Conheça o perfil do usuário de cada rede social de acordo com a geração

As redes sociais são ferramentas indispensáveis para criar um relacionamento com os clientes. Saiba em quais delas se concentra cada tipo de consumidor

Quem nunca estranhou a visão de um idoso fazendo uma coreografia em um vídeo no TikTok? A rede social chinesa é tão popular entre os jovens que observar alguém de mais idade na plataforma chama atenção. Se ainda fosse no Facebook, no qual as vovós e titias adoram comentar as fotos dos netinhos e sobrinhos adolescentes (para o terror dos mesmos, diga-se de passagem), tudo bem. O perfil do usuário varia de acordo com a rede social e a geração é uma das explicações.

De modo geral, os jovens tendem a assimilar mais rápido o uso das plataformas, exploram todas as suas funcionalidades e usam mais de uma ao mesmo tempo, optando por utilizar mais aquelas que trazem mais engajamento no momento (o TikTok é a bola da vez).

Já as gerações mais velhas são mais lentas na adoção e menos inteiradas sobre as funções, demorando mais tempo para explorar todo o potencial de cada rede e também para se aventurar pelas mais novas. Assim, costumam usar apenas uma ou duas com mais frequência no seu dia a dia. É claro que sempre existem exceções.

Para as empresas, entender essas variações é indispensável na hora de formular uma estratégia de comunicação com o seu público.

A rede social como canal de conexão

Thaysa Costa do Nascimento, doutoranda e pesquisadora do Centro de Estudos em Consumo Coppead/UFRJ, afirma que, para as marcas, fazer uso das redes sociais para se comunicar com seus consumidores significa construir uma relação a longo prazo com base em autenticidade e conexão.

Os consumidores se sentem mais próximos e mais propensos a compartilharem suas informações e experiências com e sobre uma empresa quando se conectam a ela nas redes sociais, segundo a pesquisadora. Isso faz com que eles também enxerguem os valores da marca.

Se as redes sociais já eram consideradas como um canal relevante de construção das marcas, com a pandemia elas se tornaram essenciais. “As redes são vistas não mais somente como canal de comunicação digital, como também de vendas (social selling), de reputação (social listening) e de interação com o SAC 2.0, ou seja, as marcas que antes não acreditavam que precisavam estar presentes, agora se deparam com a obrigação de atuar nas redes sociais”, reforça Denis Santini, CEO do Grupo MD, grupo de comunicação especializado em varejo.

Consumo nas redes sociais

As redes sociais afetam o consumo diretamente. Elas possibilitam não só que o consumidor aumente seu conhecimento sobre produtos e marcas como também descubra novas práticas de consumo. Além disso, figuras como os influenciadores digitais, atuam como uma espécie de líderes de opinião, indicando produtos, marcas e serviços.

A exibição da experiência real de consumo nas redes sociais pode levar ao despertar do desejo do consumidor por aquele produto. “Temos ainda mecanismos como os publiposts e os links diretos de venda nos stories do Instagram, por exemplo, que possibilitam uma via direta de acesso para os consumidores”, indica Thaysa.

Fora isso, também é possível destacar a imensa quantidade de páginas, principalmente no Instagram, que vendem diversos tipos de produtos e serviços. Com a pandemia essas páginas se tornaram uma opção alternativa de comodidade para o consumidor.

O perfil do usuário de cada geração

É possível observar que existe uma concentração maior de gerações específicas em determinadas redes sociais, mas é preciso não levar isso tão ao pé da letra. Isso porque temos visto que o consumo de redes sociais muda rapidamente e de forma contínua. Além disso, o cenário da pandemia provocou importantes mudanças.

A seguir, confira quais são as gerações e as redes sociais que mais usam predominantemente.

Baby boomers, a Geração Prateada

Os Baby boomers, também conhecidos como Geração Prateada, é composta por pessoas que possuem idade igual ou superior a 60 anos. O termo surgiu como referência aos cabelos grisalhos que seus membros já possuem. Atualmente, essa geração representa 16% da população brasileira, segundo o IBGE e o Itaú BBA. Eles são mais tradicionais e acabam utilizando mais o Facebook tanto para comunicação como para o entretenimento e a obtenção de informações.

Geração X

Nascidos entre 1965 e 1979, essa geração é marcada por características como individualismo e dependência do trabalho. “Hoje o Facebook é mais utilizado pela Geração X como forma de comunicação. Foi uma das primeiras redes sociais que os consumidores aprenderam a utilizar e para muitos ainda continua como a principal a ser usada”, explica a Doutoranda Thaysa Costa do Nascimento. O LinkedIn também é uma rede social importante para esse grupo, de acordo com a especialista, pois é um grupo muito ativo no mercado de trabalho.

Geração Y

Também conhecidos como Millennials, são nascidos entre 1980 e 1994, e são nativos digitais, que têm a tecnologia integrada na sua rotina. “No YouTube e no Instagram observamos uma mescla cada vez mais crescente entre as gerações. Mas, ainda acredito que a Geração Y é a principal nessas duas redes”, diz a pesquisadora do Centro de Estudos em Consumo Coppead/UFRJ. Assim com os membros da geração X, os millennials também estão no LinkedIn, mas neste caso porque estão vivenciando o processo de construção da carreira profissional.

Geração Z

Ainda mais experts em tecnologia, essa geração nasceu entre 1995 e 2010 e está tomando o seu posto agora no mercado de trabalho. “O TikTok concentra a Geração Z, uma vez que é uma rede social mais recente e com um perfil de funcionamento diferente das demais”, afirma Thaysa Costa do Nascimento. Mas esse grupo também marca presença no Instagram, principalmente através do uso dos Stories.

É importante, porém, não levar tão à risca a ideia de que uma geração que prefere uma rede social não pode usar outra. Esse movimento é dinâmico. A pandemia de Covid-19, por exemplo, agitou um pouco esse cenário.

“Tenho pontuado que o que muda mais do que as gerações, são os perfis de usuários, em outras palavras, a redes tem suas características e assim atraem perfis diferentes. Por exemplo, o Instagram atrai pela sua velocidade de transmissão de conteúdo, muitas vezes, com frases curtas e imagens, o usuário consegue interagir e consultar vários perfis da rede de forma rápida e com poucos clicks (curtidas ou emojis) interagirem com pessoas e marcas”, aponta Denis Santini, CEO do Grupo MD.

Já o LinkedIn, segundo o executivo, é uma rede mais “densa”, com conteúdos sobre trabalho e recolocação que demandam mais tempo e boa vontade do internauta. Denis Santini lembra também o protagonismo que o WhatsApp e o Instagram assumiram nos últimos anos. “No caso o WhatsApp, além de uma poderosa rede de comunicação, se tornou também fonte de conteúdo (fake ou não), fonte de venda e de relacionamento, tanto B2B como B2C”, explica.

Estratégias de comunicação

O usuário das redes sociais pode ter diferentes comportamentos de acordo com as páginas que segue e até mesmo dependendo das redes onde possui um perfil. Nesse sentido, é importante que a marca tenha em mente de forma clara com qual tipo de público pretende se conectar nas redes sociais. E, mais ainda, onde está esse público. Que tipo de conteúdo ele curte? O quão engajado ele é?

Thaysa Costa do Nascimento destaca algumas estratégias para identificar esse público: usar os dados analytics que as próprias plataformas disponibilizam para cada perfil para entender o perfil demográfico do usuário que segue seu perfil, encontrar influenciadores digitais que representem seu público-alvo e pensar em mecanismos de criação de relacionamento, e observar outras empresas que são cases de sucesso nas redes sociais para entender de que forma elas se comunicam com seus consumidores.

Por fim, o desafio é a oportunidade para as marcas. É necessário entender como cada rede social funciona e interagir de forma diferente em cada uma delas, pois fazer repost de forma única em todas as redes é um dos erros (hoje) mais comuns e que demonstram a falta de habilidade com as redes sociais.

 


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