No pós-pandemia, qual será o modelo de trabalho escolhido pelas empresas?

Executivos do Grupo Carrefour Brasil e da Plusoft contam sobre como estão se preparando para essa nova etapa

No pós-pandemia, qual será o modelo de trabalho escolhido pelas empresas?

A pandemia de covid-19 trouxe consigo a frequente necessidade de se adaptar. Com as empresas não foi diferente, já que o isolamento social, desde março de 2020, é a melhor medida para conter o vírus. Por isso, parte dos gestores, na medida do possível, transferiu seus colaboradores para o home office.

Contudo, mais de um ano depois, com a vacinação avançando e os números de casos e óbitos em decorrência da doença decrescendo, qual será o modelo de trabalho adotado pelas companhias quando o mundo voltar ao normal?Há um modelo de trabalho ideal?

O pós-pandemia provoca diversas reflexões sobre o que será permanente e o que foi uma alternativa isolada para um momento de exceção. Entre elas, está o retorno parcial ou total do trabalho presencial ou até mesmo a sua extinção em certos segmentos. A resposta para a pergunta acima, segundo especialistas, é simples: depende. Depende do segmento de atuação da organização, do produto e serviço oferecidos, do modelo de negócio estabelecido e por aí vai.

Entretanto, é viável observar como e com o que os grandes players do mercado estão se munindo para essa nova etapa que está por vir. Um dos caminhos que pode servir como pontapé é a análise das experiências obtidas com o modelo de trabalho adotado desde o início das medidas sanitárias restritivas.

Segundo Valéria Borges, chief human experience officer da Plusoft, a integridade física e psicológica do pessoal foi prioridade desde o início da pandemia. “Viabilizamos o trabalho em home office para 100% dos colaboradores. Como empresa especialista em transformação digital, rapidamente construímos uma arquitetura tecnológica assertiva e sustentável”, explica.

No caso da companhia, o maior desafio foi digitalizar as relações, já que as equipes estavam acostumadas a trabalhar em squads, com grande interação entre as áreas e trocas de experiências. Por isso, eles precisaram prontamente adequar sua comunicação por meio de ferramentas online e da criação de rotinas e ritos remotos. “Com muita criatividade e flexibilidade, o time conseguiu manter a fluidez na transmissão da informação e a qualidade nas entregas que sempre o distinguiu”, conta a profissional.

Com base nisso, a Plusoft optou por adotar o modelo de trabalho híbrido no decorrer da retomada das atividades presenciais para aqueles colaboradores que já estiverem completamente imunizados com as duas doses da vacina – ou com a dose única da Janssen.

“Serão dois dias na empresa e três dias remotos. Todos os protocolos de enfrentamento à covid-19 serão mantidos: espaçamento entre os postos de trabalho, uso de máscaras, dispensers com álcool em gel em lugares estratégicos e, sempre que possível, a equipe evitará reuniões com muitos participantes, almoços e viagens”, afirma Valéria Borges.

“Isso porque a Plusoft entende que o home office traz grandes ganhos como o maior convívio com a família, menor perda de tempo no trânsito e diminuição do desgaste físico e emocional no trajeto e melhor equilíbrio entre as vidas pessoal e profissional”, salienta a chief human experience officer.

Já observando o segmento de varejo, o Grupo Carrefour Brasil notou que a pandemia trouxe duas lições importantes: a importância de uma operação qualificada para sustentar momentos de crise e do engajamento dos colaboradores enquanto ferramenta fundamental para que os negócios continuem fluindo, mesmo com cada um trabalhando em suas casas.

Pensando nisso, João Senise, vice-presidente de recursos humanos da companhia, conta que o desafio foi adotar novas formas de trabalho, comunicação e treinamento rapidamente, o que forçou a quebra de paradigmas.

● Pontos positivos: as plataformas digitais permitiram a multiplicação de participantes em webinars e fóruns de discussão. Outro aspecto foi a possibilidade de os colaboradores passarem mais tempo com suas famílias, trabalhando em casa. Além disso, a famosa questão “equilíbrio de vida pessoal-trabalho” foi totalmente revisitada e deixou de estar associada à presença física nos escritórios. Priorização dos canais de escuta abertos e liderança próxima de seus times.

● Pontos negativos: limitações de internet, falta de um ambiente de trabalho viável, filhos estudando e demandando atenção em casa com as escolas fechadas. Forte aumento das cargas de trabalho devido à velocidade das mudanças e à urgência da situação. Por exemplo, discussões rápidas e informais que aconteciam no mundo presencial durante um café ou conversando com o colega ao lado, agora precisavam ser agendadas.

Pelo fato de supermercados serem considerados prestadores de serviços essenciais, desde o início da pandemia suas atividades presenciais não foram interrompidas. Contudo, isso não quer dizer que as companhias não se precaveram.

No caso do Carrefour e do Atacadão, diversas medidas foram tomadas, tanto que a rede conquistou o selo internacional My Care.

“Nossos colaboradores de operação em lojas e centros de distribuição trabalham presencialmente com rigorosos protocolos de saúde aplicados para garantir a segurança de todos. Além disso, afastamos funcionários dos grupos de risco, contratamos mais pessoas para suprir essa falta e organizamos um plano intenso de comunicação interna para informar sobre todos os cuidados de prevenção”, frisa João Senise.

As mudanças maiores em termos de modelo de trabalho do grupo se concentram nos cargos administrativos, pois no último um ano e meio tem-se visto que os colaboradores continuam sendo eficientes em casa. Além disso, como o convívio e a interação sociais apresentam ganhos, no pós-pandemia, a ideia é operar de forma híbrida. Alguns testes, inclusive, já estão sendo realizados com profissionais residentes em outros países.

“Parte da jornada de trabalho também será presencial, com flexibilidade de horário e respeitando a capacidade máxima de ocupação do nosso espaço físico – que será periodicamente revisada, considerando o distanciamento social necessário, inclusive no pós-pandemia. A combinação de um alto percentual de trabalho remoto com as adequações feitas em nossos escritórios garante as condições de segurança necessárias para todos que estiverem trabalhando presencialmente. Além disso, o Grupo Carrefour Brasil está testando novos modelos de contratos, incluindo o trabalho 100% remoto”, diz o vice-presidente de recursos humanos.

Entre extremos: virtualização do trabalho e jornada laboral presencial

Para os executivos, a escolha por adotar o home office ou as atividades presenciais em toda a organização é pessoal e varia de acordo com o modelo de trabalho da empresa antes e durante a pandemia.

Segundo Valéria Borges, Chief Human Experience Officer da Plusoft, os encontros pessoais entre os colaboradores são muito saudáveis, pois reforçam os laços de confiança e diminuem os ruídos de comunicação que a distância possa ocasionar. No entanto, a companhia busca continuamente proporcionar a melhor experiência aos seus funcionários. Desta forma, a divisão de tempo entre empresa e home office é o melhor modelo a ser implementado.

Para se ter uma ideia, de acordo com João Senise, o clima laboral do Grupo Carrefour Brasil é permeado pela conectividade e digitalização, já que o trabalho de cada um não deve ser visto de maneira isolada. “Um dos caminhos que seguimos para isso foi ampliar o uso de soluções de colaboração, como a criação de conteúdos compartilhados. Os times que já faziam isso tiveram uma percepção maior de produtividade durante esse novo cenário”, pontua.

Seja qual for o modelo escolhido, a prioridade das empresas deve continuar sendo a saúde, segurança e bem-estar de seus colaboradores e clientes. Isso porque em países em que a pandemia praticamente acabou, há empresas que tentaram impor o retorno de todos os funcionários e perceberam que muitos se recusaram, optando até mesmo pela demissão, segundo o executivo.

“São novos tempos e a pandemia de covid-19 foi algo inesperado que sacudiu o mundo. É preciso entender que as pessoas passaram por experiências novas, fortes e transformadoras e muitos hábitos não serão mais os mesmos de antes, incluindo as formas de trabalho”, finaliza o vice-presidente de recursos humanos. Parafraseando Nietzsche, Valéria Borges entende que a pandemia forçou a reinvenção dos negócios. “É preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela dançante”. Nesse caso, o caos aconteceu e várias estrelas surgiram e surgirão a partir dele.


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