O cinema do futuro: o streaming pode mudar a maneira como se consome filmes?

Pandemia foi um divisor de águas no mercado do entretenimento e cinemas foram um dos setores mais afetados

O cinema do futuro: o streaming pode mudar a maneira como se consome filmes?

Em 2020, o Oscar contou com indicações incomuns: foram 24 originais Netflix concorrendo a prêmios, sendo o estúdio recordista do ano e passando na frente de outros já renomados. A premiação, a mais importante para o mercado do cinema, já havia indicado produções da Netflix no ano anterior, mas houve uma ampliação na quantidade.

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O Oscar, por si só, é um evento que impulsiona o público a ir ao cinema. Muitos filmes, inclusive, tem um grande aumento em sua bilheteria após a indicação ao Oscar ou ao receber o prêmio. Com a distribuição de alguns dos principais filmes feita pelo streaming, essa lógica mudou. Combinado com a pandemia de coronavírus, que fechou cinemas em todo o mundo, as plataformas ganharam ainda mais fôlego e criaram novos hábitos de consumo de filmes e séries.

O consumo de streaming

Assistir à uma série ou filme em plataformas de streaming já faz parte do dia a dia de muitos. De acordo com uma pesquisa da Nielsen Brasil com a Toluna, 42,8% dos brasileiros entrevistados consomem streaming diariamente e 43,9%, uma vez na semana. Apenas 2,5% não assistem nada nas plataformas. Os jovens são maioria no consumo pelas plataformas, enquanto os mais velhos optam por assistir a algo na TV aberta ou paga.

O consumo de vídeos na Internet, de maneira geral, só vem crescendo nos últimos tempos. Uma pesquisa da Kantar IBOPE Media, a Inside Video, mostrou que 99% dos internautas assistem a vídeos na internet, seja nas redes sociais ou nas plataformas de streaming.

O Brasil, inclusive, é um dos países com maior consumo desse formato em todo o mundo, ficando em segundo lugar no ranking. Ou seja, quem consome vídeos na internet e filmes pelas plataformas, o fazem de maneira intensa e cada vez maior.

Por outro lado, o consumo dos streamings podem estar, na verdade, em uma “bolha”. E isso está relacionado à questões financeiras, já que a valor das assinaturas de streaming podem pesar no bolso. E isso não ocorre somente com o streaming: ir ao cinema é considerado um luxo, principalmente nas capitais, onde o valor do ingresso pode custar até 6,66% de um salário mínimo, por exemplo. Assim, se os streamings são vistos como algo caro, ir ao cinema é uma experiência que pode custar ainda mais.

Streamings são o cinema do futuro?

Ainda no início da pandemia, a Universal Studios lançou o filme Trolls 2, um de seus grandes títulos, no streaming após ter suas sessões canceladas por conta do coronavírus. A estratégia deu certo: segundo o estúdio, em três semanas o filme faturou cerca de 95 milhões de dólares, com quase 5 milhões de espectadores, com o formato de aluguel. Isso, sem a plataforma estar disponível em todos os países.

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O movimento foi seguido por outros gigantes do ramo do entretenimento. A Disney, por exemplo, decidiu lançar Mulan, um dos filmes mais esperados daquele ano, diretamente na Disney+, sua plataforma de streaming, no formato de assinatura, sem necessidade de alugar o filme à parte.

Ainda em 2020, a Warner Bros., estúdio detentor de grandes marcas, como a DC (Mulher-Maravilha, Homem de Aço, Batman), anunciou que lançaria todos os filmes de 2021 pelo streaming HBO Max no mesmo dia das salas de cinema. Na época, a plataforma ainda não estava presente em muitos dos países que garantem grandes bilheterias a seus filmes (o Brasil está incluso nisso – o streaming só chegou por aqui no meio de 2021).

Não demorou muito para o estúdio voltar atrás em sua decisão: ainda em 2021, no meio do período de “teste”, a empresa decidiu mudar sua estratégia e lançar os filmes no streaming 45 dias após suas estreias nas salas de cinema.

Em uma live feita pelo grupo Omelete, no YouTube, o tema foi discutido entre os comentaristas: para eles, ainda não é possível afirmar que os streamings vão roubar o lugar do cinema na vida das pessoas. O motivo é claro: dinheiro.

Segundo eles, a decisão de lançar diretamente no streaming pode restringir a ida do público ao cinema, o que afeta principalmente a bilheteria dos filmes e o lado financeiro da indústria do entretenimento.

“A HBO Max faz parte da Warner Bros, então eles vão pagar a si mesmo? É algo complexo”, afirma Marcelo Hessel, jornalista cultural e crítico de cinema.

“A própria Netflix tem uma margem de lucro muito baixa. Eles têm muitos assinantes, mas tudo o que entra de dinheiro é utilizado para suas próprias produções. (…) Você não tem receita de bilheteria na Netflix, por exemplo”, explica o crítico de cinema. A empresa de streaming já lançou filmes em salas de cinema anteriormente, principalmente visando o Oscar, mas em pequena escala. Outro ponto levantado é o da pirataria, pois as plataformas de streaming facilitariam isso, algo que aconteceu inclusive com Mulan, da Disney.

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A barreira financeira aparenta ser uma das grandes questões para os estúdios e plataformas, mesmo com o filme lançado nos dois formatos. Isso porque os cinemas estão sendo liberados aos poucos e os próprios streaming ainda não estão presentes em todos os países ou não atingem o número de assinatura esperado pelas empresas.

Assim, mesmo com produções dignas de estatuetas do Oscar e popularidade em muitos países, o streaming ainda é visto com dúvida dentro da indústria do cinema, principalmente pelo lado financeiro. Aqui no Brasil, depois de um ano e meio fechados, os cinemas reabriram em muitos locais e a maior parte dos estúdios já pensa em seus lançamentos exclusivos para as salas, mesmo com as plataformas de streaming terem crescido por aqui.


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