O uso das metas smart para guiar o sucesso de uma empresa

Metodologia de estratégia tem como objetivo criar metas inteligentes para o negócio

Foto: Shutterstock

Saber como elaborar estratégias de negócio de sucesso é um desafio que muitas empresas enfrentam. Existem inúmeros modelos que podem ser seguidos visando diferentes objetivos. Uma dessas metodologias é o uso das chamadas metas smart.

O principal objetivo dessa prática é criar metas inteligentes que encaminhem a empresa para o propósito definido de forma mais eficaz. Isso porque levam em consideração alguns pontos da gestão da organização.

A palavra smart em inglês pode ser traduzida como esperta, ou inteligente, no entanto, além desse significado, neste caso também é um acrônimo dos cinco critérios importantes definidos pela metodologia:

  • S de specific (específico): a meta precisa ser bem específica, com objetivos claros. Por exemplo, “aumentar vendas” é algo geral, enquanto “dobrar o número de vendas em 3 meses” é bem mais específico;
  • M de measurable (mensurável): é preciso ser possível mensurar os resultados a partir de dados para que a estratégia seja feita da melhor maneira. Aqui, entra a importância dos indicadores de desempenho;
  • A de attainable (atingível): o objetivo precisa ser, antes de tudo, atingível se levado em consideração também os outros critérios;
  • R de relevant (relevante): precisa fazer diferença, de fato, no objetivo final. Se não é relevante para isso, é gasto tempo e energia em algo que não encaminha até o propósito final;
  • T de time based (com prazo): colocar um prazo para que o objetivo seja conquistado é colocado como ponto importante, já que define a urgência e a velocidade com que as coisas precisam ser feitas.

 

De acordo com a metodologia, as metas e os objetivos de uma empresa precisam seguir todos os cinco critérios antes de serem criados para que seja possível iniciar planos de ação para alcançar o objetivo desejado.

A autoria do formato é considerada ambígua, mas acredita-se que tenha surgido da união de teorias dos especialistas em gestão Peter Drucker e George Doran. O primeiro teria criado a ideia de elaboração de metas e ações em 1954 e o segundo seria responsável por transformar essa ideia em uma metodologia de fato, apenas em 1981.

Hoje as metas smart são utilizadas por empresas de diversos segmentos e para os mais variados tipos de planejamento, até mesmo os que envolvem desenvolvimento pessoal.

Para Gabriela Ricciardi, gerente na empresa Pravaler, que utiliza a metodologia em suas estratégias, o principal objetivo desse modelo é auxiliar na construção de metas que sejam realmente assertivas e eficazes na busca pelo resultado desejado. “Os critérios das metas smart ajudam a criar estratégias mais voltadas ao resultado de fato”, afirma.

Como utilizar metas smart para guiar as estratégias

Para a profissional, as metas smart precisam estar atreladas à estratégia da empresa, sendo um mecanismo para tornar o caminho até o objetivo final mais eficaz. “A partir do momento que a estratégia está clara e existem KPIs (indicadores-chave de desempenho) para mostrar a evolução dessa estratégia, a meta smart pode ser uma grande aliada para que esse progresso aconteça”, diz.

Segundo Gabriela Ricciardi, a relevância das metas smart está no alinhamento com o objetivo final. O tempo todo elas devem apontar para ele e trabalharem alinhadas, de modo que uma não atrapalhe ou concorra com a outra. Ao contrário, como aponta como George Doran em seu livro There’s a S.M.A.R.T Way to Write Management Goals and Objectives, os critérios das metas smart foram feitos para andarem lado a lado e até a dependerem um do outro.

Um dos critérios que merece atenção redobrada, segundo a gerente do Pravaler, é o da especificidade. “A meta precisa ser específica e clara para todos entenderem exatamente o que será medido e o que é esperado. Sendo assim, o ideal é sempre procurar a utilização de indicadores que a empresa já tenha um histórico, o que já se relaciona com o critério de mensuração”, explica.

O tempo para atingir o objetivo também precisa ser pensado com cuidado. É natural que as organizações busquem velocidade em tudo, mas estabelecer que alguns processos devem ser feitos com rapidez pode não ser a melhor opção. “A empresa ou a pessoa escolhe esse período, mas é preciso lembrar que quanto mais curto o tempo, menos estratégica será a meta, provavelmente. Isso porque não haverá tempo suficiente para construir e colher resultados de algo mais complexo”, aponta Gabriela Ricciardi.

“Por outro lado, metas com um período muito longo podem ser pouco motivadoras para os times. Aqui no Pravaler usamos o período de 6 meses como base”, complementa a gerente.

Metas smart e as mudanças do mercado

Estratégias de negócios, de acordo com Gabriela Ricciardi, precisam também estar alinhadas com o momento que a sociedade está passando e as transformações que vão ocorrendo. Naturalmente, a pandemia de Covid-19 hoje não pode ser ignorada.

Para ela, uma das maiores dificuldades de empresas durante o período foi prever resultados em meio a mudanças tão bruscas de comportamento da sociedade e do mercado. “Isso porque, muitas vezes, o histórico que essa empresa tinha não era o suficiente para conseguir fazer essa previsão do que poderia acontecer”, explica.

Nesse caso, o ideal, segundo a profissional, é fazer metas com período de mensuração menor, como de três em três meses. “Assim, aos poucos, os gestores conseguem entender o novo momento do mercado e da economia.”

Outro ponto que merece atenção é o tempo de reformulação dessas metas. “Geralmente as empresas têm metas de seis meses e, nesse caso, são reformuladas duas vezes ao ano. Outras empresas, geralmente mais conservadoras em suas estratégias, colocam metas anuais, mudando os objetivos na virada do ano ou quanto um novo propósito é definido”, explica.

As metas smart, dessa forma, podem ser utilizadas pelas empresas como forma de contribuir com uma estratégia mais eficaz e precisa ser construída levando em conta não apenas os critérios da metodologia, mas o objetivo da empresa e o momento do mercado, conclui Gabriela Ricciardi.


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