3 mitos sobre transformação digital e ecossistemas

O caminho das startups para a disrupção não está totalmente baseado em tecnologia

Foto: Shutterstock

Muito se fala que as startups estão mudando o jogo do mercado. Focadas em entregar soluções específicas de forma ímpar para os consumidores, algumas trazem soluções disruptivas e se tornam grandes unicórnios, desafiando empresas consolidadas que já atuavam no setor há décadas. Como forma de “resposta” ao movimento, essas empresas investem cada vez mais na transformação digital e na criação de ecossistemas de plataformas buscando se destacar na disputa pela preferência do consumidor.

Mas qual é o segredo das startups? De que forma elas encontram o caminho para a disrupção? A tecnologia é realmente o fator determinante do sucesso? Durante o Leadership Knowledge Meeting, evento oferecido pelo Grupo Padrão que proporciona dias de muito aprendizado para os principais líderes C-level do País, Thales Teixeira, professor da Harvard Business School e co-fundador da Decoupling.co, destrinchou alguns exemplos do mercado.

Airbnb, Uber, Etsy e outras startups que disruptaram têm fortes características em comum e a principal é o foco em serviços que resolvam uma jornada em que o cliente não está satisfeito. O especialista explica: ao entender a cadeia de valor de empresas já consolidadas no mercado e reconhecer os elos fracos, ou seja, as etapas da jornada em que a experiência não é bem avaliada pelos consumidores, as startups se focam em criar uma solução melhor para o ponto específico e, dessa forma, conquistam seu espaço.

Para efeito de clareza, a Airbnb surgiu resolvendo o problema de falta de disponibilidade em hotéis na cidade de São Francisco, na Califórnia, durante a Convenção Nacional Democrata. Já a Uber, se fez em cima dos percalços que era pedir um táxi: oferecia um serviço de carros de luxo, também em São Francisco, no qual o passageiro podia visualizar o carro chegando até ele. Hoje os dois exemplos já são os principais do mercado em seus setores e oferecem serviços adjacentes, como o de entrega de comida da Uber Eats e a venda de experiências em destinos de turismo por parte do Airbnb.

Exemplos como esses fizeram com que a maior parte das empresas, de todos os portes e setores, passasse a correr atrás de uma transformação digital, e além: da criação de ecossistemas de plataformas. Porém, é preciso tomar cuidado com as armadilhas.

Thales Teixeira lista três mitos que detectou estudando a fundo os casos de sucesso. Confira.

1. São as startups que disruptam o mercado

“Ao observar os usuários da Amazon, da Uber, comecei a perceber que por trás da onda de disrupção digital, quanto mais a empresa aparece, mais fica claro que o consumidor é o verdadeiro fator para essa disrupção. É o consumidor que disrupta mercados, não as startups. É ele que está mudando de necessidades, de desejo, de comportamento. Chegar no aeroporto e pegar um Uber em vez de um taxi é uma mudança de comportamento que está disruptando várias indústrias ao redor do mundo. Precisamos ter o foco em saber exatamente qual é a causa raiz de tudo isso”, afirma Thales Teixeira.

2. As tecnologias são o segredo

“A cada três, seis meses aparece uma tecnologia nova. São tecnologias disruptivas que não entendemos, coisas que precisamos aprender, ler muito para entender. É muita tecnologia aparecendo, não dá tempo de absorver. Felizmente a gente não precisa porque o ingrediente disruptivo é a inovação no modelo de negócios. A tecnologia é apenas o motor, o alavancador. Mas se o modelo de negócios está ruim, o motor vai fazer apenas com que essa coisa exploda fora de controle”, alerta o professor da Harvard Business School.

3. Existe uma fórmula mágica

“Professores e consultores sabem a resposta, existem vários fremeworks para entender o cenário, modelos e estratégias a serem seguidos. Se você não gosta do redondo e colorido, crie um framework de outras formas: triangulo, losângulo, a colmeia da transformação digital… Esqueça, isso não é importante. Existe uma abordagem em comum da disrupção digital que é entender a cadeia de valor do consumidor, quebrando elementos em diferentes partes. Sites de comparação quebraram a escolha de compra, economia compartilhada, comprar o produto na loja e recebê-lo em casa, tudo isso é exemplo de decoupling. Estamos vendo novas regras de jogo, novos jogadores e novas jogadas”, diz Teixeira.

Isso não significa que é preciso renunciar a métodos e processos, apenas que os utilizados devem ser fortes e ter a aceitação de todos dentro da empresa para que haja de fato uma tomada de decisão baseada neles. “Se a empresa não tiver um método, a politicagem acaba tomando as grandes decisões. Estou para conhecer um CEO que me diga que a razão do sucesso foi ter uma politicagem maior do que os competidores.”

Mas, para disruptar entendendo o comportamento do consumidor e inovando no modelo de negócios é preciso ter uma mudança de mindset. “A grande diferença de quem vence no mercado hoje é não pensar mais em produto, mas sim na solução. Os consumidores não precisam de furadeira, eles precisam de buracos na parede. É preciso sempre focar na solução que os consumidores desejam, o produto é apenas um meio para chegar nisso”, finaliza o especialista.


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