Para onde vão os US$ 800 milhões do plano ESG da Johnson & Johnson

Investimento divulgado no final do ano passado reforça iniciativas ambientais e sociais olhando para 2030

Fonte: Shutterstock

Se considerado que poucas empresas globais têm executivas e executivos especialistas em ESG em seus conselhos, a Johnson & Johnson se mostra realmente alinhada em seu discurso e prática. É em seu conselho de governança corporativa, principal órgão de governança da empresa, onde são supervisionados os tópicos ESG tendo em vista a estrutura de gerenciamento de risco corporativo da empresa. Este órgão interno é composto por líderes seniores que trazem as questões ESG a todos os segmentos de negócios da companhia.

Desde o final do ano passado, o segmento de Saúde ao Consumidor da Johnson & Johnson tem em andamento o investimento de US$ 800 milhões em ações de ESG, que têm previsão de estreitar o laço com os consumidores ao passo que assegura a diminuição de impactos ambientais e reforça o comprometimento de suas marcas com a sociedade.

“Diante da mudança de comportamento dos consumidores, muito mais informados e que cada vez mais buscam por marcas que estejam alinhadas aos seus valores, percebe-se um esforço da indústria e de toda cadeia exatamente para entregar esse valor. E isso não está relacionado somente ao produto, mas sim a todo o processo, desde a concepção da matéria-prima, passando pela forma com que a empresa se comunica, até a exposição daquele produto no ponto de venda e os cuidados com a logística reversa“, comenta Daniella Brissac, diretora sênior do Centro de Excelência em Estratégia e CD para Latam da Johnson & Johnson.

A executiva explica que, portanto, o esforço deve se direcionar à construção de um plano de negócios holístico. O ESG da Johnson & Johnson é desenhado contando com todas suas áreas a partir de três pilares: pessoas saudáveis, planeta saudável e empoderamento e engajamento de funcionários.

Os pilares do plano

No pilar de pessoas saudáveis, o foco é a continuação e criação de campanhas de conscientização — a exemplo de seu case de combate ao câncer que está completando quatro anos.

“Desde 2018, a Johnson & Johnson tem firmado parceria com a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) para patrocinar a Campanha Nacional de Câncer de Pele, também conhecida como ‘Dezembro Laranja'”, esclarece a executiva. “A SBD reúne marcas para criar uma campanha de incentivo à proteção solar e que visa conscientizar a população sobre a prevenção do câncer de pele, a fim de levar informações e orientações para que as pessoas se auto examinem regularmente.”

Sobre o tópico referente ao planeta saudável, Brissac explica que Johnson & Johnson tem trabalhado em projetos para redução e substituição de embalagens plásticas por papel, firmando compromissos com a ONU para eliminar todo plástico desnecessário ou problemático até 2025, expandindo o uso de plásticos reciclados pós-consumo, como já acontece com produtos como Johnson’s Baby, Sundown, Sempre Livre e Carefree.

Em termos de empoderamento e engajamento dos funcionários, Brissac esclarece que parte do investimento é para promover iniciativas para que seus próprios escritórios reduzam o consumo de plástico. Em 2019, por exemplo, os funcionários de São Paulo reduziram em 37% a quantidade de plásticos e descartáveis usados para envolver alimentos e frutas no restaurante, e em 100% a quantidade de plásticos com a eliminação dos copos descartáveis para uso de Listerine nos banheiros da empresa.

Engajamento e reflexo na marca

Brissac diz que a Johnson & Johnson está nas linhas de frente nas áreas de saúde e bem-estar, uma vez que suas marcas são frequentemente o primeiro contato e a experiência mais pessoal que as pessoas têm com a empresa. Usando o case do Sempre Livre, ela aponta como as consumidoras têm mostrado engajamento e se relacionado com a marca e mostrado reconhecimento.

“Nossa embalagem de Sempre Livre, por exemplo, foi a primeira do portfólio da Johnson & Johnson Consumer Health, no segmento de cuidados femininos, a trazer filme flexível com baixa espessura e inserir 33% de resina pós-consumo (PCR), reduzindo a pegada de carbono em 10,25% em relação às embalagens atuais. A própria embalagem traz o conceito de conscientização da destinação do material de forma adequada”, explica ela, frisando que o esforço foi reconhecido pelo Prêmio ABRE (Associação Brasileira de Embalagem) 2020 na categoria ‘Voto Popular’.

“Além disso, analisando o viés social, Sempre Livre é uma marca pioneira na categoria de saúde feminina e entende sua responsabilidade social. Visando seu alcance e conhecimento sobre o assunto, a marca se consolidou como provedora de informações e embaixadora da causa da menstruação, ajudando a naturalizar conversas e trabalhando para o progresso feminino como um todo, sem que nenhuma fique para trás. Em uma de suas campanhas, por exemplo, a marca distribuiu, em 2020, 19 mil vouchers de acesso à internet, além de disponibilizar, gratuitamente, três cursos que visam o progresso feminino nos negócios”, relembra.

Além do absorvente, outros produtos da empresa são cases de ESG, como os frascos transparentes de Listerine, que são feitos do material plástico mais reciclado do Brasil e do mundo, e a linha Johnson’s, que agora traz motivação e conscientização ao usuário final.

“Desde 2015, quando implantamos um projeto para reduzir o uso de plástico em nossas garrafas de Listerine na América Latina, paramos de gerar mais de 1.100 toneladas de resíduos plásticos. Na linha Johnson’s, utilizamos plástico reciclado em algumas de nossas garrafas e planejamos utilizá-lo cada vez mais, sempre com a segurança em mente. Além disso, também incorporamos mensagens de reciclagem em nossas garrafas.”

 


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