Aprender para trabalhar. Trabalhar para aprender

Cada vez mais, pessoas buscam empresas onde seja possível aprender e construir uma carreira, e não um lugar em que o aprendizado fique estagnado

As escolas viraram empresas e as empresas viraram escolas.  A empresa não é mais o único lugar que você trabalha e a escola não é mais o único lugar que você aprende. Grandes transformações à vista no curto prazo. Seremos eternamente reféns de escolas. Mas não necessariamente a escola tradicional que nos desenvolvemos ao longo das nossas vidas. Em breve, será comum ouvirmos pessoas afirmarem que preferem estudar na universidade da Amazon, do Google, do Nubank, Mercado Livre e etc.  Em vez de optarem por escolas clássicas.

Nas escolas tradicionais, aprendemos o que é certo. Nas escolas corporativas, aprendemos o que dá certo. Em 2020, a Amazon investiu 1 bilhão de dólares no reskilling de seus funcionários. As tecnologias aportadas na empresas foram tão intensas que os seus colaboradores estavam descasando competências e não estavam sabendo mais operar com Inteligência Artificial, Big Data, Analytics, jornadas multichannel, entre outras ferramentas.

Sim, todas as empresas de médio e grande porte serão escolas. Este tipo de evento será cada vez mais comum em todos os tipos de empresas. Os talentos estão procurando cada vez mais “empresas universitárias”, na qual eles possam aprender, se desenvolver, externar suas opiniões, co-criar, colaborar e conviver com a pluralidade no estado da arte e sentir segurança psicológica e crescerem na carreira não somente verticalmente, mas sobretudo horizontalmente aprendendo nos novos modelos de gestão ágil.

Um das maiores instituições financeiras do Brasil por mais de 30 anos foi uma das principais contratantes de engenheiros da Escola de engenharia da USP nos últimos três anos, a maior contratante e uma das maiores fintechs brasileiras. O que se deve a esta abruta mudança de intenção dos talentos? Uma simples argumentação: “Onde eu não posso ser eu prefiro não estar”.

A maioria das instituições financeiras até 2017 não contratavam profissionais com barba, com piercing e uma mulher com tatuagem estampadas no corpo. Nestas empresas da chamada “nova economia”, todas estas questões são muito bem-vindas. O que as torna empresas com estampa de “marca empregadora”.

Quantas mudanças transformadoras em menos de 20 anos! Antes tínhamos que aprender para trabalhar.  Agora queremos trabalhar para aprender. Ouço com muita frequência dos meus alunos das mais diversas idades…jovens, veteranos… que estariam dispostos a trabalhar de graça para estas empresas que estão fazendo história no mundo dos negócios. Tudo em troca de uma aprendizagem prática que colocassem novamente nas suas trilhas de carreiras.

*Romeo Busarello é  professor, advisor e investidor. 


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