Lifelong learning: o conceito que ganha força nos tempos atuais

A ideia de que o aprendizado nunca acaba é cada vez mais realidade e o mundo corporativo investe nisso

Foto: Shutterstock

“Escolhi chamar de modernidade líquida a crescente convicção de que a mudança é a única coisa permanente.” A frase é do sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, que cunhou a expressão ‘mundo líquido’ para a sociedade contemporânea, onde todas as coisas são essencialmente fugazes e maleáveis.

Na esfera profissional não é diferente: o mundo corporativo é extremamente dinâmico e com isso a ideia do lifelong learning, ou seja, a educação continuada, ganha cada dia mais força.

Esse conceito parte da premissa de que a aprendizagem é necessária para o desenvolvimento de um profissional ao longo de toda a sua trajetória.

Imagine um engenheiro que deseja alcançar a chefia de seu departamento. Ele pode dominar muito bem as ciências exatas e fazer excelentes projetos, mas, para conquistar uma vaga na liderança da empresa, precisa entender como liderar uma equipe, se relacionar com clientes e até mesmo incorporar rotinas mais administrativas ao seu dia a dia. E, para isso, precisa investir em cursos de capacitação, por exemplo.

Assim como na vida pessoal, em que amadurecemos e incorporamos mais experiência para lidar com todas as questões que cercam o convívio humano, à medida que um profissional ingressa no mercado de trabalho, a sua capacitação também precisa acompanhar esse amadurecimento, e isso se dá por meio da educação.

Quebrando os paradigmas da aprendizagem

Durante muito tempo, a noção de educação era de algo a ser aprendido e usado durante toda uma vida. O conhecimento era considerado fixo, e isso era possível porque não haviam mudanças técnicas muito bruscas de uma geração para outra.

Hoje, a velocidade das transformações é exponencial. Entre os anos 1990 e 2020, por exemplo, formou-se um abismo gigantesco no modo de viver das pessoas. Em 30 anos perdeu-se o sentido a ideia de uma pesquisa na biblioteca, uma enciclopédia de papel, por exemplo.

O professor e historiador Leandro Karnal, no curso Mentalidade de Desenvolvimento Contínuo, promovido pela PUCRS Online em parceria com o UOL EdTech, salienta que qualquer um que deixar de se atualizar, logo ficará ultrapassado.

“Hoje, a educação continuada não é mais uma escolha, um gosto ou uma dúvida, ela é essencial. Por exemplo: há 50 anos bastava ser simpático com o cliente e vender o produto a um preço razoável. Hoje, é preciso ter noção de gestão, de empreendedorismo, renovação, publicidade, marketing e muito mais, pois o mundo ficou mais complexo, e oferece mais escolhas”, diz.

Sendo assim, o professor ressalta que não existe mais um diploma para a vida inteira, e faz um alerta: a mudança não pode ser detida, mas ela pode ser acompanhada.

Lifelong learning e o upskilling

Outra tendência que vem ganhando força no mundo corporativo é o upskilling. O termo faz referência ao aprimoramento de habilidades que podem ser adquiridas por um profissional, e o lifelong learning funciona como um complemento para esta metodologia.

Nesse caso, não se trata de adquirir novos conhecimentos para mudar de carreira, mas de ampliar o conhecimento a respeito daquilo que determinado profissional já domina.

“Não se deve mais entender a formatura como a data que você conclui o seu processo de formação. A formatura tornou-se gerúndio, pois é o primeiro dia do processo do formando. Os formandos continuarão se formando. Até quando? Até atingirem a perfeição, do latim, perfectum, que significa feito até o fim, ou seja, até o dia da morte”, conclui Leandro Karnal.

Saia da zona de conforto

O cérebro humano gosta do hábito. É uma coisa científica: quando precisamos mudar alguma coisa em nossa rotina, não é algo que o nosso cérebro encara com tranquilidade. Mas, Darwin lembra que o que faz uma espécie permanecer é a capacidade dela se adaptar ao ambiente.

E é nesse quesito que Leandro Karnal nos instiga a pensar: qual a necessidade de continuar sempre a buscar adquirir novos conhecimentos ou tentar coisas novas em uma empresa, por exemplo?

A resposta, segundo o professor, é que o mercado consome novidade, e por isso é preciso estar à frente para dar ressignificado em tudo. “O público quer novidades. Uma empresa pode ter um produto de muito sucesso até agora, mas, até quando? Vai depender da capacidade de inovar, de apresentar algo novo. Ou muda, ou desaparece, ou transforma, ou fica para trás, ou atualiza, ou é superado”, exemplifica.

Empresas que fomentam o ensino contínuo

O movimento das empresas para fomentar o lifelong learning para seus colaboradores é benéfico tanto para os funcionários, que terão a oportunidade de desenvolver novas habilidades e incrementar o seu currículo, quanto para o negócio, que vai contar com profissionais mais especializados e atualizados.

Entre as iniciativas interessantes está a Académie Accor. Desde 1985 a universidade corporativa da empresa do ramo hoteleiro, proporciona aprendizado durante todo o tempo em que o colaborador estiver na empresa, reforçando a ideia do lifelong learning.

Aqui no Brasil, a Universidade Corporativa do Banco do Brasil – UniBB – estrutura suas propostas de ensino nos meios online e presenciais, com foco na utilização de tecnologias para auxiliar nos processos de capacitação. O Banco do Brasil adota práticas de educação corporativa desde 1965.

Outro banco brasileiro, o Bradesco, fundou a UniBrad — Universidade Corporativa Bradesco, criada para estimular o desenvolvimento de seus colaboradores, buscando investir na educação de seus funcionários. Dentro dos diversos cursos, o funcionário pode escolher o caminho de autogestão de carreira que deseja seguir e os aspectos que pretende desenvolver.

Já a Petrobras tinha muita dificuldade de encontrar colaboradores capacitados para a exploração e produção de petróleo e gás natural. A solução encontrada para tal empecilho (além de visar outros benefícios) foi a fundação da Universidade Petrobras: uma instituição de ensino especializada em formar os colaboradores que a organização precisa.

Hoje a Universidade Petrobras oferece ações de desenvolvimento alinhadas aos objetivos estratégicos da companhia e voltadas para o aprimoramento das competências dos colaboradores. Seu portfólio inclui cursos de educação continuada, de qualificação e de formação para novos colaboradores, além de ações de gestão do conhecimento e programas especiais para o desenvolvimento de líderes.

Algo semelhante está acontecendo agora com o mercado de tecnologia. Devido à escassez de profissionais disponíveis no mercado e o aumento da demanda, empresas de diversos ramos estão investindo na profissionalização de profissionais de TI.

O mercado está em movimento, e os profissionais e empresas que querem se destacar precisam se movimentar com ele.


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