Em tempos de Black Friday, vamos falar de acessibilidade no e-commerce?

Enquanto a Black Friday traz um alto fluxo para o varejo, principalmente no e-commerce, grande parte das lojas não têm recursos para pessoas com deficiência  

Foto: Shutterstock

Desde que foi adotada pelo varejo brasileiro, a Black Friday ganhou relevância e hoje é considerada uma das datas mais importantes do setor, comparada até mesmo ao Natal (e, muitas vezes, vista como uma prévia da movimentação de fim ano). Com o crescimento do e-commerce, os canais digitais têm vital importância no período e concentram uma demanda significativa de vendas. A democratização da compra online é realidade, mas a verdade é que ela ainda não envolve todos os consumidores.

Principalmente após o “boom” digital da pandemia, está mais do que na hora de as empresas avaliarem a acessibilidade de seu e-commerce – e o quanto a falta de atenção ao público com deficiência é uma barreira de inclusão e também pode impactar os resultados.

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O desafio é evidente. Um estudo do Movimento Web para Todos realizado com a BigData Corp mostra claramente o gargalo. No Brasil, estima-se que existam quase 15 milhões de sites ativos – dentre eles, aproximadamente 90 mil são lojas virtuais. Desse total, menos de 1% das lojas possui recursos de acessibilidade. Segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de sete milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência. Um considerável público que deixa de estar incluído na jornada digital.

Dados do portal Black Friday Brasil apontam que as campanhas da data especial geram um aumento de 20% no faturamento das organizações, sendo essa receita majoritariamente vinda do e-commerce. Tal importância faz com que as empresas busquem equipar seus sites da melhor maneira possível para essa data, com o objetivo de converter todas as visitas em vendas. Porém, essa missão se torna praticamente impossível quando o site não está acessível para pessoas com deficiência.

Por não serem vistas como um grupo com um alto poder de compra, muitas vezes as pessoas com deficiência são deixadas de lado no momento de definir estratégias de atração e conversão de grandes campanhas. Em tempos de transformação digital, é essencial desmistificar essa ideia. Fora isso, essa é uma parcela da população que movimenta R$576,6 bilhões em renda própria por ano, segundo dados levantados pela HandTalk.

“Muitas empresas ainda não entendem que ao deixarem de investir em acessibilidade, elas estão perdendo a oportunidade de ter milhões de pessoas com deficiência consumindo seus serviços e produtos, e além disso, também os seus familiares, que se distanciam de uma marca que não é acessível”, destaca Ronaldo Tenório, CEO da startup.

Soluções práticas

Dar os primeiros passos em acessibilidade digital não é uma tarefa complexa. Hoje, já existem diversos recursos e ações que podem contribuir com as empresas nesse quesito. Por exemplo, começar a incluir descrições alternativas de imagens com as #PraCegoVer e #PraTodosVerem, são atitudes simples de implementar e que tem um impacto enorme na experiência de pessoas cegas ou com baixa visão.

Outras soluções interessantes são a disponibilização de leitores de tela, ou utilização de ferramentas de tradução automática para Libras, como o Hand Talk Plugin, software oferecido pela Hand Talk, focada na inclusão da comunidade surda.

O Movimento Web Para Todos também elenca algumas soluções que podem ser adaptadas pelas equipes de UX e UI Design das empresas:

  • Audiodescrição de produtos, combinado com uma descrição de imagem de qualidade;
  • Possibilidade de zoom de 200%, com site responsivo;
  • Controle por entrada de voz para pessoas com dificuldades motoras;
  • Cadastro simplificado;
  • Interface limpa e objetiva;
  • Textos diretos e objetivos.

Inclusão é um direito

É válido lembrar que Lei Brasileira de Inclusão (13.146) prevê que os sites de todo o Brasil ofertem acessibilidade ao público com deficiência. Isso significa que todas as pessoas com deficiência, seja física, auditiva, visual, intelectual ou múltipla, devem ter o direito de navegar na rede, sem barreiras.

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A inclusão também é um tema essencial na agenda de ESG das organizações, um compromisso importante para que todos os consumidores tenham a possibilidade de vivenciar experiências digitais. Num mês movimentado como o da Black Friday, fica a reflexão sobre o momento para apostar na acessibilidade. Quanto mais empresas darem os primeiros passos, melhor será a democratização real do ambiente digital.


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