Profissionais de tecnologia são os que mais sofrem transtornos psicológicos

Brasil já era o país com a população mais ansiosa da América Latina mesmo antes da pandemia

Foto: Pexels

Uma série de mudanças aconteceu no último ano por causa da pandemia. Para os colaboradores, além da adequação ao home office, houve também a convivência com sintomas diversos, entre eles alguns transtornos psicológicos que se mostraram bastante desafiadores — para algumas profissões mais que outras, vale dizer.

Um levantamento realizado pela Telavita, plataforma online de terapia, evidencia isso: com mais de 20 mil sessões com profissionais de 38 setores, a empresa constatou que colaboradores da área de tecnologia, saúde, comunicação e financeiro foram os que mais procuraram ajuda entre março de 2020 e março de 2021. Eles apresentaram, diz o estudo, uma série de transtornos psicológicos, tais como ansiedade e depressão.

“De forma geral, essa é uma consequência causada pela pandemia. O isolamento social, o medo de ser contaminado, de perder pessoas queridas e a falta de perspectiva de quando a pandemia vai terminar faz com que os níveis de estresse e ansiedade aumentem de forma significativa”, explica Milene Rosenthal, cofundadora, psicóloga e responsável técnica da Telavita. Ela complementa que o home office também influencia nesse aumento. “Um outro fator é que as pessoas estão trabalhando em casa e ao mesmo tempo administrando diversas questões, como por exemplo, a rotina dos filhos que estão estudando em casa. É preciso ter um bom planejamento e organização para que tudo funcione bem e ao mesmo tempo criatividade para absorver a nova rotina que foi compulsoriamente nos apresentada nesse momento.”

Setor de tecnologia lidera na busca por atendimento psicológico

O estudo da Telavita mostra que a área que mais sofreu com transtornos psicológicos na pandemia — e procurou ajuda de profissionais — foi a de tecnologia (18%). Para Milene, esses colaboradores foram fortemente impactados pelas mudanças que a pandemia trouxe, pela demanda de digitalização.

Como a maior parte das empresas precisou atualizar seus processos e passá-los para o meio digital, houve um acréscimo de trabalho sob os profissionais da área. Isso tudo culmina, inevitavelmente, em um acúmulo de pressão.

“A pandemia gerou um aquecimento acelerado no mercado de tecnologia e muitos profissionais viram suas demandas de trabalho aumentarem de forma significativa. Entretanto, quando não se coloca um limite nas atividades profissionais, existe um aumento significativo do estresse que pode levar a um esgotamento mental e emocional, impactando diretamente a produtividade ou até mesmo desenvolvendo um transtorno mental”, completa Milene.

De acordo com a Telavita, os setores de tecnologia, saúde (13%), comunicação (13%) e financeiro (9%) representam mais da metade (53%) dos atendimentos psicológicos realizados por seus serviços. Por estarem abalados pela pandemia, é esperado que os profissionais fiquem mais expostos à transtornos mentais, especialmente à ansiedade.

“Além do pessoal de TI, como são comumente chamados, vemos muitas pessoas do setor de saúde procurando por ajuda em nossa plataforma, devido ao momento trágico que estamos vivendo”, explica Milene.

Para comunicação, há também a pressão das notícias e da correria na redação. Cada vez mais é comum que profissionais da imprensa estejam mais propensos à Síndrome de Bournout, por exemplo, transtorno no qual o paciente se enquadra em um estresse agudo — foi o caso reportado por Izabella Camargo, apresentadora da Globo News.

Já para a área de finanças, o impacto fica diretamente ligado às consequências da pandemia. Economistas e contadores frequentemente lidam com a realidade de milhares de empresários e trabalhadores que se viram em momentos difíceis durante a crise econômica causada pelo vírus.

Brasil: o país que lidera o ranking de transtornos psicológicos

Se o Brasil já era o país com a população mais ansiosa da América Latina e tinha a maior incidência de depressão quatro anos atrás, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), esses números aumentaram ainda mais na pandemia — o que contribuiu para que o país continue, infelizmente, na liderança do ranking.

Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) mostra que 63% dos brasileiros sofrem de ansiedade e 59% têm algum tipo de quadro de depressão. Dessa forma, o Brasil ainda segue na liderança de ambos os transtornos frente ao resto do mundo. O segundo lugar é ocupado pela Irlanda e o terceiro pelos Estados Unidos.

Segundo pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pelo Fórum Econômico Mundial, 53% dos brasileiros declararam que a saúde mental piorou no último ano.

 


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