Como a indústria do sextech se beneficiou com as inovações tecnológicas

Compra de sex toys pela internet, debate aberto em redes sociais sobre prazer e sexo virtual fazem parte do combo de inovações que vêm transformando o mercado de bem-estar sexual

Como a indústria do sextech se beneficiou com as inovações tecnológicas

“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. Quando Lulu Santos compôs a música Como uma Onda, provavelmente não estava pensando em sexo. Ou estava. De qualquer forma, a letra da canção pode muito bem ser utilizada quando o assunto é a indústria do sextech.

A chegada da tecnologia ao mercado de bem-estar sexual está provocando uma transformação digital na forma com que as pessoas falam sobre sexo, discutem assuntos relacionados ao sexo e se relacionam sexualmente, fomentando, inclusive, debates sobre feminismo, prazer. Definitivamente, nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.

As inovações vão desde as mais simples, como a compra de sex toys – que agora pode ser feita online e com caixinhas discretas para porteiro nenhum ficar sabendo sobre o conteúdo da encomenda – até a prática de sexo com humanóides equipados com inteligência artificial, passando, é claro, pelo debate mais aberto e plural sobre a relação entre autoconhecimento, prazer e sexo livre.

Sextech: sexo é tech, sexo é pop, sexo é tudo

Não há como negar: o sexo é um dos comportamentos mais primitivos da espécie humana. Apesar disso, sempre foi alvo de muitos tabus, especialmente na sociedade moderna, abarcando temas transversais como religião, ideologia, saúde e até entretenimento.

Mais recentemente, o sexo passou a dialogar com outra área: a tecnologia. A indústria do sextech começou a ganhar notoriedade com revoluções relacionadas à àrea da saúde – como a invenção de produtos que atuam na prevenção de doenças e evitam gravidez indesejada – e ganhou fôlego com produtos de bem-estar sexual e prazer, como vibradores, fantasias eróticas e cosméticos.

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Mas não é só isso: a popularização da internet como meio de consumo e de comunicação turbinou ainda mais as potencialidades do mercado de sextech, permitindo a compra de produtos de maneira discreta e até mesmo modernizando as formas de relacionamento entre as pessoas, com o surgimento de plataformas que viabilizam encontros sexuais online e offline.

Mais recentemente, a Inteligência Artificial (IA) também passou a jogar no time das inovações sexuais e trouxe mudanças arrojadas – para não dizer surpreendentes. Em 2018, por exemplo, a empresa Real Doll apresentou ao mundo a primeira máquina erótica com IA, o robô Harmony, uma boneca de tamanho real capaz de falar, memorizar as preferências sexuais do parceiro ou parceira e realizar práticas sexuais.

Se isso te parece estranho agora, saiba que não para por aí. Estudos indicam que, em 2045, um em cada cinco jovens fará sexo com um robô de forma rotineira. Até lá, tecnologias capazes de fazer sentir as carícias de outra pessoa de forma totalmente remota e impressoras capazes de reproduzir as partes íntimas do parceiro também serão comuns.

Não à toa a estimativa de crescimento para o mercado de bem-estar sexual é superotimista. De acordo com o relatório Global Sexual Wellness Market by Product, by Distribution, By End User, By Region Industry Analysis and Forecast, 2020-2026, produzido pela Research And Markets, o mercado de bem-estar sexual deve movimentar cerca de 125,1 bilhões de dólares ao ano em 2026, um crescimento anual de 12,4%.

Segundo o estudo, os brinquedos sexuais, ou sex toys, como são conhecidos, lideram o mercado de bem-estar sexual. O principal motivo apontado é a diminuição do estigma associado à atividade sexual, intimamente relacionada ao surgimento de movimentos positivos para quebrar estereótipos baseados em gênero, idade e construção sexual, assim como à maior aceitação de minorias sexuais, como indivíduos LGBTQ+.

O relatório estima ainda que o público feminino deve apresentar um crescimento significativo na fatia de consumidores, impulsionado pelo aumento da presença feminina no mercado de trabalho e maior debate sobre educação sexual e prazer feminino.

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Sexo moderninho

No Brasil, o Sexlog.com é uma das empresas que vem surfando na onda da sextech desde sua criação. No ar há mais de 10 anos, a plataforma tem como pilares a tecnologia e a inovação e se define como uma rede sexual adulta de origem brasileira voltada para swing, encontros sexuais, sexo virtual e exibicionismo.

“Para nós, a adoção de tecnologias para entender profundamente o comportamento dos nossos clientes dentro do site foi um divisor de águas. Foram elas que permitiram que ganhássemos escala com melhores decisões estratégicas, por meio de testes AB na criação de novas ferramentas a partir da análise de dados. Nos tornarmos uma empresa data driven trouxe maturidade tanto para a liderança quanto para o dia a dia dos desenvolvedores”, explica Mayumi Sato, CMO do Sexlog.com.

As transformações na indústria sextech, aliás, são acompanhadas de perto pela empresa, que tem percebido cada vez mais a adesão de pessoas com interesse novo no meio liberal, ou seja, que ainda não têm experiência nesse meio.

“Se, no início da plataforma o Sexlog era povoado majoritariamente por casais do meio swinger, hoje a gama de fantasias e desejos contemplados dentro da comunidade é muito maior. Com mais de 15 milhões de pessoas, há gostos e interesse para quase tudo! Durante 2020 também tivemos muito mais adesão de mulheres e casais, chegamos a um aumento de 25% de novos cadastros”, revela.

Continuar explorando as inovações tecnológicas em favor do negócio também está nos planos da empresa, que pretende abusar do uso de inteligência artificial para na oferta de experiências aprimoradas aos clientes. “Com uma base de 15 milhões de cadastros, conseguimos automatizar ferramentas como a análise de compatibilidade, indicando pessoas com as quais elas têm mais afinidade, cruzando além disso a proximidade e a chance de receber uma resposta. Esse é o tipo de iniciativa que, ao longo do tempo, vai ganhando novos usos e se tornando mais complexa e eficaz”, avalia a CMO do Sexlog.com.

Prazer na ponta da língua

Parte desta revolução sextech tem a ver com as colaborações das tecnologias para a comunicação. Isso porque as redes sociais e a internet cada dia mais dão palco para debates relacionados à sexualidade, ao prazer feminino, à identificação de abusos e ao autoconhecimento.

A fisioterapeuta Claudia Milan, especialista em saúde da mulher pela Pontifícia Universidade Católica (PUCCAMP) e pós-graduanda em sexualidade humana pela CBI Miami, ocupa um desses palcos ao levar informação relacionada ao universo do prazer feminino por meio do perfil @sosperineo, no Instagram.

“Desde que descobri o poder de alcance das mídias sociais percebi que precisava tomar posse dessa ferramenta de voz. Durante o período que fiz residência tive amplo contato com o público geral e percebi a enorme carência de acesso à informação de qualidade em saúde íntima, foi quando decidi assumir o papel de comunicadora: eu me dedicaria a ser um veículo para transportar esse conhecimento até as pessoas, e a internet seria minha ferramenta”, explica.

No @sosperineo, Claudia promove a troca de experiências, leva informação e promove a quebra de tabus e ideias preconceituosas.

“Aqui podemos contribuir diariamente para que as pessoas desconstruam maus hábitos e visões negativas sobre assuntos que fazem parte do cotidiano e precisam ser vistos como naturais, como sexo e prazer, por exemplo. Me alegra assistir a ascensão de movimentos body positive e sua contribuição para que cada vez mais gente se desprenda de padrões cruéis e excludentes – que se estendem, inclusive, à saúde íntima, como por exemplo a “imagem ideal” de vulva, que tem referências distorcidas com base na indústria pornográfica. É incrível poder contribuir para melhorar essa autoimagem e empoderamento”, avalia.

Além de informações relacionadas à saúde de modo mais direto, a fisioterapeuta também aborda como produtos de sexshop e sextoys podem ser importantes para o autoconhecimento e para melhorar o prazer. “São ferramentas para aumentar o prazer e incentivar a busca por uma qualidade de vida sexual. Quanto mais prazer a pessoa percebe que pode ter, mais vontade ela vai ter de conhecer a potência que há em seu corpo”, pontua.


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