O impacto da emissão de CO2 pode transformar o consumo de bebidas alcóolicas?  

Novas startups em ação e players tradicionais estão moldando suas operações para uma adequação sustentável poder dar novos rumos para o setor de bebidas alcóolicas

O impacto da emissão de CO2 pode transformar nosso consumo de bebidas alcóolicas? | Foto: Pexels

Em maio de 2021, a humanidade quebrou um recorde: a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera chegou a 418 partes por milhão, o maior já registrado. Enquanto especialistas e governos desenvolvem teorias e metas para reduzir o quadro, muitas marcas têm analisado seus próprios negócios para se alinhar às novas necessidades sustentáveis do planeta. No setor de bebidas alcóolicas, a discussão não é muito recorrente, mas alguns players internacionais têm apresentado novas propostas e podem influenciar o consumo do setor nos próximos anos.

É o caso de uma startup norte-americana que produz o que chama de “a primeira vodca com carbono negativo no mundo”, a Air Co. A bebida é feita pela Air Company, que produz o álcool recapturando carbono da atmosfera, produzido por outras fábricas locais. Em um processo normal, a produção de uma única garrafa de vodca emite em média 13 libras (aproximadamente 5,8 kg) de carbono.

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O método da startup envolve a conversão eletroquímica do CO2 em etanol, mas a marca garante que o CO2 produzido equivale a apenas 10% do total que foi retirado do ar – portanto, há um ganho sustentável. O novo jeito de produzir levou a marca a ganhar o Desafio de Conversão de CO2 da NASA, além de receber o prêmio de Ideias que mudam o mundo da Fast Company.

Outra startup norte-americana que apostou na tecnologia para desenvolver um produto mais sustentável é a Bespoken Spirits, especializada em whisky. Em vez dos clássicos barris de madeira (que, segundo a empresa, desperdiçam pelo menos 20% do destilado na evaporação), a bebida é feita com uma tecnologia própria, já patenteada, baseada em dados. As reações químicas que geram a cor, o aroma e a textura dos whiskies são controladas por algoritmos.

A técnica chamou a atenção de investidores e mexeu com o mercado, já que bebidas que levariam 12 anos para serem consumidas são feitas em apenas alguns dias e com ganhos sustentáveis. Os mais conservadores, porém, não apoiaram a ideia – a Associação do Whisky Escocês (SWA, na sigla em inglês) já garantiu que se prepara legalmente contra a startup para garantir a defesa da maturação tradicional das bebidas com rótulo de whisky.

Adaptação

Os esforços sustentáveis não estão apenas entre os players novos no mercado. A Diageo, considerada a maior fabricante de bebidas alcóolicas destiladas do mundo, anunciou planos para alcançar a emissão zero de carbono até 2030. A ideia da companhia é atuar com 100% de energia renovável, reduzir as emissões de carbono indiretas em 50% a aderir a embalagens totalmente recicladas. As ações já iniciaram em algumas das suas destilarias, como Oban e Royal Lochnagar, que estão atuando com neutralidade de carbono. A empresa também anunciou planos para instalar uma fazenda solar de 4 megawatts perto de sua fábrica de embalagens em Fife, utilizando 12 mil painéis solares.

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Entre os tradicionais escoceses, também há movimentação. A destilaria Bruichladdich, que atua no mercado desde 1881, também colocou como meta a produção sem emissão de carbono até 2025. A aposta é um inovador meio de produção com hidrogênio verde usando eletricidade verde e eletrólise da água, ao contrário do método convencional, que usa gás natural e cria CO2 no processo. Um avanço interessante considerando o local em que está instalada: mesmo que clássicas, as destilarias de Islay queimam 15 milhões de litros de óleo combustível por ano para alimentar suas caldeiras. É uma das maiores taxas das comunidades escocesas.

A preocupação é uma das razões que levou a destilaria boutique Nc’Nean a já nascer com a proposta verde há quatro anos. A pequena operação de whisky orgânico da península de Morvern, em Argyll (Escócia) foi recentemente certificada como a primeira destilaria de zero emissão do Reino Unido. O feito é possível graças ao alto investimento em uma caldeira de biomassa alimentada por lascas de madeira de uma plantação florestal comercial das proximidades.

Cenário nacional

Como esse tipo de iniciativa realmente impacta o consumidor é o que será necessário medir nos próximos anos. Os dados mostram que a demanda não é pequena: uma recente pesquisa da consultoria Mckinsey mostrou que 85% dos brasileiros se sentem melhor comprando produtos sustentáveis. Por aqui, ainda não temos uma startup específica do ramo como a Air Company, mas os esforços também estão em atividade.

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A Ambev, por exemplo, anunciou a meta de comprar 100% de eletricidade advinda de fontes renováveis e emissão de 25% da emissão de carbono em toda a cadeia de valor. A energia deve vir das 48 usinas solares que estão construindo no Brasil. Alguns esforços também já foram medidos. Segundo dados da companhia, entre 2012 e 2017, houve redução do uso absoluto total de energia em 10%. Já entre 2017 e 2019, houve redução de 21,97% na intensidade da emissão de CO2.


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