Qual é o cenário da indústria de limpeza no Brasil no pós-pandemia?

A volatilidade das vendas no decorrer da pandemia prejudicou o setor – que costuma trabalhar com estratégias a longo prazo.

Qual é o cenário da indústria de limpeza no Brasil no pós-pandemia?

Há cerca de um ano e meio, notícias a respeito da falta de álcool em gel se espalharam por todo o Brasil. Não é para menos: nessa época, estávamos vivendo o início da pandemia, e a indústria da limpeza ainda não havia se adaptado à tamanha procura.

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E não foi só o álcool em gel a sumir das prateleiras. De acordo com dados da Nielsen, empresa de medição e análise de dados, em apenas uma semana, entre os dias 16 e 22 de março de 2020, os desinfetantes tiveram alta de 80,3% nas vendas em relação à semana anterior, atrás apenas do álcool de limpeza (96,6%).

Hoje, o cenário é otimista: com a produção ajustada para a demanda, a confiança da indústria de limpeza atinge seu maior nível no ano, crescendo 13 pontos no ICEI Setorial – Índice de Confiança do Empresário Industrial, entre março e julho de 2021, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (ABIPLA).

“É uma alta superior a 13 pontos, em apenas quatro meses, e pode indicar uma recuperação do setor neste segundo semestre do ano”, diz Paulo Engler, diretor-executivo da ABIPLA.

Engler afirma que os fabricantes de produtos de limpeza têm convivido com grande volatilidade na demanda de seus produtos, desde o início da pandemia. Como o setor costuma basear suas estratégias de negócio em planejamentos de longo prazo, os períodos de alta na produção, seguidos de quedas repentinas, aliados a problemas pontuais de falta de insumos e à pressão de preços, acabaram diminuindo o otimismo dos empresários, especialmente, no primeiro trimestre.

“Começamos o ano com um nível bom de confiança (54,4), que teve alta em fevereiro (56), mas, em março (46,7), já houve uma queda grande no índice. A boa notícia é que, desde então, registramos quatro melhoras seguidas”, diz Paulo Engler.

O cenário da indústria de limpeza hoje

De acordo com o executivo, o setor atingiu o melhor nível de confiança no ano de 2021. Para ele, o dado é muito animador porque, desde o início da pandemia, em 2020, todos os setores econômicos viveram uma volatilidade muito grande, com quarentenas, liberações graduais, volta de restrições, vacinação e muitas dúvidas sobre como seria a reabertura dos negócios.

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“Digo isso apenas para explicar que, no ano passado, chegamos a figurar como um dos setores mais confiantes de toda a indústria. Hoje não estamos entre os mais otimistas, mas atingimos o melhor nível do ano. Por conta da crise sanitária que vivemos, que é uma das maiores da história, acredito que a sociedade tenha se conscientizado de que os produtos de limpeza são uma espécie de “primeira vacina” não só contra o coronavírus, mas contra diversos tipos de contaminações, e esse hábito deve se manter mesmo no período pós-pandemia”, ressalta Paulo Engler.

O diretor-executivo esclarece que o setor encerrou o ano de 2020 com um nível de produção praticamente estável em relação a 2019, mas os efeitos negativos da pandemia ainda são sensíveis para a indústria de limpeza.

“Neste ano, a produção cresceu 1,2% de janeiro a maio, com base na PIM – Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. Mas não passamos ilesos pela pandemia. O setor tem números sólidos, mas isso esconde um desafio muito grande que temos enfrentado, que é a alta volatilidade na demanda de nossos produtos. Vivemos uma montanha-russa desde o ano passado. Apenas para ilustrar, de janeiro a julho de 2020, o incremento de produção do setor foi de 5,9%. Nos meses seguintes, no entanto, houve forte queda de demanda, em um período que coincide com o fim do Auxílio Emergencial.

No último bimestre de 2020, notamos uma leve recuperação, que nos permitiu fechar o ano em níveis estáveis, em relação a 2019. Além da volatilidade, as empresas tiveram que alterar cronogramas de lançamento e lidar com aumentos súbitos de demanda em determinados produtos, como água sanitária e sabão em barra”, salienta.

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Sendo assim, lembrando como o setor costuma basear suas estratégias em planejamentos de longo prazo, Engler informa que foi um período de grandes desafios. Contudo, ele acredita que os associados foram assertivos em suas estratégias e conseguiram manter o abastecimento necessário para o combate à pandemia – lembrando que o setor abrange a limpeza profissional, que inclui ambientes hospitalares, por exemplo.

Inovações estão em pleno desenvolvimento

Para Paulo Engler, o segmento de desinfecção continua com boa demanda. Além disso, a ABIPLA observou uma conquista de espaço de produtos mais tecnológicos e sofisticados no setor de saneantes nos últimos anos, como bactericidas em spray, detergentes formulados com enzimas, itens multiuso, perfumados e produtos concentrados.

“Há também inovação constante em embalagens e produtos sustentáveis, com formulações com maior biodegradabilidade e frascos de reuso, por exemplo. É um setor caracterizado pela inovação e isso ajuda a explicar parte dos bons resultados nos últimos anos. Os fabricantes estão atentos e preparados para atender todos os perfis de consumidor, seja limpeza corporativa, doméstica ou hospitalar, e isso fica claro na variedade de produtos disponíveis”, pontua o executivo.

Transformação digital e tendências

Paulo Engler ressalta que, de maneira geral, o setor é composto de empresas bem organizadas em todos os seus departamentos e, por isso, estão maduras para atender o consumidor final. No entanto, algo que cresceu com a pandemia foi a implementação de canais de vendas diretas ao consumidor.

“Antes da covid-19, as vendas eram feitas essencialmente a distribuidores, supermercados e atacados, que, então, forneciam aos consumidores. Não havia uma relação comercial direta entre indústria e consumidor final. Com a pandemia e o consequente crescimento do e-commerce, indústria e consumidores perceberam que poderiam estabelecer uma relação comercial direta. Esta é uma tendência interessante que temos acompanhado”, salienta.

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O diretor da ABIPLA revela que a entidade mantém a projeção de crescimento do setor em 3% para o ano de 2021. A produção de saneantes cresceu 1,2% entre janeiro e maio de 2021, com base no índice de base fixa mensal da PIM – Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Entre os segmentos que devem mostrar bons resultados, no segundo semestre, estão os produtos voltados à limpeza profissional, já que, com o avanço da vacinação, estabelecimentos comerciais e públicos podem voltar a reabrir com menos restrições; os produtos para desinfecção – em alta desde o início da pandemia – e as vendas por meio do e-commerce.


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