Como o varejo se prepara para o Dia dos Pais?

Com o menor índice de restrições desde o início da pandemia, o varejo está com altas expectativas de vendas para a data

Como o varejo se prepara para o Dia dos Pais?

Enquanto em 2020 o varejo amargava uma retração de 8,8% das vendas na semana do Dia dos Pais, segundo dados divulgados pela Cielo, a expectativa para a data em 2021 é bem mais otimista.
Um levantamento realizado pela Shopee, plataforma de comércio eletrônico, revelou que os brasileiros pretendem gastar em média R$ 245 com o presente dos pais, um valor de intenção de consumo superior ao apontado no estudo feito para o Dia dos Namorados, que foi de R$ 240, e para o Dia das Mães, de R$ 210.

O estudo também apontou os principais fatores que fazem os consumidores irem às compras online, onde 66% responderam que são motivados por cupons de frete grátis; 57,1% afirmaram que são os preços baixos, 56,6% as promoções, e 54% a variedade de produtos disponíveis.

Quando questionados sobre os produtos que estão na intenção de compra para o Dia dos Pais, os entrevistados revelaram uma lista de itens preferidos: calçados (sapatos, tênis), seguidos de acessórios (relógio, carteira, óculos, boné), joias, esportes, câmeras, eletrodomésticos, saúde e beleza, acessórios para veículo, informática, comida e bebida.

Varejo físico e online estão otimistas

O Dia dos Pais deste ano será a primeira data comercial em que o varejo estará praticamente todo aberto, com pouquíssimas restrições, desde o começo de 2020.

Para o gerente executivo de marketing da Centauro, Gustavo Milo Marasco, com o aumento da vacinação e, portanto, a redução no número de casos e óbitos por covid-19, a expectativa é que as pessoas possam voltar a frequentar o varejo físico com segurança, o que reforçará as vendas no canal.

Já para o e-commerce, a preparação da loja é diferente: “no canal digital, por exigir uma ‘preparação’ do consumidor dado a logística e a disponibilidade de produtos, vamos trabalhar com uma comunicação que suporte o cliente nesta jornada de escolha ideal de presente”, planeja o gerente executivo.

E essa atenção aos canais digitais tem razão de existir: com o fechamento de lojas, o consumidor experimentou os canais online de forma mais intensa e, em muitos casos, pela primeira vez. “Mas as lojas continuam tendo um papel super relevante na construção da relação com os consumidores, seja por meio da experiência, seja pelo serviço e ainda o atendimento omnichannel”, pontua Marasco.

Christiano Reis, gerente de marketing da New Era no Brasil acredita, ainda, que existe uma demanda reprimida daqueles que não tiveram oportunidade de consumir durante a época de restrições, e, por isso, as expectativas para o segundo semestre são ainda mais expressivas.

“A pandemia de Covid-19 afetou enormemente a New Era, tanto em 2020 quanto em 2021, não só no Brasil, mas em todo mundo. Afinal, a marca depende dos fãs dos esportes, como beisebol, futebol, basquetebol e futebol americano, todos eles com campeonatos interrompidos ou sem a presença de público, bem como de uma rede de lojas físicas que vendem nossos produtos em mais de 150 países, também 99% delas com suas operações paradas em algum momento. E é nessas horas que, ter uma marca resiliente e com canais de distribuição diversificados, faz toda diferença”, explica o gerente de marketing.

“Assim, a New Era conseguiu passar a pior fase da pandemia, mesmo com vendas muito reduzidas, e obteve, conforme foi se dando a reabertura, uma recuperação de suas vendas em ‘V’. Tivemos um primeiro semestre extremamente forte e as expectativas para o segundo semestre são maiores ainda”, projeta.

De olho no comportamento do consumidor

Por estar mais tempo em casa, o cliente passou a priorizar itens de moda que geram mais conforto, o chamado loungewear. Ainda, os consumidores passaram a se importar cada vez mais com preservação do meio ambiente, higiene e propósito.

Segundo pesquisas realizadas pela agência Porter Novelli, marcas com propósito claro e definido têm resultado financeiro até 17% maior do que aquelas que não possuem um direcionador estratégico voltado à sociedade, por exemplo.

“O fast fashion perdeu um pouco de espaço e agora busca-se peças que durem mais. Outro aspecto ligado ao consumidor na pandemia, é que o consumo online vem crescendo 2 dígitos a cada ano, e com o isolamento social decorrente da pandemia, essa tendência aumentou ainda mais. O fechamento parcial das lojas físicas fez muita gente que não consumia pela internet descobrir o e-commerce em 2020 e 2021, e quem já conhecia, passou a utilizá-lo com muito mais frequência. Esse cenário tende a se expandir nos próximos anos, e cabe às empresas se adaptarem e criarem ferramentas que possam diferenciá-las em um mercado tão competitivo”, diz Christiano Reis.

Marasco também destaca que é preciso que o varejista esteja atento à disponibilidade financeira dos consumidores, uma vez que a pandemia impactou economicamente muitos deles.

De fato, uma pesquisa do Centro de Estudos em Finanças da FGV, realizada no segundo semestre de 2020, indicou que 63,93% dos entrevistados indicaram perdas na renda em função da crise.

“Porém, ao mesmo tempo, sabemos que nossos clientes não querem deixar de demonstrar o afeto aos seus pais. Oferecer produtos viáveis e suportar o cliente na jornada de escolha será fundamental para o sucesso nesta sazonalidade”, salienta o gerente executivo da Centauro.

Fortalecimento dos canais de venda

Com o aumento do tráfego nas lojas online, houve a necessidade de intensificar a comunicação destinada a esse canal de vendas. A New Era, por exemplo, passou a utilizar ferramentas de big data para que os anúncios impactem quem realmente está interessado em consumir os produtos.

“Também criamos ferramentas para melhorar a experiência em nosso site, já que o atendimento online, real time ao cliente, será cada vez mais importante para a fidelização dos consumidores. Uma das evoluções que lançamos em nosso site foi o provador virtual, que ajuda o consumidor a escolher o produto que tenha o melhor caimento possível”, destaca Christiano Reis.

Já nas lojas físicas, a marca quer melhorar a experiência do consumidor durante o período das compras. “Sabemos que nada é mais frustrante para o consumidor, do que entrar em uma loja e não encontrar o produto que está procurando. Por esse motivo, implementamos o drop shipping, que proporciona ao consumidor acesso a todo estoque de produtos da New Era, mesmo que a peça não esteja fisicamente na loja”, exemplifica.

O impacto do consumo entre as gerações

Em termos de escolha de produtos não há muita diferença com relação ao consumo de diferentes gerações na New Era, diz o gerente de marketing. “Mas é nítido que a faixa etária que consome no e-commerce é mais baixa do que aquelas que compram nas lojas físicas, apesar dessa diferença ter diminuído drasticamente durante a pandemia”, revela.

Outro fator interessante destacado por Reis é o ticket médio. “Os mais velhos costumam gastar mais em uma única compra, quanto que os mais novos compram com mais frequência, porém, com valores menores por transação”, diz.

Já para o gerente executivo da Centauro, a marca também não sente uma grande discrepância entre gerações na escolha dos produtos, mas percebe que os mais velhos experimentaram o e-commerce na pandemia e tiveram boas experiências, logo agora detêm confiança no canal.


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