Onde está o dinheiro? A vingança dos longevos

Enxergar os baby boomers como força de trabalho agregadora e público consumidor estratégico é crucial

Enxergar os baby boomers como força de trabalho agregadora e público consumidor estratégico é crucial

Dinheiro, diversidade etária e desigualdade social compõem uma tríplice que constantemente desafia o mercado de trabalho e seus profissionais. E quando se trata do público 50+, os famosos funcionários maduros, a discussão fica ainda mais acalorada: por que eles não se sentem representados nas comunicações dos bancos tradicionais ou até mesmo das fintechs? Por que sua mão de obra é vista com maus olhos por alguns gestores?

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Diante desse cenário, o Consumidor Moderno organizou um painel sobre o assunto para o Conarec 2021, com a mediação de Flavia Morizono – diretora de planejamento e operação da Joia Eventos Estratégicos, e participação dos executivos Luiz Fernando Garcia – sócio da NEXTT 49+ Inovação em Negócios, Mórris Litvak – founder e CEO da Maturi, e Eduardo Migliano – co-founder do 99jobs. Confira!

Devemos falar sobre dinheiro

Apesar de o Brasil atualmente ser palco de uma revolução bancária, a geração dos baby boomers não sente esse avanço na pele, principalmente a população negra. Para Eduardo Migliano, co-founder do 99jobs, empresa que forma uma comunidade de carreira e que conecta 9 milhões de pessoas a 3000 empresas, o mercado de trabalho ainda tem que evoluir bastante devido à desigualdade social.

“Quando falamos sobre a economia prateada, os negros não se incluem nisso, pois são minoria em cargos de chefia. Não temos a figura de um negro idoso, somente dos brancos, e isso irá gerar um déficit no futuro”, problematiza.
E é por isso que, muitas vezes, quando a temática é transição de carreira, soa como uma conversa elitista. Contudo, Luiz Fernando Garcia, sócio da NEXTT 49+ Inovação em Negócios, revela que na verdade há uma pressão dos setores ao cobrar performance.

“As pessoas vão se cansando do discurso corporativo de compromisso e responsabilidade que só vai da boca para fora. É aí que surge o conflito entre manter a mente e o bolso saudáveis. Trabalho e sentir-se útil à sociedade são partes importantes da nossa identidade”, comenta.

Ademais, Mórris Litvak, founder e CEO da Maturi, quantifica: indivíduos 50+ são 25% da população (aproximadamente 55 milhões) e representam de 3 a 5% no quadro de funcionários das companhias, o que é muito pouco. E como existe uma estimativa de que até 2060, 1/3 da população brasileira será idosa, há um impasse a ser enfrentado pelas companhias.

“As pessoas acreditam que a transformação digital só pode ser feita com nativos digitais, sendo que há estudos que mostram que equipes multigeracionais são mais criativas e, portanto, mais inovadoras. São vários paradigmas a serem quebrados, inclusive por nós mesmos, ao achar que não conseguiremos mais trabalhar quando chegarmos aos 50”, exemplifica o executivo.

“Temos vários pilares para envelhecer com qualidade de vida, como saúde, trabalho e relações sociais. A questão é podermos trabalhar até quando quisermos, e não até quando o mercado disser que podemos. Os longevos devem se unir para ter uma força representativa, quebrar padrões e não consumir produtos de empresas etaristas”, completa Mórris Litvak.

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Luiz Fernando Garcia também relembra que até poucos anos atrás, o ato de empreender era abordado apenas como uma atividade viável para as classes C, D e como forma de sobrevivência, sendo que, na realidade, é uma tarefa vocacionada.

Por isso que a inclusão em seus mais diversos espectros acaba se efetivando somente quando políticas públicas ganham forma ou por pressão do mercado. E como o país está vivendo um processo de longevidade cada vez maior, estende-se essa lógica.

Do outro lado do jogo

Apesar de o debate sobre a presença dos funcionários maduros nas organizações ser relevante, também há de se considerar a representatividade – ou a falta dela – que o grupo 60+ encontra ao sair às ruas. Afinal, tudo isso está ligado com o uso que essa faixa etária faz do seu dinheiro.

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Luiz Fernando Garcia, sócio da NEXTT 49+ Inovação em Negócios, conta que, no geral, as pessoas estão mais conectadas e bem colocadas no quesito hábitos de consumo. E mesmo que existam ilhas, gaps e exceções, as entregas coletivas estão acontecendo.

“Todavia, não dá mais para aceitar que os idosos não sejam representados na comunicação: ou o comportamento do velho precisa ser igual ao do jovem, ou se cria o universo do velho de bengala. Eles não serão fiéis às marcas que não os enxergarem com a consideração necessária”, alerta.

Além disso, o founder e CEO da Maturi coloca que desfazer estereótipos é a principal meta para aqueles que realmente acreditam na diversidade etária.

“Devemos quebrar padrões em relação aos mais velhos, pois eles mesmos não se identificam assim. As marcas estão negando o envelhecimento populacional e focando nas gerações mais jovens por serem cool. A partir do momento que a companhia conhece de perto suas dores e interesses, é mais fácil de se comunicar com eles. Não podemos deixar que se sintam invisíveis”, afirma Mórris Litvak.

Porém, mesmo com o cenário desanimador, Eduardo Migliano, co-founder do 99jobs, elenca duas questões que acredita serem as luzes no fim do túnel:

● Cuidado com empatia da companhia para com seus colaboradores – sobretudo durante a pandemia de Covid-19 –
para que eles se sintam úteis e ouvidos;
● Poder da internet ao denunciar situações abusivas e iniciar movimentos sociais afirmativos.
“Com o celular, todo mundo consegue gravar vídeos e expor suas opiniões sobre assuntos polêmicos. E desde o último um ano e meio, as empresas têm notado a importância de acolherem seus funcionários. Portanto, ações visando o público 50+ devem ser feitas com mais intensidade para que consigamos identificar uma transformação real em prol dos longevos”, finaliza.

 


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