As boas práticas de gestão que salvaram a Latinex da “quase morte”

“Tivemos de trocar os quatro pneus com o carro andando”, relembra o CEO da Latinex, que conta como a empresa contornou uma crise e agora espera crescer 40% em 2021

As boas práticas de gestão que salvaram a Latinex da “quase morte”

Assim como a esmagadora maioria das empresas brasileiras viu seus negócios estremecerem com a pandemia causada pelo novo coronavírus, a Latinex Brands, fabricante de alimentos tipo snacks, viveu uma experiência de “quase morte” no ano passado.

O quadro dificílimo só começou a se reverter depois da implementação de um conjunto de ações respaldadas em mais investimentos e, sobretudo, na bem-sucedida avaliação realizada pelo conselho consultivo da empresa utilizando práticas de governança corporativa.

A trajetória da Latinex

Depois de fazer investimentos na ordem de R$ 10 milhões em 2018 para passar de importadora para uma indústria nacional de alimentos, a Latinex teve de enfrentar uma crise global por conta da pandemia bem no meio do processo de transformação.

“Costumo dizer que foi uma experiência de quase morte. Nos vimos em meio a uma crise global sem precedentes em nosso tempo enquanto fazíamos a maior revolução interna da história da Latinex Brands”, conta o CEO e fundador, Eduardo Moraes.

O processo de reestruturação aconteceu de 2019 a 2021, segundo o CEO. “Foi um processo longo, profundo e também doloroso, no qual tivemos de trocar os quatro pneus com o carro andando, em meio à recessão e somado aos desdobramentos da covid-19, dentre outros fatores que permeiam as operações no mercado”, relembra.

Nesse sentido, em um ano, a companhia passou de 20 para 100 pessoas, além de aumentar a complexidade das operações. Eduardo Moraes relata que na época sentiram a necessidade de investir na expansão das marcas da empresa com produtos, até então importados, e que passariam a ser produzidos localmente.

Hoje, a companhia produz 90% de todos os produtos vendidos sob suas marcas – Fit Food, Frontera, Smart e Taste&Co.

Segundo o executivo, o período mais crítico enfrentado pela marca foi exatamente no início da pandemia, em março de 2020, em que muitas dúvidas existiam por parte dos órgãos competentes sobre as medidas que deveriam ser tomadas e, principalmente, como esta situação adversa afetaria toda a sociedade.

“Tivemos um impacto muito maior e mais duradouro do que esperávamos, em virtude de o varejo ter se concentrado nas grandes marcas e deixado de dar atenção para os produtos de nichos que também movimentam o mercado”, relembra.

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Boas práticas em momentos de crise

Segundo Eduardo Moraes, o conselho consultivo se mostrou fundamental na Latinex Brands, pois foi capaz de dar o suporte necessário na gestão da crise. Foi de sua responsabilidade auxiliar a direção empresarial na análise de informações, fornecendo recomendações que ajudaram a compreender boa parte dos problemas enfrentados pelo negócio.

Dentre as principais iniciativas, foram a adequação dos times de vendas, inclusive com a contratação de vendedores próprios, marketing e supply chain (gestão da cadeia de suprimentos); implementação de sistema ERP; a simplificação de processos e melhoria na comunicação interna.

“Com a chegada de mais um membro ao conselho consultivo este ano (antes eram duas pessoas), conseguimos aumentar o número de reuniões e fóruns de discussões, tanto da diretoria quanto da gerência. E, assim, estamos gerando mais transparência quanto às iniciativas e resultados”, considera Eduardo Moraes.

Diante do desafio de enfrentar a queda de vendas no ano passado, a Latinex decidiu dobrar a aposta no crescimento acelerado da empresa, que vinha acontecendo desde a sua fundação, em 2009. Revisou estrutura e equipe, e inaugurou nova fábrica em São José dos Pinhais (PR), com instalações três vezes maiores que o espaço anterior.

Fez um aporte de cerca de R$ 4 milhões no projeto e investiu ainda em profissionais qualificados. “Com a nova fábrica e as adições ao time, chegamos ao modelo dinâmico de negócios que combina perfeitamente com o que é a Latinex Brands desde a sua fundação”, afirma o executivo.

A travessia pela tormenta e a transformação de importadora à indústria nacional resultaram em faturamento dobrado, com expectativa de crescimento de 40% neste ano, segundo Eduardo Moraes.

“Isso mostra que a nossa aposta na busca dos brasileiros por uma alimentação mais saudável, que vem desde o início da Latinex Brands, estava certa”, afirma. “Nos próximos anos, acreditamos que essa tendência se acentuará ainda mais, abrindo novas oportunidades de reinvenção para a empresa”, completa.

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De olho no futuro

Para o CEO da companhia, ainda há instabilidade nas operações das empresas focadas em produtos especializados, porém já vislumbra uma retomada econômica e crescimento mais sustentável a partir do terceiro trimestre deste ano, além de boa perspectiva no quarto trimestre do ano, considerando a vacinação e a abertura total do comércio.

A companhia é detentora das marcas Fit Food e Frontera, focadas em snacks com opções nutritivas e voltadas para momentos de descontração, respectivamente.

Ainda possuem a Smart, que oferece uma variedade de temperos e a Taste&Co., com acompanhamentos e molhos famosos.

“O core da Latinex é fazer o diferente, atuar em nichos e buscar espaços inexplorados! Tudo que é pequeno demais para a grande indústria, mas requer algum porte e estrutura para a indústria pequena”, esclarece Eduardo Moraes.

As linhas da Latinex Brands possuem mais de 120 itens e estão disponíveis nas principais redes de supermercados, empórios e casas de produtos naturais de todo Brasil.


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