O que os jovens brasileiros desejam para o futuro

Preocupações com direitos coletivos denota maturidade do público

O que os jovens brasileiros desejam para o futuro?

Ter uma educação de qualidade e o direito a estudar assegurado são os principais elementos que os jovens brasileiros desejam melhorar no mundo, segundo pesquisa realizada pelo Umbigo do Mundo, instituição idealizadora da Plataforma de Educação para Gentileza e Generosidade.

O estudo, que foi feito entre abril a junho de 2021, com a participação de 500 crianças e jovens de 4 a 18+ anos – autorizados por seus responsáveis – perguntou aos indivíduos quais são as três coisas que eles gostariam de mudar no mundo. A partir dos resultados obtidos, as temáticas elencadas foram divididas em quatro grupos:

● Questões estruturais: educação, ciência e tecnologia, arte e criatividade, desigualdade socioeconômica, segurança e fome
● Questões emergenciais: saúde, saneamento básico, desemprego, economia, conectividade e corrupção
● Questões permanentes: desigualdade, direitos humanos, aquecimento global, meio ambiente e acessibilidade
● Perspectivas e soluções: empatia, amor, respeito, solidariedade, consciência social, consumo e felicidade

Pelo fato de a educação figurar no primeiro lugar nas três questões e na somatória geral, nota-se que há uma pendência com a sociedade que precisa ser resolvida efetivamente. Isso pode ter acontecido porque há uma interdependência entre o acesso ao estudo e as perspectivas de desenvolvimento em seus diversos espectros.

Destrinchando as respostas, na primeira pergunta observou-se que acabar com a Covid-19/ter vacina para todos e amor ao próximo estão no segundo e terceiro lugares, o que revela inquietações mais imediatas e a afloração de um senso colaborativo.

Já na segunda, percebe-se preocupações mais concretas e um olhar mais consciente das crianças e jovens, uma vez que acabar com a desigualdade socioeconômica, mais saúde e respeito ao meio ambiente estão no top 3.

Por fim, a terceira resposta foi mais focada em projeções para o futuro, com mais empatia, acesso à saúde e respeito aos direitos dos animais. Desse modo, o relatório traz uma disrupção no mercado, pois trata os jovens brasileiros como seres atentos aos direitos coletivos, e não apenas como consumidores com valor de mercado.

“Falar sobre ESG é fácil e está na moda, mas implementar práticas efetivamente sustentáveis é um processo sistemicamente desafiador para um mundo dos negócios em que muitos foram preparados para competir e vencer sozinhos, e não para colaborar e evoluir em coletividade. O nosso mapeamento efetua uma ouvidoria para captar quais as expectativas destas crianças e jovens, as novas lideranças, no âmbito sociotransformacional — uma boa reflexão para as empresas que querem obter o respeito dos clientes, mas que estão mais preocupadas a respeito do quanto estes representam no faturamento. Temos um cenário ainda distante dos resultados sociais tão necessários para revigorar as relações de troca no mercado”, afirma Marina Pechlivanis, sócia-fundadora da Umbigo do Mundo, mestra em comunicação e práticas de consumo e professora de pós-graduação.

Perfis dos jovens brasileiros por região

A delimitação do público respondente levou em consideração o gênero, condições da escola em que estudam (pública ou privada), faixa etária e a localização geográfica em que vive. Por ter sido feita através de questionário on-line e com análise quanti e qualitativa dos dados, a pesquisa conseguiu traçar as preferências das crianças e jovens de cada região:

Centro-oeste

Foco na empatia e no amor por meio da atenção às questões de igualdade e desigualdade de gênero, cor e raça, o que denuncia uma realidade intolerante e polarizada.

Nordeste

Preocupação em acabar com a desigualdade e expectativas de mudança para a construção de um mundo com menos violência e mais respeito.

Norte

Desejo de findar a violência e a intolerância, bem como explorar ações de solidariedade e respeito.

Sudeste

Diferentemente das demais regiões, as crianças e jovens brasileiros do Sudeste elencam, como prioridade, a ampliação do acesso aos serviços de saúde a todos. Acabar com a desigualdade, fome, desemprego e poluição, respeitando o planeta e o meio ambiente, são os principais elementos.

Sul

Propagação da empatia e do amor entre a sociedade, com destaque para a preservação da natureza.

Contudo, mesmo com diferenças regionais, a amostra da pesquisa possui um medo em comum. “Obter oportunidades de trabalho e reduzir o desemprego são preocupações tanto para o momento presente, vivenciado pelas famílias destas crianças e jovens, como para o sucesso de cada um em forma de bem estar na vida adulta. O coronavírus é pauta recorrente por transformar o contexto de vida e o futuro destas novas gerações, com a tendência de gerar insegurança e incertezas em diversas esferas: sanitárias, sociais, ambientais e econômicas”, explica Marina Pechlivanis.

Diferenças entre as pesquisas

A edição de 2021 é a segunda do estudo 3 Coisas Que Eu Quero Melhorar no Mundo, o que permite a realização de comparativos com os resultados do ano passado. O desejo por melhoria da saúde e acabar com desigualdade socioeconômica permaneceram figurando entre as cinco primeiras posições do ranking geral, reforçando a percepção de consciência coletiva premente da geração estudada.

Mais empatia/amor ao próximo, subindo da 7ª para a 2ª posição pode significar uma possível mudança de valores prioritários emergindo com as transformações sociais em curso. Em grande escala, pode ter potencial de ressoar sobre todos os demais aspectos que são anseios de melhoria no mundo. De ordem mais prática, a menção a mais respeito ao meio ambiente, passando da 11ª a 5ª posição, representa preocupações extremamente importantes para novas formas de pensar e agir no mundo.

Comparação com a geração anterior

Os dados descobertos pelo estudo foram impactados pelo momento social atual, em que há uma crise sanitária global e sem precedentes se considerar a faixa etária dos jovens brasileiros.

“Eles se aproximaram de uma realidade que era antes, para alguns, invisível ou inexistente. As notícias estão falando sobre pessoas em situação de rua, órfãos, doentes, desempregados, sobreviventes. Por isso, a pauta da doação começou a ganhar força por sua inevitabilidade. Tanto que as questões associadas à gentileza e à generosidade subiram de posição dialogando com a cultura solidária que tende a transformar relações as competitivas vigentes em relações mais colaborativas”, coloca a especialista e autora de mais de 20 títulos.

Sendo assim, uma boa hipótese é a de que esta geração, por estar vivenciando isso tudo, seja mais consciente da interdependência de todas as coisas e de seu papel social transformador, liderando empresas e estabelecendo relações com os mais diversos stakeholders e shareholders. Isso a difere da geração predecessora.

Além disso, com a educação no topo da lista de prioridades, Marina Pechlivanis prevê que essa questão e suas múltiplas dimensões, somados aos desafios trazidos e evidenciados durante a pandemia de Covid-19, continuarão em pauta daqui para frente.


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