Os caminhos para implementar uma metodologia agile eficiente

Muito mais do que entregar projetos, o conceito requer que a cultura da empresa também se adapte

Foto: Shutterstock

A metodologia agile é muito importante para que empresas consigam lançar produtos e serviços de forma rápida e acompanhar as mudanças e necessidades do mercado. Desde 2014 o número de empresas que adotaram essas técnicas só vem crescendo, de acordo com a revista científica Computer Economics Avasant Research.

E se engana quem pensa que a prática está restrita ao segmento de Tecnologia da Informação (TI). Um estudo da Scrum Alliance mostra que, em 2017, 21% dos projetos que envolviam a metodologia foram de áreas diversas, como os mercados financeiro, educacional, de consultorias, revendas e entretenimento.

Além disso, os benefícios inerentes a esses processos foram listados e indicados com certo aumento de relevância no 14th Annual State of Agile Report (2020), como:

  • Habilidade ao gerenciar prioridades;
  • Visibilidade ao projeto;
  • Alinhamento entre o negócio e a tecnologia de inteligência artificial;
  • Velocidade do time to market;
  • Produtividade da equipe.

Porém, a questão é que muitas organizações acabam lançando soluções que parecem incompletas, enviesando um pouco o propósito do conceito. Portanto, se as metodologias são capazes de promover o desenvolvimento de produto com agilidade, como guiar corretamente essa implementação?

Como ter uma metodologia agile eficaz

É sempre bom recordar que a metodologia agile foi criada com o intuito de proporcionar velocidade e melhorar a comunicação durante a execução dos projetos, tanto que foi redigido, em 2001, o Manifesto Ágil para documentar essa virada do cenário mercadológico. Em síntese, foram expostos quatro fundamentos-chave que norteiam a prática, são eles:

  • Indivíduos e interações acima de processos e ferramentas;
  • Software funcionando acima de documentação abrangente;
  • Colaboração com o cliente acima de negociação de contratos;
  • Priorização das mudanças acima do plano estabelecido.

Entretanto, sua aplicação no cotidiano das empresas pode parecer um pouco abstrata. Um dos motivos é o fato de o modelo waterfall ser o mais presente em trabalhos de TI. Ele não permite grandes mudanças de escopo durante a execução e, em solicitações mais complexas que demoram para ser finalizadas, isso era um grande problema.

Dessa forma, o engenheiro Ralph Soares, sub ISU Head da Tata Consultancy Services, explica a importância da metodologia agile. “O conceito ágil veio para somar no contexto de transformação digital com a abundância de tecnologias disruptivas. A migração para a nuvem, inteligência artificial e aumento da conectividade fazem com que você antecipe valor do seu projeto e dê uma entrega mais robusta ao final das sprints”, diz.

“O fail fast, que permite colocar em produção e falhar rapidamente para que possam ser feitas mudanças e entregar uma boa experiência, passa a ser uma quebra de paradigma. Ao invés de levar meses para garantir um software perfeito (e que nunca era), é melhor entregar versões mais simples, provadas pelos usuários finais, para serem entregues antes e terem suas falhas conhecidas e corrigidas”, descreve Soares.

Ao reunir o que aprendeu em 20 anos no mercado de tecnologia, Ralph Soares elenca alguns caminhos de como a empresa pode realizar essas adaptações de modo eficiente:

  1. Estratégia de transformação: crie uma estratégia para transformar a cultura da empresa. Todos devem estar motivados para a implementação da metodologia ágil.
  2. Liderança é essencial: tenha a liderança disposta a motivar os times. Esses líderes não podem achar que devem descontinuar a tarefa na primeira adversidade encontrada.
  3. Treinamentos: ofereça treinamentos para que toda a equipe esteja capacitada para a implementação.
  4. Fase de transição: entenda que vai existir uma fase de transição. A empresa não vai mudar de uma hora para a outra. A adoção de uma metodologia leva tempo e precisam ser escolhidos departamentos e projetos para o início. Existirá um período híbrido e isso gera muita discussão porque muitos projetos de TI e inovação não são os mais adequados para serem executados na metodologia agile. Então, talvez, esses devam ser executados na metodologia anterior e o início deva ser adiado para um com cenário mais propício. E executar esses projetos na metodologia anterior também vai antecipar valor se a cultura da empresa já estiver transformada.

Problemas no meio do percurso

Se a organização tenta inserir a metodologia agile de forma incorreta, pulando algumas das etapas mencionadas anteriormente, as chances de que impasses surjam é grande. Ralph Soares, pontua como corrigir alguns deles:

  • Protocolos: as empresas precisam entender que implantar a metodologia não é somente fazer algo rápido. Muitas têm a falsa impressão de que protocolos de segurança, documentação e fluxo de aprovação são desnecessários, o que não é verdade.
  • Foco nos resultados: o negócio como um todo pode ser ágil e não só a entrega dos projetos. É possível organizar também os departamentos dentro desse método. O importante é ter foco no resultado e isso não significa abrir mão de processos e controles de gerenciamento, que levariam à graves problemas.
  • Transformação da cultura: o primeiro passo sempre deve ser mudar a cultura e quebrar paradigmas, identificando o que precisa ser revisitado, para que o método ágil entregue os resultados esperados.
  • As escolhas importam: decida quem será as pessoas conhecedoras da metodologia. Não tenha a empresa e os stakeholders envolvidos no projeto inseridos na cultura ágil: a chance de sucesso na execução é muito baixa. Os negócios que têm essa jornada bem-sucedida são as que, antes de implementarem as ferramentas, trazem a figura de um Product Owner (PO) e definem toda a mecânica. Ou seja, trabalharam para inserir a metodologia na cultura da empresa e mudou o paradigma do que é trabalhar neste método.

Antes, durante e depois do lançamento

A preocupação com o lançamento da metodologia agile escolhida deve ocorrer antes, durante e após este evento a fim de ter controle sob os processos e diminuir possíveis erros que podem aparecer no decorrer das atividades. Confira os dois passos listados pelo sub ISU Head da TCS:

Tenha paciência

É preciso ter em mente que não será uma transição de uma hora para outra. A recomendação é mapear e vigiar uma área para iniciar a aplicação do método de forma isolada para ter esse piloto como aprendizado do primeiro teste.

Porém, não pode se basear apenas em um resultado para nortear as próximas etapas, porque pode ter sido uma implementação fácil e a próxima pode não ser tão simples.

Entenda o que aconteceu

A própria metodologia propõe olhar para o que foi feito no sprint anterior e reajustar: a sua primeira interação sempre precisa ser melhor do que a anterior. O mesmo vale se o resultado da primeira etapa tenha sido negativo. Nesse caso, é preciso analisar o que deu errado: muitas vezes o que falhou não foi a metodologia, mas a escolha do projeto, departamento ou das pessoas envolvidas.

Distância não significa abandono

Com vários colaboradores em sistema home office, o trabalho remoto se tornou comum, inclusive para aqueles que administram a metodologia agile na companhia. Ao contrário do que pode se pensar, isso não é sinônimo de desleixo ou falta de atenção para com o serviço.

Ralph Soares diz que as companhias podem seguir o exemplo da TCS, que possui um método patenteado. O principal é realizar o alinhamento rapidamente com stand-up meetings.

“É preciso mais disciplina e ferramentas que garantam conectividade do time. E quando cada um do time entende os benefícios do trabalho remoto, principalmente em termos de qualidade de vida, e isso aumenta a motivação pessoal, há uma grande vantagem para a execução de qualquer projeto, inclusive daqueles executados dentro da metodologia ágil. Com um gerenciamento adequado, isso pode se tornar uma alavanca positiva”, completa o sub ISU Head.


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