Quase 40% dos líderes acreditam que a pauta da diversidade é perda de tempo

Pesquisa da United Minds destaca os desafios para a diversidade, equidade e inclusão no mundo corporativo

Foto: Shutterstock

A pauta da diversidade nunca foi tão discutida no mundo corporativo como agora. É fato: empresas que promovem ambientes diversos e que trabalham com um quadro de funcionários mais plural normalmente se sobressaem no mercado, visto que a inclusão está na lista de demandas feitas pelos consumidores.

No entanto, ainda que a diversidade seja uma evidente evolução para os negócios, nem todos os líderes a enxergam como agregadora. É o que mostra a pesquisa da consultoria de RH United Minds: para ao menos 39% dos gestores, pautas relacionadas à equidade, empoderamento e inclusão são perda de dinheiro e tempo.

Vale dizer que a mesma pesquisa também aponta que 71% dos entrevistados acreditam que é importante para eles trabalhar em uma empresa que valorize a diversidade, e seja inclusiva e justa.

“Todos esses dados também ajudam as empresas a perceberem a importância da diversidade. Por meio deles podemos mapear riscos que estão silenciosamente atuando nas empresas no dia a dia, assim como encontrar a maneira de propagar bons exemplos, ensinar as lideranças a trazer discussões relevantes de inclusão”, explica Rodolfo Araújo, vice-presidente da United Minds na América Latina.

Um ambiente pouco acolhedor para diversidade

Embora esse quadro se agrave quando o assunto é posto em discussão entre os líderes, com os colaboradores, a porcentagem não é tão diferente: 34% deles também acreditam que os temas são perda de tempo e não contribuem, de fato, com o avanço dos negócios.

O dado demonstra o quanto os escritórios ainda se apresentam como ambientes não acolhedores para trabalhadores de todos os gêneros e etnias, algo que também foi comprovado pelo estudo: 16% dos colaboradores entrevistados destacam que eles próprios ou seus colegas não são tratados com respeito e 33% ou acreditam ou não têm certeza de que piadas e comportamentos inadequados são tolerados na empresa.

O que se percebe é que, ainda assim, uma parte dos funcionários vê que esse cenário está mudando. 56% dos colaboradores também acreditam que um comportamento racista, machista ou discriminatório não é tolerado na empresa em que trabalham e 53% deles também creem que pessoas de diferentes orientações sexuais e etnias têm a mesma chance de sucesso dentro das companhias.

O estudo da United Minds foi feito a partir dos dados de países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. Entretanto, o caso do Brasil, Rodolfo destaca, não é tão distinto dos países pesquisados. “Por mais que esse estudo tenha sido feito lá fora, nesses três países, ele sinaliza tendências importantes que devem fazer parte do nosso questionamento aqui no Brasil sobre o comportamento empresarial com relação à diversidade e inclusão. Tem que ter cuidado para que isso não seja algo apenas passageiro e sim real”, explica.

De acordo com o estudo, quase metade dos entrevistados já foram pessoalmente atingidos ou testemunharam discriminação, assédio e/ou micro agressões no ambiente de trabalho. Em números, significa dizer que um em cada três funcionários já presenciou discriminação e algum tipo de micro agressão, e um em cada cinco já foi vítima ou presenciou de abuso sexual, verbal, emocional ou físico.

Entre as pessoas que foram vítimas de algum tipo de discriminação, estão funcionários latino-americanos, LGBTQ+, pessoas com deficiências e com crenças ou culturas distintas.

“As empresas brasileiras têm grandes desafios em relação à diversidade, equidade e inclusão. Se você pensar nas marcas com as quais nos relacionamos com mais frequência, é uma bolha muito restrita para as que de fato incluem a diversidade como DNA. Os setores da velha economia, até mesmo para a nova — a ver pelo setor de tecnologia que não é tão aberto às mulheres, por exemplo —, são empresas que estão muitos passos atrás. Grande parcela da nossa economia, temos um larguíssimo caminho para prosperar”, argumenta Rodolfo.

O levantamento também aponta que um em cada quatro dos funcionários que presenciaram ou foram vítimas de algum tipo de discriminação estão procurando por um novo emprego para o próximo ano.

Como ter uma diversidade autêntica?

Um dos destaques da pesquisa evidencia que a diversidade, equidade e inclusão precisam se trabalhadas de forma autêntica, caso contrário, não atingirão os bons resultados que um quadro diverso pode agregar às empresas.

“Não é só abraçar o mês da diversidade ou só estabelecer algumas metas, sem trazer uma reverberação interna e um compromisso autêntico”, explica Rodolfo. “Enquanto as organizações não forem, de fato, autênticas quanto a diversidade, equidade e inclusão, dificilmente elas conseguirão conquistar qualquer outro stakeholder — o consumidor incluído — dentro dessa agenda. A questão está longe de ser resolvida”.

Não ser autêntico também prejudica (e muito) uma reputação que normalmente as empresas demoram para alcançar. A pesquisa da United Minds mostra que dois em cada cinco colaboradores acreditam que as corporações prometem mais do que realizam em relação à pauta da diversidade. 21% deles também crê que a linguagem usada pela empresa em que trabalham não é inclusiva.

“É importante ter marcas que fazem a lição de casa, temos o IBM, Natura, Itaú, Magalu. Mas isso não pode ficar restrito a eles. Não podemos ter apenas uma ação da Doritos, do Burguer King, da Magalu. Precisamos fazer com que isso ganhe escala, esse é o maior desafio”, completa Rodolfo.


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