Saúde do corpo e mente x saúde dos dados: os impactos da telemedicina

Informações e dados são termômetro para o avanço do segmento em todo o mundo. Especialistas discutem o tema no CONAREC 2021

Saúde do corpo e mente x saúde dos dados: os impactos da telemedicina

Consultorias de negócios de todo o mundo vêm afirmando e mostrando por meio de pesquisas um fato sobre a pandemia: o momento acelerou ainda mais o processo de transformação digital, obrigando praticamente todos os setores a se reinventarem para continuarem em alta. Somado a isso, a atenção maior com a saúde, tanto física quanto mental, durante o período fez com que a telemedicina ganhasse ainda mais espaço.

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Uma mesa de debate com especialistas e principais empresas do setor discutiu o tema durante o Conarec 2021, que pretende discutir o “consumidor hackeado”. O debate abordou os impactos do setor e a importância da transformação digital e dos dados para seu avanço.

Entre os nomes, estavam: Alexandre Putini, Diretor De Transformação Digital, Advanced Analytics e Inovação da SulAmérica Seguros; Fabiano Carrijo, CEO da Psicologia Viva; Nicolas Toth Junior, Diretor Geral Brasil E América Latina Sharecare Brasil; Rafael Figueroa, CEO do Portal Telemedicina; Renato Velloso, CEO do Dr. Consulta; Rui Brandao, CEO e cofundador do Zenklub. A mediação foi feita por José Cechin, Superintendente Executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

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Alexandre Putini, Fabiano Carrijo, Nicolas Toth Junior, Rafael Figueroa, Renato Velloso, Rui Brandao e José Cechin em painel do Conarec 2021 | Foto: Grupo Padrão

A Telemedicina na pandemia

O conceito de telemedicina surgiu ainda no início dos anos 2000 e acompanhou o crescimento da internet. Entretanto, diferente do formato direto, que propõe a conexão direta entre paciente e profissional de saúde, seu início estava centrado em facilitar o compartilhamento de informações entre profissionais, tornando o exercício da profissão mais prático e seguro para todas as partes.

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Rafael Figueroa, CEO do Portal Telemedicina, conta que o contato direto entre profissionais e pacientes durante uma consulta online é uma realidade mais recente e que passou a ser mais aceita apenas nos últimos anos. “Com a pandemia, essa aceitação dos pacientes e até médicos com consultórios particulares aumentou, é possível ver isso a partir dos nossos números”, explica.

Assim como o Portal Telemedicina, a Sharecare é uma empresa global também focada no atendimento remoto. Nicolas Toth, Diretor Geral Brasil e América Latina da empresa, comentou, durante o evento, sobre um dos grandes potenciais da telemedicina: conectar pessoas de todo o mundo, inclusive lugares remotos, a um atendimento de qualidade.

“A telemedicina é um avanço muito grande pois permite um acesso que não existia. Mostrou-se como uma ferramenta extremamente útil para lidar com a pandemia, mas também para gerar uma conveniência. Promover esse acesso foi um ponto positivo”, afirmou o diretor da Sharecare.

Alexandre Putini, diretor de transformação digital, advanced analytics e inovação da SulAmérica Seguros, trouxe sua visão da utilização da tecnologia na prática. Segundo ele, “a transformação digital é uma grande habilitadora de novos produtos, serviços e experiências para os clientes. Considerando a pandemia, foi um suporte para manter médicos e outros profissionais da saúde conectados com os pacientes de maneira digital, mas também auxiliando no espaço físico”, explica.

O cuidado digital com a saúde física e mental

Para Alexandre Putini, a transformação digital não significa transformar tudo em algo robotizado, automático ou dependente da internet. “Nós acreditamos em uma oferta phygital. Nós utilizamos a transformação digital, a inovação e os dados para entregar a melhor experiência para nossos consumidores. E nem sempre a melhor experiência é no digital, muitas vezes vai ser no presencial. O equilíbrio é o que faz a diferença”, afirmou durante a discussão.

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De acordo com os especialistas do evento, os cuidados com a saúde mental feitos online já têm uma aceitação maior pelo público. Fabiano Carrijo, CEO da Psicologia Viva, notou, inclusive, uma redução do estigma social envolvendo transtornos mentais durante a pandemia. “Observamos também muitas empresas preocupadas com isso e buscando soluções para atender essas necessidades para seus colaboradores e de suas famílias”, diz. Tal aceitação também é esperada no pós-pandemia, também por conta da facilidade de acesso que o atendimento remoto trouxe, explica Fabiano.

No caso da saúde física, a aceitação por parte de pacientes e médicos também está aumentando, apesar de muitas pessoas ainda terem dúvidas sobre o processo. De acordo com Rafael Figueroa, do Portal Telemedicina, as tecnologias podem ajudar em diferentes processos, não apenas na possibilidade de ter uma consulta online.

“No começo, por exemplo, nosso trabalho estava voltado em possibilitar que um médico clínico geral que atuasse em regiões afastadas conseguisse mandar um exame para um especialista em São Paulo, que avaliava e retornava com o diagnóstico”, conta o CEO do Portal Telemedicina. Durante a discussão, o profissional também exemplificou um uso da tecnologia para redução da mortalidade no sistema público.

A Sharecare também atua no cuidado com a saúde física e, segundo Nicolas Toth, os dados são pontos importantes nesse processo, pois indicam as reais mudanças para os pacientes. “Nós temos que ter métricas que indiquem isso. Nós temos um questionário de real age, por exemplo, bastante completo que compara a idade real e a idade biológica dele”, exemplifica.

A partir dos dados informados, é possível ter uma noção geral de como está a saúde do paciente naquele momento. Mas, além disso, o profissional também afirma a importância de analisar os “dias bons”, ou seja, quando o paciente não tem queixas, pois isso também compõem os dados do paciente e cria uma linha do tempo de sua saúde.

A importância dos dados nesse processo

Seja para tratar a saúde mental ou a física, todos os profissionais concordam em um ponto: as informações e a “saúde dos dados”, ou seja, a qualidade dos dados e a maneira como são utilizados, são muito importantes para o avanço da telemedicina.

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Segundo os especialistas, a maneira de coletar e tratar os dados exige atenção pois são eles que determinam se as ações estão surtindo efeito ou não. Segundo Rui Brandão, CEO e cofundador da Zenklub, os dados são o centro da telemedicina, pois é a partir da sua análise é que a tomada de decisões por parte das empresas acontece. Mas, além disso, também são importantes para que os próprios profissionais de saúde tomem suas decisões.

Renato Velloso, CEO do Dr. Consulta, afirma que esse é um dos grandes pontos que tornam o trabalho da plataforma algo eficiente para profissionais e público. “Nossa eficiência é toda baseada nos dados que colhemos dos pacientes e dos médicos. Nós temos 1200 médicos com acesso aos prontuários eletrônicos e os clientes conseguem ter todo esse histórico de sua própria saúde via aplicativo. Assim levamos eficiência e economia para quem não tem acesso a um plano de saúde”.

Para os especialistas de todas as empresas participantes do evento, a telemedicina ocupa um espaço importante para a sociedade, seja na democratização do acesso a atendimento de qualidade, seja para melhorar o bem-estar geral da população no momento pós-pandemia. Para isso, uma estratégia voltada à qualidade na coleta de dados e informações é vista como essencial.

Leia mais: Digitalização de dados de saúde pode revolucionar o setor

 


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