Menos (leis) é mais (experiência)?

O impacto da regulação foi tema de painel de A Era do Diálogo deste ano. Confira quantas leis foram criadas no País desde 1950

Crédito: Unsplash

Executivos de grandes empresas podem até não admitir, mas, no fundo, muitos acreditam que a regulação pode ser um empecilho ou burocracia para o negócio. E não é para menos. Um recente levantamento efeito pela RegBr, plataforma criada pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) mostra que foram criadas 94,8 mil normas regulatórias no País desde 1950, sendo que a maioria foi aprovada nas últimas duas décadas – coincidentemente a partir da criação das agências reguladoras no país. Desde 2000 foram cerca de 69 mil novos normativos, concentrados, principalmente, no setor de transportes. A informação foi publicada no jornal Valor Econômico.

Para combater essa sana regulatória, muitas empresas tem se reunido ao redor de uma entidade patronal e criam os seus próprios regulamentos ou a autorregulação. Em suma, empresas de um mesmo setor se reúnem e combinam (e executam) uma série de inovativas em benefício do mercado e do consumidor.

“A regulação atual permite uma boa experiência par o cliente? O atual escopo é suficiente que possamos criar boas jornadas compensadoras para o cliente?”, questiona Jacques Meir, na abertura do painel “Experiência do cliente em setores regulados: limites e possibilidades”, dentro de A Era do Diálogo deste ano.

Compliance

De acordo com André Luiza Trindade Rosas, diretor executivo de relacionamento Hapvida, a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na regulação dos planos de saúde tem sido importante e exemplar. “De fato, nós somos extremamente regulados pela ANS. Mas a experiência brasileira é bem-sucedida, um case mundial, pois garante a segurança tanto para o usuário comum quanto para o funcionário da empresa. Ela é atuante em diversos sentidos, inclusive na fiscalização. A nossa regulação é extremamente competente”, afirma.

Para as empresas, estar em compliance com as leis é mandatório, mas isso não significa que elas devem limitar suas ações ao cumprimento da lei. Elas devem ir além, segundo defende Marcelo Picanço, CEO de seguros da Porto Seguro.

“A regulação nunca foi impeditiva (para a boa experiência do cliente). Pelo contrário. As exigências ocorrem no sentido de aprimorar a competição no País. Isso garante que o nosso setor esteja sempre a frente das necessidades do consumidor. Por outro lado, a empresa não pode ficar atrelado ao padrão mínimo estabelecido pela lei. No fim, ela vai ficar fora do mercado. As grandes empresas têm oferecido acima do que determina o regulador”, afirma Picanço.


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