Traje social? O impacto da pandemia na roupa de trabalho

Com o número de doses de vacinas aplicadas aumentando a cada dia, o reinado do pijama como roupa de trabalho está com os dias contados

Traje social? O impacto da pandemia na roupa de trabalho

Não há como negar: pijamas e chinelos são, de longe, as opções mais confortáveis de roupa de trabalho para o home office, tanto que, durante a pandemia, várias marcas investiram em modelos mais arrumadinhos e até mesmo com uma pegada mais chique.

Porém, com o número de doses de vacinas aplicadas aumentando a cada dia, o retorno ao trabalho presencial está cada vez mais próximo e, com ele, a exigência do uso de traje social seguindo o código de vestimenta de cada empresa.

Para muitos profissionais, isso significa tirar do armário sapatos sociais e de salto alto, camisas de manga longa, blazers, paletós, gravatas e até mesmo a boa e velha calça jeans – tudo isso, agora acompanhado de máscara.

O que fazer para se adequar às exigências do dress code de cada empresa sem precisar terminar o dia com os pés doendo por conta do salto alto ou do sapato social? As empresas devem ser mais flexíveis neste sentido? Entenda o impacto da pandemia nas roupas de trabalho e como deve ficar a questão da vestimenta no retorno à jornada presencial.

Roupa de trabalho: o reinado inesperado do pijama

Ter roupas adequadas para o ambiente de trabalho sempre foi uma preocupação para profissionais de diversas áreas e também para as empresas, que costumam ter um dress code para definir o que pode ou não ser utilizado no ambiente corporativo.

Não sem motivo: mais do que um item de moda, a roupa é capaz de transmitir informação, credibilidade, confiança e até mesmo expressar valores como tradicionalismo, criatividade e segurança.

“O traje é importante porque representa a cultura organizacional, a maneira como a gente se porta, como trafega, caminha, como se move na organização. Não é o traje que faz a organização, mas ele é capaz de refletir o que uma empresa é. Tem a ver com cuidado, apresentação e é importante para harmonização”, explica Lupércio Aparecido Rizzo, coordenador do curso de Gestão em Recursos Humanos do Centro Universitário Senac – Santo Amaro.

Porém, com a pandemia, a roupa de trabalho enquanto item que sempre esteve na pauta das empresas sofreu mudanças bruscas e difíceis de serem controladas. O home office deu início ao reinado do pijama com chinelo como roupa de trabalho – peças que se destacaram de suas concorrentes por serem de longe as opções mais confortáveis para se trabalhar de casa, contrariando diversos especialistas que defendem que se arrumar no trabalho remoto é uma opção mais produtiva e que colabora para a saúde mental do trabalhador.

Assim como muitas empresas estão adotando modelos de trabalho híbridos ou processos que se estabeleceram durante a pandemia, seria a roupa mais um item a passar por mudanças?

Na opinião do coordenador do curso de Gestão em Recursos Humanos do Centro Universitário do Senac – Santo Amaro, não necessariamente. Isso porque, para ele, a importância do traje enquanto forma de comunicação e representação organizacional permanece a mesma.

“Traje adequado é aquele que obedece a um certo dress code. O profissional não precisa estar de terno e gravata, nem com roupa de marca, mas precisa estar bem arrumado. Seja online ou presencial, é preciso cuidado com o traje, uma vez que ele passa seriedade, comprometimento e profissionalismo. O ambiente online permite uma flexibilidade de horários e de espaço, mas não flexibilidade de comprometimento e de seriedade, e a roupa faz parte disso tudo”, defende.

A consultora de moda e personal stylist Thais Coimbra, especialista em marketing, também acredita que o reinado do pijama e do chinelo deva chegar ao fim assim que os trabalhos presenciais retornarem à ativa.

“Há muitos consultores de estilo e de comportamento afirmando que todo esse tempo em casa está nos deixando com muito mais vontade de voltarmos aos looks bem produzidos, seja para o trabalho ou a vida social. E eu acho que isso faz todo sentido: estamos há um ano e meio com quase todo o guarda-roupa parado, sem contar tudo o que foi adquirido nas incontáveis compras online (que aumentaram muito nesse período) e que não tivemos ainda a oportunidade de usarmos adequadamente”, avalia.

Com base nesta linha de pensamento, a consultora acredita que a retomada das atividades fora de casa será motivo suficiente para que muita gente deixe o estilo comfy um pouco de lado e abuse mais de produções com saltos, peças mais estruturadas, modelagens mais elegantes e tecidos mais nobres.

Mais que uma peça ou uma regra, roupa de trabalho é comunicação

Mas será mesmo necessário que as empresas continuem exigindo um dress code tão rígido quanto antes da pandemia? Lupércio Aparecido Rizzo acredita em uma possível flexibilização por parte das organizações no pós-pandemia, porém, no sentido de incentivar a diversidade dentro da empresa, característica que vem sendo valorizada por aumentar a capacidade intelectual de soluções e respostas a problemas.

“Cada vez mais a flexibilidade ganha espaço dentro das organizações e, neste sentido, o traje passa a ser um ponto considerável, mas isso não significa que a liberdade é absoluta. Alguma flexibilidade é importante porque permite que as pessoas sejam mais elas mesmas. Porém, é preciso trabalhar dentro de uma certa limitação. Você não necessariamente precisa trabalhar de terno e gravata, mas talvez uma camisa polo”, exemplifica.

O estabelecimento de um dress code, segundo o coordenador do curso de Gestão em Recursos Humanos do Centro Universitário do Senac – Santo Amaro, tem justificativa: “Quando eu apareço é a imagem da empresa que está aparecendo. Ter um cuidado com a roupa de trabalho é fundamental. Deve haver uma certa liberdade? Sim, mas uma certa liberdade”, pondera.

Sob o viés da moda, Thais Coimbra destaca que as roupas – inclusive as de trabalho – são uma importante forma de comunicação, capaz de expressar personalidade, humor, comportamento e modo de viver.

“Sai na frente quem sabe usar a moda em favor daquilo que realmente quer mostrar a seu respeito. Para as diferentes classes de profissionais isso é fundamental. Um médico, por exemplo, deve transmitir segurança; um advogado, confiabilidade; um comunicador, criatividade; um psicólogo, tranquilidade e equilíbrio. E todas essas qualidades são expressas também através das roupas. Assim, fazer escolhas de moda bem pensadas garante uma comunicação mais assertiva e a construção de uma imagem profissional bem mais sólida e coerente com cada área de atuação”, explica.

O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade?

E se você faz parte do time que ama a liberdade de passar o dia de pijamas e chinelos, sentando em frente a um computador, entenda: buscar o caminho do meio pode ser a melhor alternativa.

“Eu acredito que não vão faltar opções que unam os códigos exigidos pelos ambientes de trabalho com conforto e bem-estar. Por exemplo, o linho é superconfortável e elegante. As modelagens de jeans se ampliaram para muito além do skinny. Há uma infinidade de opções de sapatos confortáveis cheios de estilo e personalidade, como as mules, os oxfords ou os saltos quadrados e grossos”, exemplifica Thais Coimbra.

Outro caminho possível apontado pela consultora de moda é mixar estilos agregando conforto e criatividade ao que é elegante ou elegância e formalidade àquilo que seria mais despojado. “Por exemplo, camisetas com blazers; saias midi com tênis; scarpins com calças de algodão; sobreposições; vestidos amplos com casacos mais pesados… Opções não faltam, o segredo é não ficar refém de tendências específicas e nem se preocupar com regras ultrapassadas”, defende.

Além disso, exercitar a criatividade na hora de se vestir é uma estratégia certeira para manter a elegância sem sofrer.

“Vamos montar dois looks imaginários: aquela camisa branca superclássica por baixo de um conjunto de moletinho (desses que caíram no gosto das pessoas durante a quarentena), um sapato estilo oxford e um lenço de seda amarrado no pescoço, na bolsa ou nos cabelos. Pronto: estilo e conforto para escritório nenhum botar defeito”, descreve.

Outra opção, descrita pela consultora de moda é a junção de mom jeans, camiseta, blazer e scarpin. “Aquele mom jeans que também virou febre nos últimos tempos, com uma T-shirt de algodão, um blazer bem estruturado e um scarpin de salto grosso. Não tem erro! O mercado da moda garante opção pra todo estilo! Basta usar a criatividade!”, reforça.


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