A ascensão da passion economy durante a pandemia

Transformar um hobby em negócio tem sido uma alternativa para muitos profissionais, que têm colocado na passion economy suas expectativas

Foto: Shutterstock

“Escolha um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um único dia em sua vida.” A famosa máxima, atribuída ao filósofo chinês Confúcio, se tornou uma tendência para os brasileiros que durante a pandemia ficaram desempregados ou perderam a renda. Movidos por uma nova onda de empreendedorismo, muitos transformaram seus gostos pessoais em negócios, impulsionando a chamada passion economy, ou economia da paixão.

Esse novo momento acontece em um contexto em que as pessoas estão buscando novas fontes alternativas de renda. Um exemplo dessa ascensão é a startup mineira Hotmart, uma plataforma digital onde apaixonados por música, software, games, artesanato e vários outros setores publicam e vendem seus próprios cursos, palestras, e-books, workshops e até livros.

Criada em 2011, em Belo Horizonte, a plataforma – que conta com mais de 1,3 milhões de usuários cadastrados – em março deste ano, anunciou ter recebido um aporte de R$ 735 milhões em uma rodada de investimentos. Com isso, a empresa se tornou o mais novo unicórnio brasileiro, ou seja, uma empresa avaliada em mais de 1 bilhão de dólares pelo mercado.

“A Hotmart está na linha de frente na ‘economia da paixão’, ajudando criadores a irem além da monetização de seu conteúdo, possibilitando que eles realmente criem um negócio digital. Ao oferecer as ferramentas para os criadores difundirem seu conhecimento, nós estamos fomentando um novo modelo de empreendedorismo baseado na internet”, diz João Pedro Resende, CEO e fundador da Hotmart.

O impacto da pandemia na passion economy

Para o professor e palestrante Marcelo Pimenta, autor do livro “Economia da Paixão: Como ganhar dinheiro e viver mais e melhor fazendo o que ama”, publicado pela DVS Editora, o que move a passion economy em um indivíduo é o propósito.

“É isso que a gente acredita na Economia da Paixão. Não é algo que vai acontecer, ela já vem acontecendo. O que mudou é que a pandemia de 2020 revelou a Economia da Paixão, tornando-a mais acessível para todos”, afirma o professor.

Os dados mostram que 8,13 milhões de vagas de trabalho foram fechadas no Brasil nos primeiros nove meses de pandemia, segundo os números do IBGE. E, por causa da Covid-19, muitas pessoas que saíram do mercado de trabalho optaram ou não puderam procurar por um novo posto de trabalho, seja por medo do contágio ou por falta de oportunidades.

E isso abriu uma brecha enorme para que o desenvolvimento de novas atividades profissionais surgisse, enquanto a normalidade não fosse retomada. Ao mesmo tempo, a pandemia colocou um ponto de inflexão sobre o sentido do trabalho, ao passo que ampliou o hábito das compras online, criando novas possibilidades para quem começa um negócio digital a partir de uma habilidade, um hobby.

Por outro lado, aqueles que ainda permanecerem empregados, mas dependem de um emprego formal, a situação é de maior vulnerabilidade neste momento. E criar uma fonte de renda extra pode garantir mais segurança financeira, ao mesmo tempo que melhora as receitas mensais.

Mas, para isso, Pimenta explica que a melhor forma de começar um negócio baseado na economia da paixão é transformar um hobby em fonte de renda. “Quando as pessoas começarem a pagar por algo que você faz por prazer, está dado o primeiro passo”, ensina.

Quero transformar minha paixão em trabalho. Como faço?

Para o professor, é de extrema importância ter a certeza de que você realmente ama aquilo que você se propõe a transformar em negócio, estando disposto a se dedicar verdadeiramente ao projeto.

“Deixa eu exemplificar: conheci um caso de um grupo de empreendedores que queria abrir a primeira padaria 24h de um bairro famoso de São Paulo. Fizeram um projeto milionário. Demorou quase dois anos para ser lançada, mas, depois, foi vendida menos de um ano após a inauguração. Por quê? Nenhum dos sócios queria trabalhar de madrugada. Eles amavam a ideia de ter uma padaria, mas não de ter que fazer essa dedicação nesse período”, pontua Marcelo Pimenta.

Ou seja, é essencial que, antes de partir para a realização do sonho, você viva aquela ideia e faça um protótipo, para ver se a realidade é próxima da imagem que você tem dela.

7 dicas para tirar as ideias do papel

O autor do livro “Economia da Paixão: Como ganhar dinheiro e viver mais e melhor fazendo o que ama” lista sete dicas para quem quer começar um negócio a partir de um hobby. Confira:

  • Encontre seu propósito;
  • Conheça sobre o IKIGAI, uma filosofia japonesa que ajuda as pessoas a encontrarem o seu propósito na união de quatro premissas básicas: o que você ama, o que o mundo precisa, o que você gosta e sabe fazer e aquilo que existe demanda (o que os clientes estão dispostos a pagar);
  • Comece a produzir conteúdo sobre sua paixão. Escolha uma plataforma e crie uma comunidade que te apoie;
  • Transforme seu hobby em fonte de renda;
  • Aprenda sobre marketing digital, pois, independentemente de qual seja o seu negócio, você vai precisa de marketing (e todo marketing hoje precisa ser também digital);
  • Faça os cursos gratuitos sobre empreendedorismo, como os oferecidos pelo Sebrae;
  • Comece, pois toda vez que você começa é o momento certo.

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