Depois de 18 meses de isolamento, o brasileiro volta a investir em lazer e diversão

Relatório do Itaú Unibanco revela os principais investimentos dos consumidores no segundo trimestre de 2021

Foto: Pexels

Após 18 meses de isolamento social em decorrência da pandemia, já possível afirmar que o consumidor está mudado: mais digital, mais exigente e também mais dinâmico. Afinal, para manter uma comunicação efetiva entre empresas e clientes, foi necessário apostar na tecnologia, na digitalização, nos novos hábitos de consumo. Mas a questão que não quer calar é: agora, mais próximos da reabertura total do comércio, quais são as tendências de consumo que estão ditando o mercado no Brasil? Aparentemente, o lazer é uma delas.

Na última terça-feira (24), o Itaú Unibanco realizou mais um evento para divulgação do 3º relatório de Análise do Comportamento de Consumo, que revela alguns dos hábitos novos do consumidor no último trimestre. Nessa edição, os gastos que mais chamaram a atenção foram as atividades relacionadas ao lazer, que representaram um aumento expressivo de compras. E o turismo, tão assolado pela pandemia, é um dos que mais cresceu.

“Foi uma surpresa positiva. Tanto linhas aéreas quanto hotéis, motéis e pousadas seguem a mesma linha de proporção da recuperação, dando sinais de volta”, destacou Moisés Nascimento, diretor de estratégia e engenharia de dados do Itaú Unibanco, durante a apresentação do relatório.

A retomada do turismo em números

O turismo, que teve queda de 90% no faturamento durante os piores períodos da pandemia, começa a dar sinais da retomada. Segundo o relatório, o crescimento no segundo trimestre de 2021 para o setor foi de 257,3% em comparação com o mesmo período em 2020. Essa retomada, além de refletir um avanço no calendário de vacinação, também está bastante relacionada à convivência com o vírus. “A flexibilização das medidas de isolamento, a vacinação e o uso de máscaras têm tido um efeito importante na mobilidade e no turismo no Brasil”, ressalta Nascimento.

Dentro da categoria, as companhias aéreas e o setor hoteleiro obtiveram o maior destaque, pois conquistaram um faturamento três vezes maior do que o obtido em 2020, com crescimento de 237,1% e 255,8%, respectivamente. Os números ainda não são ideais se comparados ao período de pré-pandemia, mas se mostram otimistas diante da retomada da economia.

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Foto: Divulgação Itaú Unibanco

Boa parte desse retorno da estada em hotéis e pousadas, assim como a compra de passagens aéreas, vale destacar, também estão muito relacionadas à adaptação desses ambientes à pandemia. Com quase 10% dos brasileiros em home office — de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) —, os hotéis tiveram uma rápida readequação de seus ambientes tanto para comportar os hóspedes com mais segurança quanto para abrir espaço para o conceito de anywhere office (trabalhar de qualquer lugar).

Mais amor, por favor

Se a pandemia foi motivo para muitos casais se divorciarem pela convivência diária — até mesmo para trabalhar —, o estudo do Itaú revela que o amor veio em contramão às separações. Depois de 18 meses confinados em casa, os brasileiros investiram em festas de casamento, especialmente aqueles que vieram tirar o atraso da comemoração em decorrência do isolamento.

A celebração, diz o estudo, foi um dos destaques de consumo do segundo trimestre desse ano. E elas têm ocorrido mesmo com as restrições sanitárias, respeitando protocolos de segurança. Ao todo, as agências matrimoniais e buffets tiveram crescimento quase 100% no faturamento se comparado ao mesmo período em 2020.

Com um aumento no retorno de casamentos, os itens relacionados a ele também apresentaram crescimento. É o caso dos aluguéis de roupa e joalheria, que cresceram 214,9% e 129,9% se comparados o segundo trimestre de 2020 e 2021.

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Foto: Divulgação Itaú Unibanco

Ainda assim, vale destacar que os números, mesmo que promissores, também seguem abaixo do faturamento registrado antes da pandemia — uma queda de 51% se comparados os valores de 2021 e 2019.

Lazer, bem-estar e atividades correlacionadas

Outro destaque vem no lazer. O relatório mostra que todo o consumo relacionado às atividades de bem-estar, por exemplo, teve aumento de 90,7% em comparação com o segundo trimestre do ano passado. Entre essas atividades, constam spas, centros estéticos, massagistas, manicures e produtos de cuidado com o corpo e a pele.

Além do autocuidado, cresceu também o lazer fora de casa. Os bares que antes tinham seus espaços fechados, mesas e cadeiras recolhidas, puderam comemorar a retomada de sua clientela. O crescimento no faturamento foi de 153,5%, um resultado ainda abaixo do esperado para o momento pré-pandemia, mas bem otimista à situação atual.

Muitos desses estabelecimentos, vale lembrar, foram mantidos por causa do delivery. “A compra de alimentação por apps de delivery, sobretudo para compras de mercado, provavelmente será um comportamento que vai ficar aí no cenário pós-pandêmico”, explica Nascimento.

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Foto: Divulgação Itaú Unibanco

E dentro do lazer, houve um aumento bem considerável da experiência da diversão. O relatório mostra que clubes, cinemas, boliches, sinucas, parques e escolas de dança tiveram seu faturamento acrescido em 176,6% no período estudado. E para que tudo isso pudesse ocorrer, o setor de locomoção de transporte também acompanhou o crescimento, com um faturamento 98,4% maior.

Assim, nota-se que o consumidor tem dado sinais de retomada após tanto tempo em casa. Com o avanço no calendário de vacinação, portanto, os resultados do próximo trimestre devem ser ainda mais promissores.


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