Chegou a vez da democratização do carro

Comportamento de despossuimento impulsiona mercado de carro por assinatura

* Por André Ricardo

Tenho certeza de que em muitos setores da sua vida, você já deixou a necessidade de ter a posse de algo para pagar pelo serviço e não pelo produto, como na hora de consumir músicas ou filmes. A não ser que seja um colecionador de discos de vinis ou Blu-ray, por exemplo, aposto que a comodidade em assinar serviços de streaming faz parte do seu cotidiano.

Nessa quebra de paradigma em que vivemos, em uma era de mais serviços e menos propriedade, por que você ainda tem um carro? Não estou aqui para negar a comodidade em contar com um veículo para realizar tarefas do dia a dia ou viajar com a família, mas já parou para pensar se é o caso de continuar pagando documentação, IPVA, seguro e manutenção do veículo?

Existe um mercado em pleno aquecimento para quem abriu mão dessa aquisição de bem, o setor de locação ou assinatura de automóveis. Uma tendência sustentada por menos burocracia e mais experiência. Para se ter ideia do crescimento do segmento, em 2005, tínhamos no Brasil uma frota de 230 mil carros de aluguel, hoje esse número é de 1,5 milhão e com projeção de chegar a 15 milhões de carros por assinatura, rodando pelas ruas do país até 2040.

A diferença entre um carro alugado e um por assinatura, está no prazo do contrato. A locação se dá por períodos menores, já a assinatura dura em média de 12 a 24 meses. No mais, as vantagens são similares: possibilidade de escolher o modelo de acordo com sua necessidade e se preocupar só com o combustível.

Além do fim da burocracia, a escolha por esses modelos significa uma economia de até 30% para o bolso do consumidor. A assinatura de um carro é muito vantajosa. O preço do aluguel cobrado em 2005 é o mesmo do que o praticado no ano passado, enquanto o preço de um carro básico completo aumentou de R$ 20 mil para R$ 40 mil.

Mercado se ajusta à mudança

Essa mudança de hábito dos motoristas já é refletida em mais de 20 mil locadoras de carros especializadas do País, chegando também nas montadoras de veículos, que começam a oferecer esse serviço direto da fábrica.

Se por um lado, o cenário faz com que novos modelos de mobilidade cresçam em todo o mundo, por outro, indica que as empresas interessadas em oferecer esses serviços precisam estar preparadas para atender as necessidades dos consumidores. Caso contrário, haverá não só falta de veículos para suprir a demanda, como sobrará experiências negativas.

Como ocorre em todos os novos setores que crescem rapidamente, impulsionados por novas formas de consumo e tendências, é preciso profissionalizar as locadoras, pois boa parte delas, cerca de 70%, não possuem governança corporativa, planejamento financeiro, tributário ou de marketing. Como resultado, acabam não sendo lucrativas, mesmo em um mercado com alto potencial.

A indústria precisa aprender a trabalhar com serviço, porque é mais vantajoso para ambos os lados. Para os pequenos e médios empreendedores que querem investir no setor de locação de veículos ou para quem já é do ramo e precisa modernizar seus processos, é importante contar com um ecossistema que os auxiliem no desenvolvimento, operação e na redução de custos para aumentar a competitividade e a qualidade do serviço prestado.

A transformação no setor de mobilidade urbana veio para democratizar o acesso ao carro, o que não significa que você precise ter um. Pode optar em ficar só com a funcionalidade proporcionada. O sinal está verde para a praticidade e economia, você está preparado para embarcar nessa?

* André Ricardo é CEO da Solution4Fleet


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