Iniciativa une players do setor alimentício para combater a fome no Brasil

Liderado pelo iFood, movimento Todos à Mesa atua com a redistribuição de alimentos excedentes para evitar o desperdício e combater a fome no país

Foto: Shutterstock

O impacto social das empresas é um tema recorrente e não é à toa. Quando levamos em consideração o cenário brasileiro, basta um olhar um pouco mais atento para perceber as diversas questões com as quais as organizações podem se envolver e contribuir. Uma pauta sensível e que ganhou ainda mais evidência durante a pandemia é o alarmante número de pessoas que passam fome no Brasil. Atualmente, são mais de 100 milhões de indivíduos que não sabem ao certo se farão três refeições diárias enquanto mais de 20 milhões passam fome.

Se adicionarmos as estimativas que apontam que, globalmente, cerca de 1/3 do alimento produzido é desperdiçado, o cenário é ainda mais desconcertante. Tal contexto inspirou o movimento Todos à mesa, uma iniciativa do iFood que conecta players do ecossistema de alimentação para combater o desperdício e distribuir alimentos.

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Nestlé, Carrefour, M. Dias Branco e algumas redes locais de varejo também fazem parte da ação, além da startup de impacto social Connecting Food e a ONG Ação da Cidadania. O movimento visa combater o desperdício de alimentos a partir da redistribuição de alimentos excedentes, abrir discussões sobre como ampliar o marco regulatório das doações, potencializar iniciativas de doação de alimentos e convidar cada vez mais empresas a participarem do projeto.

Para atuar, a iniciativa leva em consideração alguns pontos das práticas de mercado que geram desperdício, transformando em oportunidade para uma atuação positiva. Por exemplo, os padrões de estética de frutas, legumes e verduras que fazem com que muitos produtos sejam descartados. Além disso, há um excedente de produção, ou seja, produtos de indústrias e mercados dentro da validade que não possuem tempo hábil para chegarem às prateleiras.

Juntas, essas e outras variáveis impedem que alimentos de boa qualidade sejam comercializados. Há um potencial de que estes produtos sejam direcionados a uma rede humanitária de redistribuição de alimentos e cheguem às mesas da população em vulnerabilidade social no Brasil.

Momento para agir

O desperdício é um tema observado já há algum tempo no varejo, mas, desde o ano passado, passou a ter base legal para receber ações mais incisivas. Em junho de 2020, entrou em vigência a Lei 14.016, que dispõe sobre o combate ao desperdício de alimentos e a doação de excedentes. Ela autoriza a doação de alimentos excedentes que estejam dentro da validade, em condições ideais de conservação e próprios ao consumo humano.

“Queremos incentivar indústrias e varejistas a doarem produtos alimentícios excedentes que tenham suas propriedades intactas e estejam na validade, beneficiando, assim, milhares de pessoas em todo o Brasil”, explica João Barreto, diretor de sustentabilidade do iFood.

Cada um dos parceiros terá sua parcela de contribuição para o movimento acontecer. A gestão da redistribuição dos alimentos ficará à cargo da Connecting Food enquanto a Ação da Cidadania vai realizar a integração de uma rede de ONGs em todos os estados do Brasil.

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Na primeira semana, o movimento Todos à Mesa doou mais de 68,5 toneladas de alimentos. “A proposta agora é seguir conectando cada vez mais empresas doadoras para que, juntos, possam alimentar pessoas em situação de vulnerabilidade social a partir da doação de excedentes de indústrias, mercados e restaurantes, que estão em excelentes condições nutricionais, mas que são desperdiçados todos os dias”, destaca Alcione Silva, fundadora e CEO da startup.

O iFood também irá patrocinar um piloto de combate ao desperdício e doação de excedentes com redes locais de varejo, operacionalizado pela Connecting Food. A operação consiste em mapear ONGs no entorno das lojas aptas a receberem a doação de alimentos que perderam qualidade para a prateleira, mas que estão dentro da validade. Serão 30 lojas na primeira etapa do projeto, patrocinado integralmente nos primeiros 6 meses, sendo uma delas o Supermercado Castanha, na Vila dos Remédios, em São Paulo.


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