A revolução do conforto na coleção de Lela Brandão

Em entrevista, Lela Brandão fala sobre sua jornada pessoal em busca de autoaceitação e sobre como a arte e o feminismo a inspiraram a criar uma coleção com conforto e personalidade

A revolução do conforto na coleção de Lela Brandão

Toda mulher, em algum momento da vida, já vestiu roupas desconfortáveis. Desde as famigeradas e justíssimas calças jeans de cintura baixa – e sem bolso! – que fizeram sucesso nos anos 2000 até os saltos agulha, que moem os pés em questões de segundos, passando, é claro, pelos sutiãs, que apertam sem abraçar.

Toda mulher, em algum momento da vida, já desejou ter a liberdade de escolher roupas mais confortáveis, que não incomodem, apertem ou causem dor e desconforto ao vestir. E foi pensando em atender às demandas dessas mulheres e libertar seus corpos de uma moda opressora que a artista e criadora de conteúdo Lela Brandão decidiu se arriscar no universo do empreendedorismo e lançou, em setembro de 2020, a primeira coleção da Lela Brandão Co., marca de roupas que tem como slogan a frase: uma mulher confortável é uma revolução em si.

O resultado apareceu em menos de 24 horas, quando as 1.800 se esgotaram na loja virtual. Depois delas, vieram outras 11 coleções, uma por mês, que também desapareceram do e-commerce em questão de horas.
“Lá no começo, já sentíamos que ela seria importante”, diz Lela Brandão sobre a sua marca

Em entrevista para o Consumidor Moderno, a artista e criadora de conteúdo fala revela como o feminismo, a busca por liberdade e conforto e suas histórias pessoais contribuíram para a criação das peças com sua assinatura. Confira:

Como surgiu a ideia de criar a Lela Brandão Co.?
Eu crio conteúdo há 5 anos e, nas redes sociais, abordo os principais temas que regem minha vida: autoconhecimento, arte e autonomia feminina. A ideia da marca surgiu por eu sentir um grande interesse das minhas seguidoras sobre a forma como eu me visto!

Como era muito difícil encontrar peças que unissem qualidade, beleza e conforto, eu e meu sócio decidimos abrir nossa própria marca, em que todas as peças atendessem a esses três pontos. Foi quando, há pouco mais de um ano, criamos a Lela Brandão Co.

Você também já passou por dificuldades na hora de se vestir, certo? De que forma sua história, somada ao feminismo, influenciaram na criação de sua marca?
Eu tive alguns distúrbios alimentares na adolescência e, por conta disso, adotei um armário com peças exclusivamente confortáveis e que se adaptam ao meu corpo, para evitar aquela sensação de que eu deveria emagrecer para caber nas minhas roupas.

Assim, surgiu a ideia de criar uma marca que respeitasse o corpo das mulheres. Entendemos que as roupas devem se adaptar aos corpos, e não o contrário.

Historicamente, nós, mulheres, fomos submetidas a roupas limitantes e desconfortáveis para parecermos “arrumadas”. A marca Lela Brandão Co. surge pra oferecer uma alternativa: não é necessário sentir dor, aperto, desconforto, incômodo ao se vestir. Nossa ideia é apresentar a versão confortável das roupas, pensada para corpos de mulheres reais, que se movimentam, que se expandem e que são livres.

Além disso, o feminismo está presente também nos valores da marca. Nós prezamos por diversidade, remuneração justa e damos prioridade na contratação de mulheres. Pontos que só temos clareza hoje por ter eu, uma mulher feminista, à frente das decisões.

E qual é a influência da arte nas coleções da marca?
A arte permeia todo o universo da marca: desde os brindes com ilustrações que vão junto com as compras, os posts nas redes sociais, as inspirações por trás das peças, as paletas de cores, as estampas das camisetas…. tudo isso vem da arte.

Se vestir é se expressar, inevitavelmente. E esse também é o papel da arte. Eu diria que arte, feminismo e Lela Brandão Co. são indissolúveis.

A moda, durante muito tempo, foi vista como algo superficial. Hoje, está ganhando novos contornos, inclusive, relacionados ao empoderamento feminino. Qual é a importância disso?
Acredito que a moda é algo muito grande, e existem vários caminhos e pontos de contato. Existe, sim, uma grande parte na moda que é excludente, superficial, inconsequente e opressora, sobretudo com as mulheres.

O que estamos fazendo é criar algo novo dentro desse universo, e é por isso que nosso lema é “uma mulher confortável em si é uma revolução”.

Não gosto muito da palavra empoderamento por passar a ideia de que o poder de uma pessoa vem de fora, que alguém ou algo é capaz de dar esse poder. Não é nisso que acreditamos. Acreditamos que o poder, a revolução vem de dentro, o que fazemos é apresentar caminhos possíveis.

Como tem sido a aceitação do público em relação às coleções da Lela Brandão Co.?
Nós temos tanta seriedade e comprometimento com a marca hoje quanto tínhamos quando decidimos lançar a marca. Lá no começo, já sentíamos que ela seria importante.

Lançamos a primeira coleção com aproximadamente 1.800 peças, e elas esgotaram em menos de 24 horas. Nosso maior problema, desde então, é suprir a demanda.

Desde a inauguração da marca, em setembro de 2020, lançamos 12 coleções, uma por mês, sempre aumentando o estoque. Nossa última coleção contou com mais de 4mil peças e foi a primeira que demorou mais de 24 horas para esgotar.

Qual é a importância das redes sociais para a marca?
Nós somos uma marca nativa digital, ou seja, nascemos na internet, como um e-commerce. Por eu já ter bastante domínio nas redes sociais e ser também ser uma grande consumidora de marcas online, foi natural a decisão de nos estabelecermos através das redes sociais.

Hoje, é nas redes sociais que nos comunicamos com nosso público, elas possibilitam uma relação de troca em oposição às relações unilaterais que as marcas offline tem com o seu público.

Nós formamos uma comunidade. Nossas clientes conhecem toda a nossa equipe, nosso escritório, nosso dia a dia, e isso gera muito mais valor à nossa marca: elas conseguem entender quem está por trás das criações e até mesmo se sentir parte disso.

Pode citar um caso em que as redes sociais foram importantes para a criação de uma coleção?
Estamos trabalhando há muitos meses na nossa coleção de biquínis, que será lançada em outubro. A primeira coisa que fizemos foi subir uma pesquisa para o nosso público, perguntando tudo sobre a relação delas com os biquínis, como é o biquíni ideal, o que incomoda em um biquíni, o que elas querem sentir ao vestir um biquíni.

A partir disso criamos a modelagem e, para validar, chamamos uma de nossas clientes mais fiéis para ser o que chamamos de modelo de prova do tamanho EGG, ou seja, ela veio aqui no escritório provar as peças em primeira mão para podermos fazer os ajustes na modelagem e o para que resultado seja perfeito. Essa troca com a nossa comunidade é um dos pontos chave na marca e é algo que valorizamos muito.

Do ponto de vista estratégico, vocês percebem que existe uma rede social mais adequada?
Hoje, nosso maior público está no Instagram, mas não acreditamos que apostar em apenas uma rede é uma solução inteligente. Trabalhamos praticamente todas as redes sociais, sendo elas Instagram, Telegram, e-mail, blog, além das minhas redes pessoais em que divulgo a marca, que além das citadas, são o Twitter, TikTok e YouTube.

Quais são os principais desafios que você, enquanto empreendedora que defende uma causa, tem que enfrentar?
Não diria que é um desafio, mas uma prioridade para nós é manter todos os pontos da marca coerentes com o que acreditamos – desde a remuneração justa das pessoas que trabalham com a gente até a o tom de voz que usamos para nos dirigirmos aos clientes no atendimento, por exemplo.

O que podemos esperar da Lela Brandão Co. no futuro?
Nossos planos mais importantes para o futuro são lançar nossa primeira coleção de biquínis em outubro, que é um projeto que nos dedicamos muito para realizar, e expandir nossas vendas para o internacional em 2022. Sobre lojas físicas, são uma possibilidade, mas por enquanto não são uma prioridade.


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