A capacidade analítica como ferramenta para varejistas se tornarem resilientes

Estudo da Capgemini Reseach Institude mostra que empresas data masters têm lucros operacionais 30% maiores

Foto: Pexels

Ter acesso a dados hoje é algo fundamental para a sobrevivência do varejo no mercado. Coletá-los, dominá-los e analisá-los faz toda a diferença na hora de entender os anseios e necessidades do consumidor, saber quais são seus costumes e como atraí-los aos negócios.

Os resultados são, inclusive, notórios para os lucros do varejo. Isso significa que a capacidade analítica torna os varejistas mais resilientes. É o que diz o estudo do Capgemini Research Institute: “The age of insight: How consumer product and retail organizations can accelerate value capture from data” (em tradução livre, “A Era do Insight: Como as companhias de produtos de consumo e varejistas podem acelerar a captura de valor dos dados”): os “data masters”, que são organizações que podem criar, processar e alavancar dados, desfrutam de margens de lucro operacional 30% maiores do que a média da indústria.

A pesquisa foi feita com mais de 200 organizações de CPR em todo o mundo e conta com informações interessantes sobre o cenário do varejo no Brasil. “Na média, as empresas brasileiras de produtos de consumo e o varejo não estão no mesmo patamar da jornada data driven que outros segmentos, o que faz com que ela tenha resultados mais tímidos, não tirando proveito de todo o seu potencial. A principal ‘dor’ é a falta de visibilidade end-to-end da cadeia de valor do setor de CPR. A implementação de uma cultura de decisão baseada em dados e suas aplicações podem ajudar nesse sentido, mitigando diversas dores do setor”, aponta Caue Paiva Moresi, Líder da Prática de Insights & Data da Capgemini Brasil.

O poder da análise de dados para os negócios

Segundo o estudo da Capgemini, ter uma maturidade analítica ajuda pelo menos 62% dos “data masters” a alcançar escala com suas provas de conceito de Inteligência Artificial (IA) e análise de dados. Isso se prova ainda mais importante quando se percebe que 73% deles derivam um valor de negócios quantificável a partir de suas bases dados.

De acordo com Tim Bridges, Global Head of Consumer Goods and Retail da Capgemini, o sucesso no mundo dos negócios de hoje está totalmente ligado à análise de dados: “Há evidências claras de que, no ambiente em rápida mudança de hoje, a geração de dados é fundamental para o sucesso das organizações de varejo e produtos de consumo. À medida que a intensidade competitiva aumenta dentro e fora do setor, as empresas precisam promover uma cultura que lhes permita obter insights e agir rapidamente. As organizações de CPR precisam modernizar suas plataformas de dados, fortalecer a confiança e capacitar a tomada de decisão baseada em dados para progredir em direção ao domínio de dados e gerar uma vantagem competitiva sustentável”.

Dados: uma usina de aceleração do varejo

O uso concreto e sábio dos dados já vinha dando sinais de como seria um game changer para o mercado, mas, na pandemia, isso ficou evidente de forma mais agressiva: quem teve acesso a essas informações conseguiu, de fato, prosperar. Isso significa dizer que foi por meio dos dados que as empresas de fato acompanharam as bruscas mudanças de comportamento durante o período de isolamento social, crítico para o varejo em geral.

“Antes da pandemia, a grande maioria das CPRs não tinham ainda grande representatividade dos canais digitais no número total de vendas, algo que poderia estar entre 1% e 10%, por exemplo, porque o foco ainda estava nos canais físicos. Com as restrições geradas pela pandemia, houve uma aceleração na adoção dos canais digitais pelos consumidores, o que elevou rapidamente a participação destes para mais de 20%, ou até mesmo, em alguns casos, mais de 50% do total de vendas, atrelada a geração de dados mais detalhados sobre a jornada de consumo que agora ocorre online em quase sua totalidade, permitindo que as capacidades analíticas, antes restritas, ganhassem escala e visibilidade”, explica Mauricio Andrade de Paula, Diretor de Soluções para CPR e Distribuição para a South Latam da Capgemini Brasil.

Assim, nota-se que cada vez mais as empresas que analisaram essas informações se sobressaíram no mercado. Afinal, por meio das ferramentas de análise dados, é possível não apenas acompanhar as mudanças de comportamento do consumidor e seus anseios, mas também deduzir futuras tendências, o que alavanca o varejo à frente da concorrência.

“As empresas que investiram ou já tinha uma melhor prática em análise de dados conseguem hoje estabelecer padrões e simular cenários, como agora com a eminência (infelizmente) de uma 3ª onda de infecção e como isto vai afetar os seus negócios”, explica Moresi.

Preferências do consumidor

É necessário também destacar que, para além captar os costumes e preferências dos consumidores, enfatizar o uso de dados publicamente também atrai clientes. O estudo mostra que 79% dos consumidores preferem serviços que estejam alinhados mais sustentáveis, que usam os dados para montar uma economia circular.

A pesquisa mostra que 77% das companhias afirmaram que as abordagens da sustentabilidade aumentaram a lealdade do consumidor e 63% destacaram que isso levou ao aumento das receitas.

“O ideal é que as companhias tenham informações ricas e disponíveis, antes mesmo da próxima entrada do cliente final em sua loja, física ou online, e depois de cada interação possam obter ainda mais dados para poder vislumbrar, a partir das análises, as novas oportunidades que se abrem”, destaca Andrade de Paula.


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