Lazer fora de casa ganhou valor emocional para os consumidores após isolamento

Segundo estudo, brasileiros passaram a valorizar mais cafés, bares e restaurantes, associando o lazer fora de casa à saúde mental e possibilidade de reconexão social

Lazer fora de casa ganhou valor emocional para os consumidores após isolamento| Foto: Shutterstock

A pandemia de covid-19 trouxe uma série de desafios para a sociedade. Enquanto os cuidados com a saúde e o distanciamento dominaram nosso cotidiano, cada indivíduo enfrentou suas questões sensíveis e emocionais de acordo com o desenrolar dos fatos. A partir das perspectivas de retomada com o avanço da vacinação, cada vez mais descobrimos detalhes desse período tão intenso. Um estudo da International Alliance for Responsable Drinking (IARD) revela como o lazer fora de casa está conectado ao bem-estar social e mental das pessoas mundialmente.

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O relatório se debruça especificamente sobre a relação dos consumidores com restaurantes, cafés e bares e é baseado em uma pesquisa feita pela YouGov e diversos focus group conduzidos pela WorldThink.

A necessidade de contenção do vírus trouxe a categorização dos estabelecimentos – entre essenciais e não essenciais. Assim, ambientes de socialização, naturalmente, precisaram fechar e o levantamento mostra como os consumidores sentiram falta dessas atividades. Segundo a pesquisa, 71% dos brasileiros consideram que o fechamento teve efeito negativo em suas vidas e 60% afirmam que foram afetados durante a pandemia.

O período de limitação trouxe um novo apreço do consumidor pelo lazer fora de casa. Para 74% dos entrevistados a valorização de bares e restaurantes cresceu após a vivência de isolamento.

O comportamento dos brasileiros acompanha uma tendência global. No mundo, 66% concordam que o bem-estar social e mental da população sofreu impacto e 45% reconhecem efeitos negativos diretos em sua saúde com o fechamento dos estabelecimentos.

Valor emocional

Cada vez mais, a relação dos consumidores com marcas e produtos vai além do próprio consumo utilitário e traz significados simbólicos com âncoras emocionais. O estudo deixa claro que essa tendência passa a ficar presente na relação da população com o lazer fora de casa.

A retomada do funcionamento de bares, restaurantes e cafés é associada diretamente a uma possibilidade maior de socialização. Assim, essa possibilidade de encontro com amigos e familiares fora de casa é apontada como um gerador de bem-estar e felicidade para 40% dos brasileiros entrevistados.

Esses estabelecimentos também têm sido considerados como espaços significativos para as pessoas se reconectarem com as outras a seu redor e evitarem a solidão após meses de isolamento. Os resultados globais apresentam o mesmo raciocínio: 57% passaram a valorizar mais a contribuição do setor em sua saúde; 22% avaliam que os estabelecimentos evitam a solidão e que a socialização fora de casa, após as restrições, trouxe sentimentos de felicidade (45%).

Experiência aprimorada

Outro ponto importante levantado pelo estudo é que para 80% dos brasileiros as medidas restritivas melhoraram a experiência do cliente nesses estabelecimentos. Essas características são importantes termômetros para as marcas estabelecerem vínculos mais significativos com os clientes, potencializando também suas oportunidades de negócio.

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A percepção dos respondentes destaca que três exigências mais importantes dos frequentadores foram atendidas: 57% consideram que houve melhoria nos padrões de limpeza; 54% disseram que há mais ventilação nos estabelecimentos e 40% mencionam que houve melhorias nas instalações ao ar livre.

O estudo também aponta aspectos que se tornaram mais importantes desde a pandemia: socializar fora de casa (44%); relaxar e aproveitar o ambiente (43%) e desfrutar de comidas e bebidas preparadas por outra pessoa (36%).

Expectativas do setor

Com tantos meses de impacto, o setor de lazer fora de casa tem planejado dias melhores. Com o avanço da vacinação e o fim das restrições, a expectativa é que a retomada beneficie não só os consumidores, mas toda a cadeia produtiva. De acordo com Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o setor pode preencher 600 mil vagas de trabalho apenas neste semestre – o que representa 31% das empresas do setor com intenção de aumentar o quadro de funcionários.

“O setor de bares e restaurantes foi um dos mais afetados pelas medidas de restrições adotadas durante a pandemia, mas os danos vão além dos econômicos. A paixão cervejeira é o marco do nosso país, por isso estamos presentes nas celebrações. Como entidade representativa do setor, nós apoiamos a retomada segura e o consumo responsável”, destaca Luiz Nicolaewsky, Superintendente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).


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