Como a Renner tornou mais acessível a sustentabilidade na moda

Entenda como a empresa tem desenvolvido e se envolvido em iniciativas que impactam toda a cadeia, beneficiando desde a indústria até o cliente

Desenvolvimento sustentável é um conceito reconhecido há quase duas décadas e que tem ganhado cada vez mais consistência tanto dentro das empresas quanto na mente do consumidor nos últimos anos. De acordo com uma pesquisa realizada pela Ipsos em maio de 2020, ainda que os cidadãos ao redor do mundo estivessem especialmente concentrados no combate à COVID-19 no ano passado, a pauta da preservação ambiental não perdeu relevância: na opinião de 85% dos brasileiros, a proteção do meio ambiente deve ser uma prioridade no plano de recuperação do País após a pandemia. Inclusive, para o público jovem, como a geração Z, reconhecida também como parte da geração de nativos ecológicos, esse é um tema indispensável.”

É elementar ressaltar, porém, que as estratégias desenvolvidas dentro de algumas empresas não foram pausadas nesse período. Um exemplo disso é a Renner, que tem a sustentabilidade como um de seus valores desde 2013, ou seja, o tema já faz parte do dia a dia da companhia, independentemente do cenário externo.

Eduardo Ferlauto, gerente-geral de Sustentabilidade da Lojas Renner, conta que a empresa tem uma atuação ampla e sólida nesta área, que contempla desde o desenvolvimento dos produtos até a relação com os fornecedores, passando pelo desenho das lojas físicas, o uso de energias renováveis de baixo impacto nas operações, até chegar ao pós-consumo.

“Desenvolvemos uma estratégia de Moda Responsável, por meio da qual assumimos compromissos públicos em 2018, e estamos avançando fortemente, com investimentos consistentes em diferentes iniciativas”, diz Ferlauto. Ao longo desse tempo, ele lembra que o comportamento do consumidor também mudou: ele se tornou mais consciente, o que motivou ainda mais a evolução da empresa. “Um exemplo é o nosso empenho em aumentar constantemente o mix de produtos menos impactantes nas nossas coleções”, detalha.

Nas peças, há uma etiqueta com o selo Re que especifica suas características

E para ajudar seus clientes a conhecerem melhor sua jornada de sustentabilidade, a companhia criou o selo Re Moda Responsável. Ele representa a forma como a marca pensa e pratica sustentabilidade em tudo o que envolve o negócio. “Desde 2018, por meio do selo Re, também comunicamos em diferentes canais os atributos de sustentabilidade desses produtos e os processos como são produzidos, o que contribuiu com a conscientização sobre este assunto”, afirma Ferlauto. Nas peças, por exemplo, há uma etiqueta com o selo Re que especifica as características que tornam cada um desses produtos menos impactantes e mais responsáveis.

Frentes de atuação em busca de uma moda responsável

Ambiente construído, clima e energia

Desde 2016, a Renner segue padrões de responsabilidade ambiental na construção e reformas de lojas, guiados pelas premissas da Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), certificação internacional para construções sustentáveis. No mesmo ano, passou a neutralizar suas emissões de CO2, que não podem ser reduzidas, e desde então, vem buscando formas de reforçar seu compromisso com o combate às mudanças climáticas. Mais recentemente, por exemplo, aderiu a iniciativas como Fashion Industry Charter for Climate Action e Business Ambition for 1.5°C.

Outra frente é a ampliação do uso de energia a partir de fontes renováveis e de baixo impacto. Além da compra de energia no mercado livre, a empresa investe em parcerias para construção de fazendas solares – atitude que é parte de uma estratégia de evolução em direção a uma matriz energética mais limpa. Hoje, o Rio Grande do Sul, o Rio de Janeiro e o Distrito Federal já possuem unidades abastecidas com energia solar.

Cadeia de fornecimento e matérias-primas

A Renner tem ainda um cuidado especial com sua cadeia de fornecimento. Essa é uma diretriz fundamental na estratégia de sustentabilidade, em um pilar que busca criar valor ao promover o respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos e trabalhistas na rede de parceiros, potencializando o impacto positivo gerado pela construção de uma cadeia de fornecimento ética e responsável.

Algumas peças são feitas de algodão agroecológico e de viscose responsável, ou seja, que não tenha origem em florestas nativas ameaçadas de desmatamento

Levar produtos menos impactantes para seus clientes implica em um intenso trabalho de conhecimento e parceria com a cadeia de fornecimento, além de desenvolvimento conjunto de processos produtivos, soluções e iniciativas que ajudem a agregar valor e melhorar os impactos sociais e ambientais dessa jornada. Algumas dessas possibilidades são:

  • Algodão responsável

Assim é chamado pela empresa o algodão cultivado de forma mais sustentável, de maneira que cuide do solo e da água; e que proporciona aos agricultores, condições de trabalho seguras;

  • Viscose responsável

A viscose é uma fibra artificial produzida a partir da celulose – que vem da árvore. A empresa incentiva a prática de compra de viscose que não tenha origem em florestas nativas ameaçadas de desmatamento;

  • Fio reciclado

São produtos que possuem uma porcentagem de fio reciclado em sua composição, que podem ter como base algodão ou PET, por exemplo;

A evolução do Jeans

Uma das primeiras iniciativas da Renner em busca de produtos menos impactantes está ligada a uma das peças mais utilizadas pelos consumidores: o jeans. A empresa lançou o Re Jeans, em maio de 2018, ao mesmo tempo em que criou o Selo Re – Moda Responsável. Ele é o jeans menos impactante da marca.

A primeira coleção tinha peças desenvolvidas dentro do conceito de fechamento de ciclo, alinhada a princípios de economia circular, e, na época, a coleção era composta por diferentes peças femininas, entre calças, shorts, blusas e vestidos. Ao longo dos anos, o Re Jeans ganhou diferentes atributos de Moda Responsável: as peças passaram a contar com algodão responsável, por exemplo.

Como uma evolução, em 2020 as peças da nova coleção de Re Jeans não tiveram adição de poliéster, o que possibilita que o jeans seja reciclado, aumentando os ciclos de uso da fibra. O consumo de água na produção das calças dessa coleção esteve entre 250 ml (equivalente a um copo americano) e 6 litros, considerado como baixo consumo, de acordo com a metodologia de pegada hídrica desenvolvida pela Renner e certificada por terceira parte. Esta metodologia vem permitindo mapear o uso de água nas etapas de confecção e acabamento de cada jeans, com o objetivo de fazer um trabalho de engajamento junto à cadeia de fornecimento e melhorar os processos empregados, além de dar visibilidade aos clientes sobre o nível de água consumido nos diferentes modelos disponíveis para compra.

E para entender um pouco mais dos impactos dessas mudanças na forma de desenvolver o jeans, a Renner fez um cálculo de impacto do Re Jeans, em comparação ao jeans convencional e, com base na metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), chegou-se à conclusão que houve uma redução de 36,7% nas emissões de gases de efeito estufa.

Hoje, mais de 95% dos jeans da Renner são Re Jeans. Isso significa que podem englobar um ou mais dos atributos a seguir: utilização de algodão responsável, baixo consumo de água na confecção e no acabamento ou, até mesmo, reaproveitamento de resíduos da confecção Renner (ou seja, tecidos reciclados).

Moda de algodão agroecológico

Como explicou Ferlauto, a Renner tem se dedicado cada vez mais a aumentar o mix de produtos menos impactantes à disposição dos consumidores. Um exemplo é uma coleção que teve como base o algodão agroecológico, plantado e colhido por produtoras rurais em municípios do norte de Minas Gerais, fruto do projeto Tecendo Autonomia, apoiado pelo Instituto Lojas Renner.

Desde 2017, em parceria com o Centro de Agricultura Alternativa e associações de mulheres agricultoras de MG, o Instituto Lojas Renner proporciona qualificação a produtoras rurais para que possam plantar unindo seus saberes ancestrais no trato com a terra a técnicas de manejo mais sustentável.

Uma coleção cápsula foi lançada em fevereiro de 2021, inspirada na história da comunidade local, representada nos bordados diferenciados dos vestidos, macacões e blusas, que levavam cores terrosas e neutras, em referência ao contato com a terra e ao plantio do algodão.

Dentro da proposta de moda responsável da marca, o tingimento das roupas também envolveu processos menos impactantes, a partir da reutilização de água das chuvas e do consumo de energia solar.

Reaproveitamento

Mais recentemente, a Renner se juntou à Insecta Shoes em uma collab que, por sua vez, foi inteiramente confeccionada com materiais reaproveitados ou reciclados e representa um marco pela união de duas empresas que são referência na área da sustentabilidade. Ela é fruto de um trabalho colaborativo entre a equipe de estilo da Renner e a Insecta, desde a concepção criativa até o desenvolvimento final dos produtos. Todas as peças (roupas, calçados e bolsas) utilizam matérias-primas com atributos de sustentabilidade, como o tecido estampado de reuso – que veio do excedente de fornecedores da varejista –, borrachas de origem reciclada e, até mesmo, tecidos de PET reciclado.

A Renner se juntou à Insecta Shoes em uma collab que foi inteiramente confeccionada com materiais reaproveitados ou reciclados

A Renner e a Insecta optaram por um processo de criação às avessas: ao invés de definir o conceito da coleção e depois seguir com a seleção dos materiais, primeiro foram escolhidos os insumos e, depois, foi feito o desenho das peças. O objetivo era gerar o menor impacto possível, dando um novo significado aos recursos que estavam disponíveis.

O resultado foi o reaproveitamento de mais de 4 mil metros de sobras de matéria-prima que estavam parados. Além disso, cada bolsa da collab usou em média cinco garrafas PET.

Além do impacto ambiental

Outro exemplo é o Movimento eu Visto o Bem, com o qual a Renner fez uma parceria para desenvolver uma coleção de acessórios confeccionada por mulheres encarceradas e egressas do sistema prisional e feita com tecido reciclado e produção lixo zero.

A coleção, lançada no início de 2021, foi produzida em um trabalho conjunto da equipe de Estilo da Renner com as integrantes do Eu Visto o Bem, movimento que desde 2016 atua com foco na ressocialização de detentas e ex-detentas do sistema prisional de São Paulo. Em 2020, o movimento se tornou fornecedor da Renner.

Gerando resultados

  • O Selo Re completa três anos, com as mais diversas conquistas. A Renner destaca algumas delas:
  • Ao final de 2020, mais de 56% dos produtos das Renner eram menos impactantes, sendo que o uso de algodão responsável chegava a 79,9%.• Também ao final de 2020, mais de 96% dos fornecedores da varejista contavam com certificação socioambiental, após um extenso processo de acompanhamento, monitoramento e auditoria;
  • A cadeia nacional da Renner está 100% certificada pela ABVTEX desde 2015;
  • A Renner atingiu a marca de mais de 130 milhões de peças com matérias-primas menos impactantes, como materiais como o fio reciclado, algodão e viscose certificados, e a poliamida biodegradável, além de técnicas e processos que garantem menos uso de água etc;
  • Desde 2011, a Renner tem um serviço de logística reversa, chamado EcoEstilo, que recebe embalagens e frascos de perfumaria e beleza. Desde 2017, roupas também podem ser deixadas nos coletores. Todos os itens recebem um encaminhamento ambientalmente correto, independentemente de terem sido comprados na Renner. Ao todo, o programa já coletou mais de 155 toneladas de materiais

Metas para 2021

O ano de 2021 representa um marco para a marca, quando encerra seu primeiro ciclo de compromissos públicos, alinhados à sua estratégia de sustentabilidade. Ainda neste ano, a Renner tem o objetivo de alcançar alguns números:

  • Ter 80% dos produtos menos impactantes, sendo 100% do algodão certificado;
  • Suprir 75% do consumo corporativo de energia com fontes renováveis;
  • Reduzir em 20% as emissões de CO2 em relação aos níveis de 2017;
  • Ter toda a cadeia nacional e internacional de fornecedores com certificação socioambiental.

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