Histórias dos CEOs: as ideias do CEO de 26 anos que comanda a Tag Heuer

Consumidor Moderno acompanha o Viva Tech, grande evento mundial de inovação e tecnologia que traz entrevistas com alguns dos CEOs mais importantes do mundo

Após um ano de mudanças profundas, inesperadas e complexas em todos os aspectos dos negócios, qual é o novo papel do CEO? De que forma esses indivíduos que têm a responsabilidade de orientar, inspirar e reinventar suas empresas, a partir de um consumidor mais digital e com mudanças profundas no mercado, novos competidores, bases tecnológicas e formatos de trabalho, estão se adaptando a este novo mundo? No Viva Tech, um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do mundo, em sua quarta edição, diversos CEOs puderam compartilhar suas experiências nesses últimos meses, um dos períodos mais dramáticos da história humana, revelando como eles estão se adaptando às variáveis ​​e obstáculos presentes. Qual a direção dos negócios nesse contexto e o papel da inovação para manter empresas saudáveis? 

Comecemos com Frédéric Arnault, CEO da Tag Heuer, parte do grupo LVMH, líder global em marcas de luxo. Outra curiosidade é que o conglomerado francês, comandado por um dos homens mais ricos do mundo, Bernard Arnault, é patrocinador do Viva Tech desde a primeira edição e na versão física do evento (sim, em Paris o evento também acontece em modo presencial), explora várias inovações, incluindo um estande de concepção ecológica. A partir de sua formação de engenheiro, Frédéric entrou na Tag Heuer em 2015 e participou do lançamento do primeiro relógio conectado da icônica marca, em linha com a sua proposta de vanguarda tecnológica e envolvimento o esporte de alta performance. 

Logo ao assumir como CEO da companhia, no início de 2020, Frédéric teve de enfrentar as consequências e as mudanças provocadas pela pandemia. Nesse sentido, ressaltou que foi imperativo acompanhar de modo muito próximo as mudanças do ambiente e estabelecer uma rotina perseverante de comunicação com o time. “Incialmente, houve um choque brutal na demanda, com a impossibilidade das pessoas visitarem as lojas ou sequer pensarem em adquirir produtos”, comentou o CEO.

“No lado da oferta, o choque foi severo, tivemos fábricas fechadas por meses”, destacou. Claro, durante o verão no hemisfério norte, as vendas começaram a ganhar corpo novamente, mas de maneira errática, tanto na Europa quanto nos EUA, mas aceleraram vigorosamente na China. A indústria do luxo é intimamente dependente da indústria do turismo, de forma que a dinâmica de consumo se tornou efetivamente local. O trabalho nos escritórios não sofreu grandes mudanças por causa da pandemia, por outro lado, os vendedores e representantes sofreram muito com o distanciamento social. Além disso, foi necessário reforçar o treinamento para manter a cultura consolidada.   

O CEO que assumiu junto com a pandemia

E como foi ser um CEO tão jovem (Frédéric tem apenas 26 anos) em um ano como 2020? Para ele, o período foi de intenso aprendizado. Enfrentar uma crise tão dramática logo ao assumir o obrigou a compreender rapidamente a dimensão de sua responsabilidade, manter a empresa no rumo da visão correta, assegurar que todos no time compreendiam a visão e o tamanho do desafio, manter contato com as unidades da Tag Heuer no mundo para mostrar que o CEO estava presente e consciente das dificuldades.

Claro, é muito mais difícil atingir o engajamento via Zoom (o aplicativo que permitiu manter operações de empresas ao redor do mundo), mas, por outro lado, essa mesma tecnologia permitiu que a transformação ocorresse mais rápido. 

Para o desenvolvimento do relógio conectado da Tag Heuer, Frédéric passou alguns meses trabalhando no Facebook. Na época, em 2015, o então jovem engenheiro acreditava que a Tag Heuer poderia ter o seu modelo. Mas o projeto inicial previa que tanto o hardware quanto o software seriam desenvolvidos por empresas parceiras, particularmente o Google, um bom parceiro da empresa. Assim, Frédéric optou por propor um conceito de relógio para além do design. Evidente, um produto da Tag Heuer é uma peça de rara beleza e precisão, com materiais nobres e mecânica excepcional. Mas era até então uma peça mecânica. Seria possível fazer um relógio conectado, inteligente, que aparentasse uma peça mecânica? Era necessário usar uma abordagem mais criativa, capaz de surpreender um consumidor que é minucioso e exige especificações detalhadas.  

DNA de luxo combina com digital?

Assumir essa face digital em uma empresa de orientação quase artesanal, dada a qualidade de seus produtos, foi um desafio incrível. O motivo é simples: desenvolver produtos com base em tecnologias digitais não fazia parte do DNA da Tag Heuer. Em resumo: é possível combinar luxo e tecnologia de forma a continuar relevante para o consumidor tradicional e atrativa para novos clientes? 

Frédéric observou que alguns elementos do DNA da marca, basicamente aqueles voltados para a performance esportiva se combinavam muito bem com o poder e as características da conectividade digital. Afinal, o esporte pede indicadores de desempenho e tê-los no pulso, com a precisão única de um Tag Heuer era uma oportunidade valiosa demais para ser ignorada.  

Finalmente, o jovem CEO comentou sobre expor uma marca tão poderosa em um mercado fortemente competitivo: faz sentido colocar a Tag Heuer no mercado de Smart Watches? O raciocínio foi simples: ao invés de esperar que o mercado de relógios mecânicos fosse “disruptado” por novas marcas de relógios conectados, a Tag Heuer optou por fazer parte de um mercado novo, atraindo consumidores que podem vir até mesmo a desejar os relógios mais convencionais depois de experimentarem os benefícios únicos de produtos mais modernos. Para suportar a decisão, um dado foi crucial: o crescimento do segmento de relógios conectados de luxo a taxas de até 40% ao ano. 

Uma decisão que se mostrou acertada. O jovem CEO da Tag Heuer exibiu com orgulho a terceira geração do seu relógio conectado, em corpo de titânio e um design expressivo. 


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