67,5% dos consumidores não se sentem seguros para usar o pagamento por aproximação

Dados do Procon/PR mostram que ainda há muito desconhecimento sobre os riscos de fraudes por meio da modalidade

Foto: Pexels

Embora a tecnologia seja uma forte aliada da humanidade, às vezes sua inclusão na sociedade pode apresentar algumas fricções. Ainda que tenhamos os “nascidos digitais”, uma geração que já nasceu conectada e tem muita facilidade em lidar com recursos digitais, outra parcela da população ainda se adequa à tecnologia e sente o impacto de não ser digitalmente incluído. Foi o que ocorreu com a chegada dos cartões com pagamento por aproximação (NFC).

A modalidade que mais cresce no Brasil é também uma das mais complexas: ainda que promova praticidade, inúmeras pessoas se queixam pela segurança. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs) mostram que o NFC bateu recordes em 2021: ao todo, foram 112 milhões de transações em junho, alcance sete vezes maior se comparado ao mesmo período no ano passado. O problema nisso tudo é que muitos usuários recebem um cartão de crédito sem o conhecimento da funcionalidade. E, às vezes, são surpreendidos com algo que não gostariam de habilitar.

No mais, há usuários que não se sentem seguros com o uso da ferramenta, como mostra a pesquisa realizada pelo Procon/PR.

Um consumidor que sequer sabe que tem em mãos um cartão com pagamento por aproximação

Dado que inúmeros consumidores estranharam a modalidade, que não foi habilitada ou requisitada, o Procon/PR realizou um levantamento com base em mil internautas. O resultado foi uma falta de conhecimento entre a população: mais da metade (77,4%) declararam que não receberam qualquer informação sobre a modalidade por meio de seus bancos, ao passo que 76,7% não sabiam o valor máximo para pagamento sem a senha.

Recentemente, alguns sinais de fraude rondaram em vídeos na internet. Ao terem acesso ao cartão, ladrões usavam a ferramenta sem o uso da senha — algo que o proprietário do cartão nem sabia ter habilitado. Esse foi o embasamento para que o Procon/PR fizesse o estudo.

“É uma facilidade que pode esconder alguns perigos. Nem todo mundo sabe quais são os valores máximos para cada operação. Você pode pagar até R$ 200 por operação e se o cartão for furtado, e o consumidor não perceber imediatamente, pode sofrer um grande prejuízo”, alerta Claudia Silvano, chefe do Procon-PR, em entrevista à Agência de Notícias do Paraná, do Governo do estado.

A pesquisa mostra que além da falta de comunicação entre os bancos e os consumidores, as pessoas também declararam que não conhecem os possíveis riscos da modalidade. 76,8% dos entrevistados afirmaram desconhecer os cuidados necessários para segurança, uma vez que o NFC está habilitado, e 67,5% disseram que, apesar de terem a ferramenta habilitada, não se sentem seguros para pagar contas com essa função.

“As empresas de cartões deveriam garantir que os consumidores fossem prévia e adequadamente informados sobre os valores máximos para cada transação, informação que 76,8% dos entrevistados relataram desconhecer”, completa Silvano.

A dica para evitar as fraudes é estar atento função e, se possível, desabilitá-la. Esse processo pode ser feito manualmente pelo usuário em bancos digitais a partir do aplicativo ou por meio de solicitação em bancos tradicionais — dependendo da instituição financeira, é possível desabilitar a função por meio do aplicativo também.


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