O crescimento e a potência do empreendedorismo de impacto

Novos modelos de negócio que buscam ter impactos positivos são o presente e o futuro

Foto: Shutterstock

“O sistema em que vivemos trouxe inúmeras riquezas, mas também criou uma grande desigualdade entre as pessoas. Quando você pensa em empreender hoje, não tem como deixar de pensar no impacto social disso”, afirma Marcelo Souza, CEO da Indústria Fox. Segundo o executivo, o empreendedorismo de impacto chega como mudança e alternativa na sociedade, que passou a prestar atenção em valores sociais e ambientais, algo catalisado, inclusive, pela pandemia.

O conceito do empreendedorismo de impacto defende a inclusão de valores sociais a uma organização. Na prática, ser uma empresa que trabalha, de maneira geral, buscando contribuir positivamente com a sociedade de alguma forma, seja através do seu produto ou de um modelo de negócio que valorize algum aspecto social ou ambiental.

Um modelo que permite geração de empregos, participação de mais stakeholders na cadeia (os beneficiando) ou uma produção que têm seu descarte ou lixo reduzido, são alguns exemplos. Tudo isso sem perder o consumidor do foco, como é o caso da TudoBônus, organização ligada à Indústria Fox, pioneira em reciclagem com base na captação de gases no Brasil, que passou a vender eletrodomésticos remanufaturados em seu e-commerce.


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“O interessante do nosso negócio é que conseguimos aumentar o poder de compra das pessoas a partir do nosso sistema de economia circular. Por lá, as pessoas conseguem comprar eletrodomésticos e outros itens que não conseguiriam sem o desconto, de acordo com uma pesquisa que fizemos. Você insere essa pessoa no mercado, ela deixa de estar excluída”, explica o CEO da Indústria Fox, comentando que isso também é uma forma de impacto social direta.

Para Marcelo Souza, falar sobre empreendedorismo de impacto é também falar sobre a 4ª Revolução Industrial, baseada na conectividade e na Internet. “É a partir da conectividade trazida por essa revolução que é possível pensar em impacto social. Essa característica permitiu mudanças em todos os comportamentos da sociedade e abriu espaço para que negócios mais amplos pudessem surgir, trazendo benefícios para mais pessoas e por um valor mais baixo, em alguns casos”, aponta o CEO da Indústria FOX.

Os valores ESG e o empreendedorismo de impacto

Pensar em Sociedade, Meio Ambiente e boas práticas de Governança não é algo atual. Na verdade, é uma ideia de mais de 15 anos, quando o termo ESG (Environmental, Social and Governance) foi utilizado pela primeira vez em um evento da ONU (Organização das Nações Unidas), em 2005. O título da apresentação era claro: Who Cares Wins, ou, Quem se importa vence, em português.

As preocupações com impacto ambiental e social, a partir disso, passaram a determinar inúmeros pontos das empresas: desde seus valores e modelos, até mesmo – e principalmente – seu valor no mercado financeiro, o que acontece até hoje.

O empreendedorismo de impacto é um dos modelos que busca seguir esses valores ao considerar esse lado social, ambiental e de transparência no plano de negócios da empresa. “Um negócio que não leva em conta o impacto social e ambiental hoje em dia acaba perdendo espaço, essa é uma preocupação de todos, principalmente depois de uma pandemia”, opina Marcelo Souza.

Mas o empreendedorismo de impacto também passou a ser uma preocupação dos consumidores finais, que buscam consumir de empresas com esse propósito. Além disso, muitas pessoas também podem ser impactadas indiretamente, conseguindo mais renda ou aumentar seu poder de compra ao participar de um modelo de negócios que vise isso, por exemplo.

O empreendedorismo de impacto e a economia circular

Para empreender com impacto, seja social ou ambiental, é preciso pensar em novos modelos de negócio que levem em consideração a participação das pessoas e o menor descarte ou poluição, explica Marcelo Souza.

Esse pensamento é uma ruptura dos modelos lineares de produção, que buscam uma produção incessante (e demandam hábitos de consumo acelerados) e que levam a um maior descarte e exploração dos recursos naturais. Por isso, a economia circular mostra-se como um novo modelo em potencial. “Quando se fala em impacto social, esse modelo é um dos caminhos que pode ser seguido, já que busca uma nova forma de produzir e de trabalhar”, aponta o CEO da Indústria Fox.

A economia circular prevê um ciclo de produção em que o produto final tenha menor descarte e mantenha seu valor por mais tempo. Dessa forma, diminui o uso de recursos na produção (pois diminui demandas de consumo) e consegue promover uma utilização maior ou reutilização de algo.

É o que acontece com a TudoBônus, que faz a venda de produtos remanufaturados, aqueles que perderam valor no mercado linear, mas que ainda têm valor na economia circular.

No e-commerce, são vendidos eletrodomésticos novos, reembalados ou com pequenas avarias que não interferem em seu uso (um amassado, por exemplo). No modelo linear, teriam que ser descartados, mas ganham valor dentro da economia circular e são vendidos mais baratos ao consumidor. É um benefício claro para o consumidor com impacto em seu poder de compra.

A importância de empresas e consumidores pensarem na sociedade

Pensar o consumo de maneira mais sustentável é uma marca de gerações mais novas, que já nasceram conectadas, tendo acesso a informações e possibilidades mais facilitadas graças à Internet. Essa mesma conectividade é o que o executivo da Indústria Fox explica ser um diferencial no empreendedorismo de impacto social ou ambiental. É a partir dela que muitos serviços e modelos surgiram e vão continuar surgindo levando em consideração a sustentabilidade.

Dessa forma, o impacto social vem sendo uma preocupação constante que, segundo Marcelo Souza, também está relacionada com o momento de dificuldade financeira de muitos. A partir disso, toda a sociedade passa a se preocupar com o que pode ser feito para diminuir desigualdades e aumentar oportunidades.

Para o CEO da Indústria Fox, essa preocupação já existia, mas foi também catalisada pela pandemia, que amplificou as necessidades do consumidor e exigiu que empresas passassem a se posicionar de maneira a impactar positivamente a sociedade como um todo. “O momento de pandemia sem dúvida acelerou essa preocupação, pois todos foram colocados nessa situação de cuidado social e de mudanças. Isso exige um novo pensamento. E como a pandemia está muito relacionada com o lado financeiro, acaba tornando-se uma preocupação geral”, diz.

Frente a isso, as empresas precisaram se posicionar e pensar em soluções a curto e longo prazo. Dessa maneira, esse pensamento sustentável passou a ser cobrado tanto para o presente quanto para o futuro.

Segundo Marcelo Souza, novos modelos de negócio que buscam impactar positivamente a sociedade são o presente e o futuro do mundo do empreendedorismo. Para ele, não pensar em formatos que utilizam os benefícios da conectividade ou que não pensem de maneira circular, podem levar a perda de valor de uma empresa na sociedade.

O empreendedorismo de impacto, portanto, é um potencial no mercado atual e pode levar a mudanças significativas nos hábitos de consumo e preocupações dos consumidores – e as empresas precisam estar de olho nisso.


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