Otimismo e a inflação: 6 CEOs dos bancos falam sobre o momento econômico do País

Na abertura do CIAB, evento da Febraban, os CEOs dos seis maiores bancos do País projetaram um crescimento de até 6% do PIB para 2021

Os presidentes dos seis maiores bancos do País mostraram otimismo com o momento econômico do País e já projetam um crescimento de até 6% do PIB para este ano. Por outro lado, eles se mostraram preocupados com avanço da inflação e comentaram sobre o fechamento de milhares de negócios, principalmente no setor de serviços. Para eles, os empreendedores que fecharam às portas na pandemia precisam voltar a empreender – e as instituições financeiras podem ajudar nesse processo.

Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco, Octavio de Lazari Junior, Diretor-presidente do Bradesco, Sérgio Rial, Presidente do Santander Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro (Presidente do Banco do Brasil), Pedro Duarte Guimarães (Presidente da Caixa) e Roberto Sallouti (CEO do BTG Pactual) foram os participantes do painel de abertura do CIAB Febraban deste ano.

Projeção da inflação

Apesar das diferenças no percentual de crescimento, os presidentes dos bancos acreditam que teremos uma alta no PIB entre 5% a 6% na comparação com o pífio resultado do ano passado.

Saloutti, do BTG Pactual, lembrou das assombrosas projeções econômicas feitas no ano passado. Uma delas, por exemplo, apontou até mesmo um recuo do PIB de 4% até o fim de 2021. No entanto, meses depois da divulgação das projeções, o cenário brasileiro é mais favorável.

Crédito: reprodução

“Pessoalmente acho que ficaremos acima de 6%. Foi um momento de recuperação do PIB em ‘V” (da queda ao forte crescimento), muito embora isso tenha ocorrido a partir de um custo social grande. No fim, os efeitos da crise econômica foram menores que imaginávamos, muito embora o custo social tenha sido grande”, afirma.

Rial, do Santander, afirma que o crescimento de 6% está diretamente relacionado ao desempenho das commodities do País. O agronegócio se beneficiou com a pandemia e tem impulsionado o PIB. No entanto, nem todo mundo obteve o mesmo resultado. “Apesar de tudo o que foi feito, o pequeno comerciante está sumindo. Milhares de negócios desapareceram. Agora, precisamos pensar na questão de como fomentar o retorno desse micro e pequeno para o universo do empreendedorismo”, afirma.

Duarte Guimarães, presidente da Caixa, afirma que o banco mudou o perfil de concessão de crédito e passou a priorizar a oferta de crédito para as micros e pequenas. “Nunca as micros tiveram financiamento aqui. Mas isso aconteceu no ano passado. Em vez de emprestar dinheiro para empresa grande que não paga (o empréstimo), a Caixa decidiu emprestar dinheiro para as micros. As grandes não precisam de dinheiro da Caixa”, afirma.

Andrade Ribeiro, do BB, afirma que a vacinação é o ponto crítico para a retomada da economia. A partir dela, o consumo aumenta, há maior mobilidade social e os demais setores serão reaquecidos. Além disso, é preciso encontrar uma forma inteligente para conceder crédito. “Precisamos avaliar de forma inteligente quais as formas mais aptas para dar o crédito. O crédito precisa chegar para mais gente”.

Projeção conservadora

Milton Maluhy Filho, do Itaú Unibanco, tem uma visão mais conservadora sobre o crescimento para do PIB para 2021. Olhando os números de 2020, a instituição defende um crescimento pouco acima dos 5%, o que não é ruim. O resultado está relacionado a velocidade do Ministério da Economia na definição das diretrizes de gasto do dinheiro público na pandemia e na assertividade de alguns programas de governo, incluindo o próprio auxílio emergencial.

“A indústria como um todo também teve um protagonismo grande e isso continua. O sistema injetou R$ 4,5 trilhões em créditos no ano passado. Para tanto, os bancos tiveram que flexibilizar a oferta do crédito. Para os próximos anos, o desafio é não olhar para 2021, mas ter como parâmetro o ano de 2020″, afirma Maluhy Filho.

Octavio de Lazari, do Bradesco, também lembrou as projeções assustadoras para o PIB deste ano. Em uma delas, havia a previsão de que os gastos públicos consumiriam 100% do PIB, o que não se confirmou. “Pelas projeções, 2021 teria um efeito estatístico de terra arrasada com base em 2020. Vamos ficar em 85% do PIB, o que é melhor do que os 100% que diziam”, afirma.

Inflação

Apesar do otimismo, a inflação ainda é um fator que pode determinar o resultado Uma das preocupações dos presidentes dos bancos sobre o impacto na economia brasileira está relacionado a inflação. O Mercado Financeiro projeta alta de 5%, enquanto os economistas ouvidos pelo relatório de Mercado Focus apontam para uma inflação entre 5,82% a 5,90%.

“É muito difícil segurar a inflação porque ela vai corroer os salários. É preciso controlar a inflação e disciplina fiscal. A condição sine qua non é que o governo faça as privatizações. A Eletrobrás está no caminho. Isso é importante porque traz capital estrangeiro. Além disso, precisamos trabalhar nas reforças. Eu não diria a tributárias, mas uma simplificação tributária. Hoje, o Brasil é o País que se gasta mais horas para pagar impostos”, disse Lazari.


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