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Qual é o real valor de uma inovação em ganhar escala na jornada do cliente?

O movimento das startups é relativamente recente no Brasil, um dos países considerados berço para esse formato de empreendedorismo. E o modelo parece estar dando certo por aqui: de acordo com o relatório Inside Venture Capital Report 1/2021, as startups brasileiras já movimentaram bilhões de reais em 2021 (sim, apenas no primeiro semestre).

Esse número é capaz de mostrar algumas informações: a inovação proposta pelas startups ganhou o mercado ao conquistar a jornada do cliente, o que algumas empresas de grande porte ainda têm como desafio.

O mercado de Startups

O termo startup surgiu entre o fim da década de 1990 e começo do século XXI. Naquele momento, a palavra referia-se principalmente a empresas do ramo de tecnologia que estavam começando seus negócios. Com isso, houve um aumento das ações desse tipo de empresa, criando uma bolha especulativa no mercado financeiro.

Essas empresas passaram a ser chamadas de startups, pois colocavam uma ideia em funcionamento de maneira rápida e com potencial de fazer dinheiro, o que se aproxima do significado do termo.

Aqui no Brasil, já são mais de 13 mil startups ativas, sendo que muitas já chegaram ao patamar de unicórnio, quando passam a valer mais de 1 bilhão de dólares. Nubank, 99, Gympass e Quinto Andar são alguns desses unicórnios.

Segundo o estudo Corrida dos Unicórnios, do Distrito, essa lista ainda tem muito a crescer. Apenas em 2021, é esperado que 17 outras startups “consigam seu chifre” ainda em 2021, sendo Neon, ContaAzul e Dr. Consulta alguns dos principais nomes do mercado no Brasil atualmente.

O investimento em Startups

Considerando a quantidade de investimento colocado no mercado de startups brasileiro, tais resultados não tinham como ser diferentes. Segundo o Inside Venture Capital Report 2021, também do Distrito, tais resultados não tinham como serem diferentes.

De acordo com os dados do hub de inovação, apenas no primeiro semestre de 2021 as startups brasileiras movimentaram cerca de 5,6 milhões de dólares em investimento. Em comparação com o mesmo período no ano passado, esse número representa um aumento de 35% nos investimentos.

Apenas no mês de junho de 2021, os dados mostraram que houve investimento de 484,4 milhões de dólares no mercado nacional, número 20% abaixo de 2020 para o mesmo mês, mas ainda indicando crescimento na quantidade geral do ano, principalmente nos aportes, que já chegaram a 412 até agora, podendo superar 2020.

Nos primeiros meses do ano, alguns setores se destacaram ao receber investimentos: as fintechs (do mercado financeiro) foram as que mais receberam investimento, entrando na casa dos US$ 2,6 bilhões. Depois vieram, real estate (imobiliário) com US$ 851,3 milhões e a retailtechs (soluções para o varejo) com US$ 607,9 milhões. Outro mercado que chamou atenção foi o healthtech (saúde e bem-estar), com US$ 33,1 milhões apenas em julho deste ano.

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No setor de fusões e aquisições, outro importante para o mercado de startups, o primeiro semestre fechou com 134 operações, o que já mostra um potencial de atingir uma marca maior do que em 2020, quando foram feitas 163 operações durante todo o ano. Nesse caso, as fintechs também são destaque.

Jornada do cliente e inovação

Um dos grandes diferenciais das startups é a maneira de trabalhar a jornada do cliente. De maneira geral, um consumidor ou cliente passa por três principais etapas antes de finalizar uma compra ou contrato: a consciência, a consideração e a decisão. O primeiro passo, é quando ele percebe que tem um problema e isso pode acontecer tanto diretamente quanto indiretamente.

Por exemplo, quando o Quinto Andar passou a oferecer um jeito mais prático de alugar um apartamento, mostrou aos seus possíveis clientes que existia uma maneira mais fácil de fazer um processo que já havia sido “aceito” pelas pessoas como algo complicado. Assim, mostrou para eles um problema (a alta burocracia no processo de aluguel de espaços) e deu uma solução.

Mudar a maneira como o cliente enxerga a jornada do cliente, a partir da inovação, é um dos diferenciais do modelo de startups. Em 2021, outras quatro empresas brasileiras se tornaram unicórnios ao trazerem mudanças inovadoras para essa jornada do cliente: MadeiraMadeira, C6Bank, MercadoBitcoin e a Hotmart.

Segundo o Distrito, um dos propósitos do hub é exatamente incentivar e apoiar o crescimento dessas empresas que visam a inovação para tornar a vida do cliente mais fácil de alguma forma. “A tecnologia cria inclusão, acesso, economia, conexão, proximidade, transparência, escalabilidade. Está na tecnologia o poder de resolver muitos dos problemas do mundo. Está no empreendedor a responsabilidade de utilizá-la para melhorar a vida das pessoas”, diz a página institucional do hub.

O futuro do mercado

Analisando os dados apresentados no relatório do Distrito, é possível notar o crescimento das startups no Brasil. Mesmo com tantos unicórnios, isso não quer dizer que todas as criadas conseguem o mesmo feito.

De acordo com publicação de 2018 da Agência Brasil e pesquisa Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, cerca de 30% das startups consultadas durante o estudo acabaram fechando seus negócios. O principal motivo: falta de investimento.

Outro estudo da CB Insights também mostrou esse problema, mas acrescentou que outra razão comum é o fato de muitas delas não conseguirem espaço no mercado pois não apresentam uma solução real para o mercado. Ou seja, não apresentam uma mudança significativa na jornada do cliente, ou oferecem algo ainda distante do dia a dia das pessoas e empresas.

Mesmo assim, dados do Distrito mostram o que o hub de inovação já afirma há algum tempo: as startups vieram para ficar e mudar a maneira como o mercado e as pessoas se comportam.


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Thainá Zanfolin

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