3 negócios disruptivos que prometem dar o que falar

Conheça a What3Words, Wagestream e Byrq, 3 startups que querem criar a próxima disrupção em seus mercados

Foto: Shutterstock

O Retail Connected é uma versão on-line do World Retail Congress, o principal evento do varejo global, que reúne lideranças destacadas do setor. O evento ofereceu mais de 30 horas de conteúdo focado nos impactos da pandemia no varejo nos principais mercados do mundo. O CEO da Chili Beans, o empreendedor brasileiro Caíto Maia, por exemplo, foi um dos convidados dessa edição.

Um dos painéis mais interessantes apresentou o futuro da inovação, por meio de 3 startups britânicas com modelos de negócio bastante originais e provocadores. Com o tema “Forjando o futuro da disrupção”, o debate reuniu Clare Jones, CCO da What3Words; Peter Briffett, CEO & Co-Founder da Wagestream; Markellos Diorinos, CEO da Bryq; mediados por Rebecca Bemhena, Content Manager da Retail Week e do World Retail Congress.

Vamos conhecer em detalhes cada uma dessas startups.

O fim do endereço físico

O negócio da What3Words é de uma elegância notável. O sistema da empresa identifica cada endereço existente no mundo com 3 palavras singulares, o que permite que cada negócio seja visto, acessado e identificado por elas – quase como tags, sínteses ou uma espécie de identidade para facilitar a interação e a localização por parte dos clientes.


Leia também

Entenda como a Kainos criou um ecossistema para sustentar fase de crescimento


Clare Jones, a CEO, afirma que todo endereço do mundo pode ser identificado por esse conjunto de 3 palavras, inigualáveis e que conferem identidade única. É uma forma de disrupção do formato tradicional de “endereço” físico, transportando para qualquer ambiente, universo ou meio, uma associação simples entre uma empresa e suas 3 palavras.

A What3Words nasceu para facilitar o uso e a performance dos GPSs e outros sistemas de geolocalização. Ao invés de digitar um endereço correto para pedir um Uber, basta que o usuário/cliente insira as 3 palavras, sem necessidades de outros complementos: o GPS identificaria o local exato que represente as 3 palavras. Acesse o site e confira.

O poder de fazer o salário durar o mês todo

Um dos problemas mais comuns para trabalhadores do mundo todo, não importa o país, é fazer o salário durar o mês todo. Por melhor que seja o planejamento financeiro, basta um imprevisto para que o mais controlado dos orçamentos vire pó. A Wagestream nasceu para resolver esse problema. De que forma? Segundo Peter Briffett, CEO e confundador da Wagestream, a plataforma desenvolvida pela empresa permite aos trabalhadores terem “poder real sobre o seu salário”. De que modo? Permitindo que cada pessoa escolha qual a data mais conveniente para receber o salário, seja integralmente ou em partes.

Dessa forma, uma empresa, ao contratar o serviço, oferece ao colaborador a alternativa de receber seu salário como quiser ao longo do mês. É uma disrupção, na medida em que evita a necessidade de pedir adiantamentos ou de contrair empréstimos em casos urgentes. É uma forma também da empresa empregadora oferecer serviços financeiros e formas de controle aos colaboradores, para que estes tenham amplo controle sobre as despesas e fluxo de caixa constante. Uma colaboração inteligente entre a empresa e uma fintech para facilitar a vida financeira dos trabalhadores.

Eliminando o viés na hora de contratar

“Ciência e tecnologia para aprimorar o processo de contratação de talentos.” É dessa forma que Byrq, uma HR Tech se posiciona para oferecer novos modelos de seleção e escolha de candidatos. Segundo Markellos Diorinos, CEO da startup, a Byrq utiliza tecnologia sofisticada para habilitar, otimizar, contratar, reter e desenvolver os talentos certos para as vagas certas nas empresas certas.

Em um momento no qual a diversidade ganha terreno e torna-se uma exigência para as empresas, conciliar novas variáveis faz do processo de recrutamento e seleção um processo mais complexo. Nesse sentido, a Byrq utiliza “ciência e tecnologia” para eliminar os vieses naturais a todo e qualquer processo de contratação. “Nenhuma companhia pode ser uma empregadora igualitária quando o processo de seleção está submetido aos vieses humanos em algum momento da seleção”, afirma o CEO. Segundo o executivo, o momento pede alocação de pessoas e talentos conforme habilidades e personalidade e não por métricas intangíveis e enviesadas de “performance”.

E depois da inovação, quais os desafios?

Clare Jones, da What3Words, vê o desafio de “evangelizar” o público do Reino Unido para utilizarem o sistema de 3 palavras. As vantagens, no entender dela, são evidentes: é muito mais simples decorar 3 palavras do que ruas, endereços, pontos de referência e CEPs que identificam cada local. Com poucos toques no app da What3Words, é possível identificar as 3 palavras associadas a cada endereço e essa informação é facilmente compartilhada com motoristas, entregadores, amigos, clientes. Os leitores podem fazer o teste no site. Cada endereço de São Paulo já está associado a suas 3 palavras em português. Será que no futuro próximo, os nossos endereços serão reduzidos a meras 3 palavras?

Para a Wagestream, o ciclo de pagamentos de salários obedece à uma regra secular – mensal, quinzenal ou semanal, de acordo com a empresa e o país. Peter Briffett quer chamar a atenção dos empregadores para que reflitam sobre o porquê da necessidade de se pagar os salários mensalmente. Via de regra, um colaborador pode acessar até 50% do seu salário durante o mês pela Wagestream (fazendo a provisão em segundos). Isso impede, na maior parte das vezes, que um funcionário contraia empréstimos desnecessários em casos de emergência ou necessidade.

Markellos, da Byrq diz que o principal desafio de sua empresa é vencer a inércia das pessoas, para enfrentar as mudanças desse novo mundo. “Eu desejaria que não estivéssemos enfrentando uma pandemia, não tenho como evitar essa situação, mas sei que as pessoas precisam vencer sua inércia, contestando verdades consagradas, como pagar salários somente no mesmo dia do mês, ou que é melhor contratar currículos ao invés de talentos, ou ainda que perfis de candidatos não trazem diversidade, todas essas premissas antigas”, observa. As empresas precisam de gente capaz de perguntar “por que”, muito mais do que de pessoas dispostas a dizer “sim” ou “não”.

Um passo à frente

Para os 3 empreendedores, é imprescindível estar um passo à frente, procurando mostrar de que forma as inovações que suas startups propõem resolvem dores ainda não exatamente delineadas na mente das pessoas, dos clientes. A disrupção nunca se mostra como uma linha de crescimento constante e instantânea. O foco deve estar sempre na criação de valor para o consumidor, a disrupção é criada a partir dele e seria um equívoco desconsiderar o fato de que é necessário ajudá-lo a resolver suas necessidades continuamente.


+ Notícias 

Como reconhecer a verdadeira disrupção 

Como e por que ser disruptivo no varejo? 






Acesse a edição:

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS