Bancos tradicionais estão perdendo espaço nas transferências online, mostra estudo

Levantamento da fintech de pagamentos Transfeera mostra alto crescimento das operações envolvendo players digitais enquanto grandes bancos estão em queda

Bancos tradicionais estão perdendo espaço nas transferências online, mostra estudo| Foto: Shutterstock

A chegada das fintechs alterou profundamente a dinâmica do setor financeiro. A preferência pelos bancos digitais fica evidente a cada dia e a disponibilidade do Pix parece influenciar cada vez mais esse cenário. Os bancos tradicionais estão perdendo espaço nas transferências online. Essa é a conclusão de um estudo realizado pela Transfeera, plataforma de pagamentos que atende diferentes perfis de empresas que necessitam de escala no processo de pagamentos.

A empresa analisou mais de seis milhões de transações bancárias realizadas em sua plataforma desde abril de 2017. Os dados deram vida ao estudo “Market-Share de Bancos 2021“, que mostra um recorte interessante da dinâmica do mercado atualmente.

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Segundo a pesquisa, até janeiro de 2018, 96% dos pagamentos realizados pela solução da Transfeera estavam concentrados entre os cinco maiores bancos brasileiros – Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú, Bradesco e Santander. Em agosto de 2021, a proporção de pagamentos destinados a essas instituições foi de 53%, uma queda de 43% em quatro anos, considerando pessoas físicas e jurídicas.

Enquanto isso, em agosto de 2019, os bancos nativos digitais representavam um pouco mais de 10% das operações de recebíveis de pessoas físicas dentro da plataforma. Em 2020, a proporção chegou a 30% e, com a chegada do Pix em novembro do ano passado, ultrapassou os 50% em agosto deste ano.

A diversidade de players digitais também cresceu. Em agosto de 2019, apenas o Nubank (2,92%) e o Banco Inter (2,47%) apareciam na lista de recebimentos de pessoas físicas. No mesmo período em 2020, o estudo aponta para um crescimento de ambos e a ascensão do PagSeguro (2,10%) e do Banco C6 (5%). Em agosto deste ano, o Nubank escalou ainda mais, chegando a mais de 28%, seguido pelo Banco Inter (7%), PagSeguro (5,52%), PicPay (5%) e Mercado Pago (3,23%). Neon e Original são a opção de pouco mais de 2%.

“No atual cenário de meios de pagamento no Brasil, para que uma empresa se mantenha competitiva, é imprescindível que ela opere no digital. O movimento do dinheiro para os canais digitais já não se enquadra como um diferencial, mas, sim, como uma obrigação, um caminho sem volta”, destaca Fernando Nunes, cofundador e diretor comercial da Transfeera.

Cenário competitivo

O market share dos bancos tradicionais também diminuiu nas operações envolvendo pessoas jurídicas. O estudo aponta que o Nubank atingiu mais de 10% das operações enquanto a Caixa Econômica, por exemplo, caiu de 27% para 4% nos últimos quatro anos. As transações pelo Itaú também viram uma queda dentro da plataforma, saindo de 69% em junho de 2017 para 10% este ano — perdendo 50% do market share em quatro anos.

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“As fintechs se destacam justamente por possuírem soluções majoritariamente digitais, o que torna os negócios escaláveis, permitindo que ofereçam funcionalidades cada dia mais abrangentes aos clientes”, lembra Nunes.

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No cenário de cobranças, existe um equilíbrio dos mundos. Em abril de 2021, a Transfeera passou a oferecer contas Pix, que possibilitam a cobrança de dinheiro pelas empresas clientes (cash in). Nesse quesito, os recebidos de pessoa física por banco têm a liderança do Nubank (25%). Em seguida vem Itaú (9.8%) e Bradesco (9.4%).

Para Carlos Augusto de Oliveira, CEO da CertDox e fintech board member da VC BossaNova, os bancos tradicionais estão acompanhando as mudanças, mas tendem a se mover mais lentamente em função das suas próprias estruturas. “Mesmo quando tecnicamente prontos, existe uma evidente cautela dos bancos na migração para os serviços digitais porque muita coisa está em jogo, especialmente o risco de perda significativa de receita de tarifas de serviços provocado pelo Pix”, explica.


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