Transformação digital: como os executivos devem se preparar para o novo mercado de trabalho

Executivos precisam ter “um quê de visionários” para garantir a sobrevivência de suas organizações no futuro

Transformação digital: como os executivos devem se preparar para o novo mercado de trabalho

Segundo a Saint Paul Escola de Negócios, até 2030, a inteligência artificial (IA) vai criar 13 trilhões de dólares para a economia mundial. O número impressiona e quando se considera que a data está a apenas 9 anos de distância pensar em acelerar o processo de transformação digital em sua empresa faz todo sentido.

Neste quesito, o Brasil não está tão bem quando comparado com os países da Europa, Ásia e América do Norte. Antes da pandemia, a McKinsey realizou um levantamento com 124 empresas de grande e médio porte de diversos setores para avaliar a maturidade digital das organizações do país.

O estudo mostrou que as empresas líderes em maturidade digital no Brasil alcançam uma taxa de crescimento do Ebitda até 3 vezes maior que as demais organizações. É um bom resultado, porém, globalmente, as líderes digitais crescem 5 vezes mais que as outras empresas.

Ou seja, é preciso avançar e isso vai além da evolução do trabalho da área de TI. Os gestores têm um papel fundamental nesse processo. “Os executivos precisam ter um quê de visionários”, diz Claudio Cohen, diretor do Programa Avançado de Transformação Digital para Executivos da Saint Paul Escola de Negócios.

“O papel dos executivos é criar um ambiente de inovação, que começa pela autotransformação e segue pelo envolvimento dos colaboradores em torno de um propósito comum, voltado aos clientes. A transformação digital é, acima de tudo, uma mudança cultural, cujo impacto pelas e das pessoas é tão relevante, se não maior do que o das tecnologias”, explica.

O papel dos executivos na transformação digital

Para Claudio Cohen, em um mundo em enorme e rápida transformação, de complexidade crescente, com novos concorrentes surgindo a todo momento e também novas oportunidades, o líder tem que ser um agente de transformação.

Isso significa que ele precisa entender o que está se passando, se mantendo atualizado, estudando e interagindo com colaboradores, parceiros, até competidores e, principalmente, com clientes, entendendo profundamente suas dores e desejos, o que realmente buscam.

Além disso, o executivo precisa considerar o grande potencial transformador da tecnologia, em especial a ciência de dados e a inteligência artificial, que impactam na estrutura de poder das organizações.

“Hoje, os dados assumem um poder maior. Informações extraídas deles impactam as decisões e o papel do executivo muda, de tomador de decisão, baseado em sua experiência, para o de criador do ambiente necessário, o gerador das perguntas certas, o engajador, com menos viés cognitivo e mais tomada de decisão baseada em dados”, explica o diretor da Saint Paul Escola de Negócios.

Como se preparar para o futuro mercado de trabalho

Não existe um segmento que não sofrerá impacto da evolução tecnológica e tudo o que ela traz. E não estamos falando de futuro, mas do que já está acontecendo em alguns setores como o de saúde, finanças e o varejo, entre outros. Assim, nenhum executivo pode se dar ao luxo de olhar em outra direção e acreditar que a tecnologia não vai mudar o seu negócio.

Na opinião de Claudio Cohen, para se preparar para o mercado de trabalho do futuro os executivos precisam encarar a transformação digital como um tripé que não se sustenta se uma de suas pernas não estiver apta. Segundo o diretor, o tripé é composto por:

• Tecnologias transformadoras, que eram impensáveis há poucos anos;
• Estratégias e modelos de negócios, hoje viabilizados pelas tecnologias;
• Liderança e cultura que promovam um ambiente de inovação.

Os executivos, de acordo com Claudio Cohen, devem conhecer o potencial das tecnologias que são as viabilizadoras das grandes transformações pelas quais as organizações devem passar sabendo que esse processo é uma jornada, não uma travessia.

“É preciso estar sempre se atualizando e conhecer as tecnologias em um grau de profundidade que permita entender seu potencial, dialogar com tecnólogos e conectar com o negócio, enxergando as possibilidades de formas de fazer negócios e de atingir mercados totalmente novos, antes que a concorrência o faça e tome o seu lugar”, afirma. “Também é importante repensar sua organização, promovendo a participação dos colaboradores, com mais autonomia e baseada em dados”, completa.

Transformação requer saída da zona de conforto

Na prática, a tecnologia deve ser “vivida” no dia a dia e fazer parte tanto do modelo de negócios, das táticas e técnicas de inovação quanto dos contatos com os mercados, clientes, parceiros e colaboradores. Frequentar ambiente de inovação é fundamental.

“Como cabe na expressão ‘get out of the building’, a preparação para a transformação implica estar muito conectado, sair da empresa, ver exemplos e interagir, ou seja, sair da zona de conforto. E mais do que aprender, o executivo deve começar a atuar, escolher um projeto, ainda que focado e de pequeno escopo, mas relevante, para começar a implementar o que aprendeu e formar uma semente para uma transformação maior”, ensina Claudio Cohen.

A liderança do executivo é vital para o processo de transformação da empresa porque as inovações por si só não trazem a solução. A tecnologia não é um suporte ao negócio, mas, sim, a central e definidora de estratégia e por traz da estratégia devem existir cabeças pensantes. “É necessário conhecer o tripé e entender que as transformações têm impacto exponencial e quem ficar para trás não alcançará mais os concorrentes. O dilema da inovação, descrito há mais de 20 anos, está mais atual do que nunca”, conclui o diretor da Saint Paul Escola de Negócios.


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