Como entender onde o uso da inteligência artificial trará resultados

Tecnologia é uma das que mais promete mudanças no mercado, mas muitas empresas esperam soluções para todos os problemas

Como entender onde o uso da inteligência artificial trará resultados

Entre as tecnologias que prometem mudar a maneira como as empresas trabalham e o mercado se organiza, a inteligência artificial (IA), sem dúvida, é uma das mais importantes, de acordo com consultores de negócios. O uso da inteligência artificial é amplo, mas seu potencial está voltado principalmente à capacidade de leitura de dados, entendimento de padrões e auxílio na tomada de decisões.

Um estudo recente realizado pela EY, em parceria com a Forbes, demonstrou que as empresas que aparecem liderando o ranking de maturidade na adoção de tecnologias de dados e a Inteligência Artificial apresentam, em média, um crescimento de receita e margem operacional acima de 60%, contra 13% para empresas em estágios iniciais de adoção da tecnologia. “Isso quer dizer que o investimento nisso é essencial para tornar a empresa competitiva no mercado”, afirma Luiz Covo, sócio-líder de Consultoria de Analytics e Digital Data da EY.

Em meio a transformação digital e com outras tecnologias surgindo, muitas empresas também podem ficar em dúvida sobre os reais usos da IA e acabar investindo em algo que nem sempre é o indicado para a solução de seus problemas.

O potencial da tecnologia

A IA é uma das tecnologias vistas como mais inovadoras no mercado atualmente e também no futuro. O motivo está relacionado, principalmente, ao fato de tornar processos muito mais rápidos e ágeis e, como o nome sugere, utilizando uma inteligência artificial, mais precisa do que a humana em alguns casos.

Por esse potencial de agilidade e apoio à inovação, seus usos são diversos e, segundo Luiza Covo, da EY, essa é uma das suas principais características. “A Inteligência Artificial é uma tecnologia muito versátil e que pode ser utilizada em uma variedade muito grande de casos”, afirma o sócio-líder da EY.

Entre os usos mais comuns atualmente, o profissional lista alguns dos principais:

● processamento de imagens para detecção de padrões;
● sistemas de chatbot para interação homem-máquina por meio do processamento de linguagem natural;
● modelos de recomendação de produtos e ofertas;
● detecção de padrões ou anomalias;
● predição de tendências;
● classificação automática e segmentação de clientes, entre outros.

“De modo geral, a inteligência artificial resolve problemas simulando capacidades humanas”, resume Luiz Covo. Ou seja, essa tecnologia utiliza sistemas e algoritmos criados para “pensar como humanos” na hora de encontrar e analisar informações, mas de uma maneira muito mais rápida e precisa. Com isso, as empresas conseguem ter dados mais aprofundados, utilizados para que a tomada de decisão (dessa vez, por parte dos humanos), seja mais certeira, pois é possível enxergar padrões e tendências de maneira mais ampla.

“A IA faz isso prevendo situações futuras com base na experiência passada, tomando decisões levando em conta um objetivo e restrições, classificando objetos a partir de elementos comuns, entre outros detalhes que podem ser colocados. A vantagem no emprego da tecnologia é que essas funções podem ser desempenhadas com um desempenho maior do que o de um ser humano, em funções específicas e com uma velocidade e consistência de performance muito grande”, explica.

Outro ponto importante é que a IA não é algo único, que se repete a todos os negócios da mesma maneira. Na verdade, a tecnologia é como um conceito e é desenvolvido de maneira única para diferentes tipos de negócios, levando em consideração quais os dados utilizados naquele mercado.

Uso da inteligência artificial para automação?

Com tamanha versatilidade, empresas passaram a buscar na IA uma tecnologia que contribuísse com os processos de automação. Apesar de ser utilizada em alguns casos e até combinada com outras tecnologias para tal atividade, especialistas opinam que o uso para essa finalidade não é exatamente o ideal.

Para Pablo Almeida, Head de Engenharia de Software da Wevo, empresa de soluções tecnológicas, algumas automações podem ser feitas de maneira muito mais simples, sem ter a necessidade de investir na implementação da IA. “As plataformas de iPaaS (Integration Platform as a Service) conseguem automatizar processos sem a necessidade de ter uma IA implementada. Um exemplo onde não precisamos de IA para isso é a extração automatizada de extrato bancário através das APIs do Open Banking”, exemplifica.

Outras situações e necessidades, porém, podem ter na IA uma aliada na automação. Um exemplo dado dessa vez por Bruno Rezende, CEO da 4intelligence, empresa especializada em IA, são aqueles processos decisórios feitos com uma análise mais simples dos dados e com necessidade de alta rapidez para isso. “Quando você precisa fazer algum tipo de análise em larga escala, com regras mais simplificadas, a IA pode ser utilizada, pois vai tornar o processo mais ágil e automatizado, algo que um humano não conseguiria analisar se em grande volume”, diz.

De acordo com os profissionais, antes de aplicar a IA, é preciso entender quais são os “problemas” a serem resolvidos e enxergar se realmente essa é a única tecnologia que pode ser utilizada para aquele caso. O mercado da tecnologia de automação também é um dos principais quando o assunto é inovação e, por isso, também existem diferentes serviços oferecidos nesse mercado.

Por exemplo, Otto Pohlmann, Presidente da Centric, também especializado em tecnologia, acredita que muitos acabam enxergando a IA de maneira não tão adequada com o que ela de fato pode executar. “Para mim, está errado chamar de IA algum procedimento ‘fluxogramável’, pois isto é uma automação, não necessariamente inteligência artificial. O que acontece é que muitos aplicam fluxogramas para tomarem decisões, como em atendimentos robóticos, e, ao final, o que vemos por aí são verdadeiros desastres no relacionamento com usuários”, opina.

Importância dos dados

Ter dados organizados e de qualidade. Essas são algumas das condições necessárias para que o uso da IA seja feito da melhor maneira possível. Entretanto, também é o maior desafio das empresas.

“Geralmente, as empresas não possuem uma infraestrutura de dados com boa governança e qualidade de dados. Como essa é a fundação sobre a qual qualquer projeto de IA é construído, torna-se, muitas vezes, caro e ineficiente o desenvolvimento de projetos desse tipo”, afirma Luiz Covo, da EY. Segundo ele, quando isso acontece, é necessário, antes, ter um projeto apenas para extração e tratamento de dados específicos, o que pode encarecer o processo.

“Além disso, outro ponto importante é observar o nível de alfabetização de dados da empresa, que pode ser entendido como a cultura e a capacidade dos colaboradores em entenderem os dados mostrados e tomarem decisões baseadas neles”, explica.

Por isso, quando se fala em IA, a importância dos dados é intrínseca a ela, pois é a partir dessas informações de qualidade que a tecnologia conseguirá fazer suas análises e descobrir padrões. Assim, investir nesse tipo de processo é algo anterior à implementação da própria IA, como explicado por Luiz Covo e outros especialistas na área.

Mais do que tecnologia, uma solução de problemas

Os profissionais da área são unânimes em um ponto: por melhor que seja, a IA não deve ser encarada como uma solução por si só. O mais importante é a empresa entender qual, exatamente, é o problema que se quer resolver e criar o projeto da implementação em cima disso.

“Muitos pensam que usar IA algo mágico, que irá solucionar todos os problemas ou desafios que uma companhia tem. Na verdade, é o contrário, pois a IA resolve alguns problemas com regras sequenciais criadas por humanos. Assim, é importante avaliar qual tipo de cenário está tentando resolver, para não matar uma formiga com canhão”, sugere Pablo Almeida, da Wevo.

Outro ponto trazido por Otto Pohlmann é o fato de muitas empresas acharem que a tecnologia será uma substituta de seus colaboradores com o tempo. Para ele, essa ideia é errada pois todos os processos, de uma maneira ou de outra, precisam do ser humano para intermediar o que está acontecendo. “Por exemplo, em um atendimento ao cliente, boa parte pode ser feita por IA, mas quando há um problema, é essencial ter um atendente humano com acesso aos dados e possibilidades indicadas por uma IA, sendo que, ao final, a decisão é tomada pelo humano e todas as suas virtudes”, afirma o presidente da Centric.


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