira é essencial para que a vida financeira familiar dê um salto de qualidade”, pontua o associado da Fundação Dom Cabral.

5 erros de finanças pessoais e como evitá-los

1. Gastar mais do que se ganha

Pode parecer meio óbvio, mas gastar mais do que se ganha é o principal erro de gestão de finanças pessoais que pode levar ao endividamento. Porém, chegar a essa conclusão pode não ser tão simples por quem está imerso nas consequências do mau gerenciamento do dinheiro.

“Há muitas pessoas e famílias que vivem uma ilusão financeira. Querem acessar bens e serviços que sua renda não alcança. Gastam mais do que ganham”, explica Reinaldo Cafeo.

Para resolver este problema, colocar na ponta do lápis todas as entradas e saídas é a melhor alternativa. Aliás, não necessariamente na ponta do lápis. Planilhas de controle online e aplicativos que permitem uma visão geral – incluindo gráficos de entradas e despesas – são excelentes alternativas.

Outra dica importante é anotar tudo, inclusive os gastos que parecem pequenos, e analisá-los. Afinal, no fim das contas você pode perceber que tem mais serviços de assinatura e streaming do que realmente usa, que gasta mais dinheiro com supérfluos do que imaginava e que gastos como estes correspondem a uma parcela importante da sua renda.

2. Não planejar sua vida financeira

Planejar o orçamento financeiro é diferente de controlar os gastos e tem a ver com prever as contas futuras e reservar parcelas da renda para cumprir com determinados compromissos.

“Muitas pessoas não controlam seus centros de gastos e no descontrole chegam no fim do mês sem dinheiro. No mínimo um controle de gastos por centro de custos se faz necessário”, aconselha o economista.

A estratégia é simples, mas precisa ser cumprida com rigor todo mês: pegue sua renda e separe o montante destinado às contas fixas. Depois, reserve um valor para investimentos e separe outro para despesas ao longo do mês.

3. Falta de conhecimento em finanças

A falta de conhecimento em finanças também é um erro muito comum. “As pessoas escolhem de maneira equivocada fontes de financiamento, pagando, invariavelmente, mais juros do que deveriam”, pontua Reinaldo Cafeo.

O mesmo acontece com os investimentos. Guardar dinheiro em casa, por exemplo, é uma alternativa sem nenhuma rentabilidade, mas que faz parte dos hábitos de muitos brasileiros.

4. Pensar a curto prazo

A falta de visão a longo prazo é outro erro muito comum na gestão das finanças pessoais. Poupar dinheiro, construir uma reserva de emergência e pensar em investimentos que tragam retorno ao longo prazo são hábitos saudáveis e que fazem a diferença para uma vida financeira saudável e equilibrada. “O consumidor que não pensa no amanhã comete o erro de não poupar”, explica o economista.

Além disso, pensar a longo prazo também envolve estabelecer metas e estratégias tangíveis para alcançá-las.

5. A ideia de que só se vive uma vez

Viver no limite e se jogar nas compras por impulso seguindo a máxima de que só se vive uma vez, portanto, é preciso aproveitar ao máximo, é outro erro bastante comum entre quem escorrega na gestão das finanças pessoais.

“Quem vive no limite, sempre perto do equilíbrio e até mesmo no negativo, perde qualidade de vida. São pessoas que não dormem bem, rompem relacionamentos familiares por dívidas, são frustradas e, acima de tudo, não possuem perspectivas de dias melhores”, enumera Reinaldo Cafeo, que destaca que a sensação de satisfação que este estilo de vida gera é passageira e se acaba por falta de perspectiva.

Está endividado? Saiba como virar o jogo

Para muitas pessoas, as dicas acima são especialmente difíceis de serem tiradas do papel por um único motivo: o endividamento. Planejar gastos e evitar gastar mais do que se ganha parecem missões impossíveis para quem precisa lidar com juros que consomem boa parte da verba mensal disponível para cumprir com os compromissos.

Se você faz parte deste grupo, a primeira tarefa para sair desta situação é listar as dívidas. “Comece por aquelas mais caras até chegar nas mais baratas. O mesmo vale se você precisa fazer um novo parcelamento. É preciso ter clareza do quanto pode ser assumido e não abrir mão de enquadrar a dívida neste valor”, orienta o economista.

Em paralelo, o devedor deve elaborar um plano que evite voltar a ter dívidas. “Uma dica para organizar as finanças é destinar no máximo 50% da renda líquida (renda mensal menos impostos) para os bens essenciais (comer, vestir, saúde, educação), 15% para prioridades financeiras (pagar dívidas e aplicar) e 35% para os gastos com estilo de vida (supérfluos, como shopping, viagens, comida de lazer, etc). Se a conta não fechar, reduza os gastos com estilo de vida e nunca mexa nos 15% de prioridades financeiras”, ensina.


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