Já é tempo de reavaliar o nosso conceito de normal

Pensar em diversidade significa confrontar a ideia de “normalidade”, associada a um padrão “correto” de comportamento ou perfil. Conheça o conceito de neurodiversidade

Foto: Shutterstock

A ideia ou preconceito de que existam tipos “normais” de cérebro, mente, corpo, raça ou gênero é simplesmente um dos vieses mais naturais presentes nos seres humanos. As pessoas, em sua quase totalidade, tendem a ver como “diferentes” qualquer outro que traga um elemento dissociado do pressuposto dominante.

No Retail Connect, evento on-line do World Retail Congress, Moe Siddiqu, Diretor-executivo da We Make, uma organização voltada para para incluir os autistas em atividades produtivas e construção de carreiras, fez uma apresentação reveladora sobre como podemos aceitar os neurodivergentes nas corporações com resultados expressivos.

Moe Siddiqu é ex-aluno da Pennington School e do Albright College e construiu sólidos laços com a comunidade local na área de Princeton, em Nova Jersey. Em 2016, se associou à We Make onde encontrou as condições necessárias para fazer a diferença em favor de pessoas com formas distintas de autismo e outras variantes cognitivas. A We Make tem o compromisso de promover a inovação, liderar mudanças e incentivar melhores práticas para marcas interessadas em trabalhar pelo bem comum.

Não são poucas as mudanças em curso no universo corporativo, muitas delas motivadas pelas demandas das novas gerações, que acabaram estimulando a adoção de novas práticas pelas empresas, iniciando pela reestruturação de produtos, buscando a redução de pegadas de carbono, por exemplo. Nesse contexto, o trabalho da We Make voltou-se para as pessoas, a partir da compreensão de que o acesso à tecnologia aumentou e as pessoas começaram a demandar que as empresas buscassem adotar práticas de construção do bem comum, ou, conforme Moe, “o que as empresas fazem de bom para as pessoas e como as ajudam”.

Este é um tempo de mudança de ações, em favor da igualdade, diversidade e inclusão, e não apenas da doação de dinheiro ou recursos. Essa foi uma prática comum até alguns atrás, as empresas apoiavam causas assinando cheques e seguiam em frente. Hoje, isso não é suficiente. É hora de realmente fazer algo mais pelas pessoas.

Esse clamor por uma atitude mais proativa das empresas é a base do conceito de neurodiversidade: uma mudança de cultura organizacional que reorienta seu modelo de recrutamento e seleção para incorporar pessoas com problemas cognitivos, como o autismo, com benefícios evidentes em termos de criatividade, capacidade de inovação e talentos específicos. Adotando princípios de aceitação da neurodiversidade, os ganhos são notáveis: “Um estudo da Walgreens mostrou claramente que a contratação consciente de pessoas com neurodiversidade faltam menos, respondem às perguntas com qualidade, e são empoderadas de uma forma inédita, nunca vista antes”, explica o diretor-executivo.

No entender de Moe, as empresas não se diferenciam mais por terem melhores produtos, mas sim de que forma elas conseguem oferecer esses produtos melhores.

Práticas de RH

Trazer neurodiversidade para uma companhia requer novos modelos de recrutamento, seleção, contratação, integração nas áreas de recursos humanos. Essas iniciativas estão ganhando corpo e mudando a face da força de trabalho. É uma forma de fomentar a ascensão dos game changers do amanhã.

Para isso, é necessário repensar o ambiente de trabalho pensando, claro, nos momentos em que as pessoas estariam nos escritórios (considerando a tendência atual de trabalho híbrido). Moe fala de espaços amplos, áreas livres em torno do café, uma grande varanda ao ar livre, que permita um relaxamento e uma descompressão após uma reunião ou dinâmica, e um “break room”, onde os colaboradores com formas distintas de autismo possam ficar em silêncio. É necessário entender que essas pessoas conseguem trabalhar por uma hora seguida e então necessitam de intervalos de 10 minutos para que possam recalibrar sua concentração. Essas pausas as tornam incrivelmente mais produtivas em suas tarefas.

Claro, terapias ocupacionais, físicas, recursos que as mantenham seguras e bem-sucedidas no local de trabalho, sem necessidade de folgas ou faltas forçadas. De todo modo, mesmo para empresas menores, pequenas mudanças trazem um impacto tremendo para assimilar a neurodiversidade com ganhos excepcionais em termos de resultado, engajamento, integração e espírito coletivo.

Além do mais, a empresa que adota a neurodiversidade, consegue gerar um impacto social tremendamente positivo e obter retornos positivos para sua marca, reputação e relacionamento com a comunidade.


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