Setor de serviços de alimentação deve crescer em 2021

Pesquisa da ABIA estima crescimento de 10% até o final do ano, mesmo durante pandemia

Fotos: Pexels

Com a progressão da pandemia, cada vez mais as pessoas investiram nas compras online. O costume se espalhou por inúmeros setores, embora alguns tenham conseguido mais destaque. Foi o caso do de serviços de alimentação, que compreende restaurantes, bares, lanchonetes, padarias, serviços de catering, vending machine e redes de fast food.

Segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o setor apresentou crescimento de 184,2% no primeiro trimestre de 2021. Para se ter noção, as vendas para o varejo tiveram crescimento de 134,4% no mesmo período.

Essa mudança foi expressiva entre o varejo e os serviços de comida com a chegada da pandemia, em março de 2020. A pesquisa mostra que, antes do isolamento, as vendas da indústria para o setor correspondiam a 33% de participação do total das vendas da indústria de alimentos. No ano passado, elas despencaram para 24,4%.

“Dois fatores foram fundamentais para o Food Service em 2020: aceleração do processo de transformação digital para a maioria dos estabelecimentos e o retorno gradual dos consumidores às lojas físicas, principalmente no último trimestre”, analisa João Dornellas, presidente executivo da ABIA.

A presença da tecnologia

Quando se fala em serviço de alimentação, o pensamento inicial corre para os aplicativos de delivery. Isso tem fundamento: o serviço teve um crescimento de 150% em 2020, diz a pesquisa. No entanto, mesmo em contexto de pandemia, outros serviços tiveram destaque, entre eles o take away e o grab and go.

“É importante observar que a pandemia acelerou o processo tecnológico do setor. Além do delivery, tendências apontadas em 2018 e 2019 foram aceleradas e se transformaram em realidade em 2020, como o take away, quando você faz o pedido e retira a refeição no local, e o grab and go, onde o consumidor vai ao estabelecimento, escolhe o seu lanche, bebida ou refeição que já está preparado e embalado, compra e vai embora”, explica Dornellas.

É relevante dizer que com o período intenso de quarentena, tanto a indústria quanto os serviços de alimentação tiveram que unir forças. E o que permitiu a sobrevivência de ambos foi, segundo Daniel Silva, coordenador do Comitê de Food Service da ABIA, o controle sobre o fluxo de caixa, custos com matérias-primas e insumos, assim como adaptação do modelo de negócio. “Nesses três pontos vejo a indústria de alimentos participando ativamente, auxiliando os estabelecimentos com ações de aumento de prazo para pagamento e maior flexibilidade na entrega dos produtos”, diz Silva.

Ele complementa que a questão dos custos ainda é mais importante “Quanto mais flexibilidade no fornecimento (postergações, antecipações, alterações de pedido, redução de pedido mínimo etc.), menor será o estoque necessário dentro do estabelecimento e, portanto, menos custo com inventário.”

Perspectivas dos Serviços de Alimentação para 2021

De acordo com a ABIA, a tendência é que o setor de Serviços de Alimentação cresça em ao menos 10% até o final de 2021. Segundo Dornellas, o crescimento deve acompanhar a campanha de imunização.

“A partir do momento em que avançar o programa de imunização e tivermos um recuo na média diária de novos casos de Covid-19, a economia deverá retomar o processo de recuperação iniciado no último trimestre de 2020, impactando em todos os setores econômicos, gerando empregos e levando as pessoas, gradualmente, à normalidade de consumo”, explica.

Da mesma forma, o setor deve estar atento as mudanças de comportamento do consumidor durante a quarentena, algo que, no período de pós-pandemia, pode se tornar permanente. Para Sergio Molinari, fundador da Food Consulting e professor da ESPM, os clientes terão mais preocupação com a higiene, por exemplo: “essas preocupações cresceram. O consumidor vai passar a ser mais seletivo do que ele era antes da pandemia, mais exigente em relação a essas características”, ressalta.

Os dados da ABIA estimam que a recuperação gradual da economia brasileira e a diminuição da taxa de desemprego serão fundamentais para o setor. A estimativa é que as vendas da indústria de alimentos para os Serviços de Alimentação cresçam entre 10% e 20% para esse ano.


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