A edge computing como impulsionadora da conectividade e da inovação

Ao processar informações fora da nuvem, a edge computing aprimora o uso da IoT e traz ganhos como rapidez no processamento de dados e menor consumo de banda

Foto: Shutterstock

Drones que fazem o monitoramento de áreas agrícolas, câmeras de segurança instaladas em vias públicas, carros inteligentes que dirigem sozinhos, geladeiras que fazem o pedido de compra assim que os produtos acabam, experiências de realidade virtual. Esses e muitos outros recursos tecnológicos que operam com base na Internet das Coisas (IoT – Internet das Coisas) podem se tornar ainda melhores e mais precisos com o uso da edge computing.

Isso porque, ao processar informações “na borda” (significado de edge), enviando para a nuvem apenas os dados mais relevantes, a edge computing otimiza o uso de dispositivos eletrônicos que podem ser conectados à internet, trazendo ganhos como rapidez, economia de energia e menor consumo de banda.

Rede de data centers

Com a popularização da Internet das Coisas (IoT), enviar dados para a nuvem se tornou uma prática comum para empresas – e até mesmo pessoas físicas – que utilizam dispositivos eletrônicos no dia a dia. Porém, o aumento na demanda significa também maior latência no processamento de informações, uma vez que grandes quantidades de dados precisam atravessar longos caminhos até chegar ao centro de processamento – ou cloud – onde ficam armazenados. Diminuir esse trânsito, otimizando tempo, energia e consumo de banda de internet é a principal proposta da edge computing.

“Estima-se que, até 2025, mais de 22 bilhões de dispositivos estarão conectados à internet e esse número tem uma única direção: a expansão. A edge computing é uma rede de pequenos data centers que processam e armazenam localmente os dados coletados pelos dispositivos IoT, em vez de enviá-los para a nuvem, agilizando a análise e diminuindo o tráfego de dados nas redes”, explica o diretor de marketing e relacionamento da NetSafe Corp, Waldo Gomes.

Os benefícios da edge computing

Na prática, a edge computing é uma tecnologia capaz de processar dados de forma distribuída, em pequenas quantidades, e que permite recorrer ao armazenamento em nuvem somente em casos de necessidade. “Esta forma distribuída de processamento faz com que sejam economizados tempo, consumo de rede, processamento e, consequentemente, energia, diminuindo a latência entre os locais de conexão”, enumera o diretor de marketing, que destaca que, para alguns negócios, somente com a adoção da edge computing a utilização de IoT é viável.

Isso porque nem sempre grandes volumes de dados significam informação de qualidade. Ao contrário: se a coleta e uso dessas informações não forem estrategicamente planejados, todo o processo pode se converter em perda de tempo e dinheiro.

“Lidar com grandes massas de dados requer bastante planejamento e entendimento para tirar o real proveito desse benefício. Somente circular informações e não tornar a vida mais prática e assertiva pode fazer com que, em vez de ajudar, a tecnologia termine por atrapalhar o dia a dia, uma vez que, além de consumir eletricidade, esses dispositivos utilizam banda de comunicação e processamento de suas informações”, pondera Waldo Gomes.

De acordo com ele, a grande contribuição da edge computing é permitir a adoção de processamento distribuído dessas informações, propiciando aos dados coletados um tratamento em pequenas quantidades, não exigindo grandes infraestruturas de processamento e pós-processamento.

“Imagine um hotel que controla o consumo do frigobar de seus hóspedes com sensores nos dispensers. Seria necessário enviar os dados de todos os quartos para processamento na central de gerenciamento do consumo. Com a edge computing é possível criar redes de microprocessamento nos andares e, com isso, os dados que são encaminhados para o processamento central já chegam com as informações pertinentes, agilizando todo o processo. Em grandes complexos, como redes hoteleiras de Las Vegas, onde os hotéis chegam a ter mais de 6 mil quartos, isso pode contribuir de forma decisiva para a utilização da facilidade da IoT”, exemplifica o diretor de marketing e relacionamento da NetSafe Corp.

A edge computing também traz contribuições importantes para empresas com localização em lugares que a conexão com a internet não é boa, como plataformas de petróleo ou produtores rurais, permitindo que o sistema processe informações localmente e envie para a nuvem somente as informações necessárias para armazenamento a longo prazo.

Para o futuro, a edge computing pode ser fundamental para a popularização dos veículos autônomos, que dirigem sozinhos, e precisam de informações atualizadas em tempo real, sem gap. Jogos online, experiências de realidade aumentada, processamento de imagens de câmera de segurança, sistemas de reconhecimento facial e monitoramentos por drones são outras aplicações práticas e inovadoras com as quais essa tecnologia pode contribuir.

Segurança ainda é ponto de debate

Para alguns especialistas, a segurança das informações transmitidas pela edge computing pode ser considerada outro benefício da tecnologia. Isso porque, ao armazenar informações localmente, em pequenos data centers, a edge computing seria capaz de reduzir o risco de exposição de dados confidenciais e permitir maior controle das informações, facilitando a adequação às políticas da LGPD.

Por outro lado, há quem defenda que o armazenamento local de informações, sem envio para a nuvem, em redes com menor infraestrutura torna os sistemas mais vulneráveis a ataques.

De qualquer forma, é preciso ter em mente que adoção de tecnologias de proteção, como o VPN, por exemplo, são fundamentais.

A implementação da edge computing

Na opinião de Waldo Gomes, a edge computing deve ganhar ainda mais espaço entre as organizações em um futuro próximo em decorrência do advento do 5G, do aumento no número de dispositivos conectados à internet e da ampliação da necessidade do processamento de informações.

“Apesar do tempo em que a IoT está disponível, sabemos que em tecnologia muitos aspectos se tornam viáveis após algumas ondas de evolução. O 5G deve ser o passo definitivo para que a IoT seja definitivamente fonte de controle e acesso, permitindo processos digitais automatizados ou autônomos”, explica ele, que acredita que muito provavelmente essa grande evolução pouco será sentida pelas pessoas.

“Elas já estão na esteira de inovação e podem nem mais perceber toda a interatividade autônoma que as coisas vão adquirindo. Porém, neste cenário, a edge computing será ainda mais necessária. O fato de poder processar essas informações de maneira mais ágil dá ainda mais força para esse movimento digital que todos estamos vivendo”, pontua.

Para as empresas que têm a intenção de aderir à edge computing, Waldo Gomes reforça a necessidade de planejamento e adaptação. De acordo com o diretor de marketing, é preciso entender as estruturas, as comunicações, as informações e analisar os possíveis gargalos, para, assim, utilizar a tecnologia e ganhar em agilidade e execução. Tudo isso passa pela construção de uma cultura em Tecnologia da Informação (TI), pela criação de pequenos centros de dados e pela busca de profissionais e parcerias capacitados para fazer essa transição com segurança.

“É preciso sempre lembrar que mais uma instância significa mais análises de perímetros e implementações de ferramentas de segurança. Afinal, estamos cada vez mais conectados e precisamos ter certeza das informações que queremos, das ações automatizadas que podemos tomar e de garantir que tudo isso esteja dentro dos seus limites de segurança”, orienta.


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