A geração que não conheceu a vida antes da tecnologia

O Brasil está entre os três países com mais crianças viciadas em telas

As formas como as crianças se divertem mudaram drasticamente nas últimas décadas, desde o nascimento da era digital. O surgimento da tecnologia fez com que a geração Z saísse menos de casa e usasse mais seus dispositivos tecnológicos dentro de casa.

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Isso se agravou durante a pandemia de covid-19, uma vez que o tempo de tela entre as crianças atingiu novos patamares. Como resultado, muitos pais ficaram preocupados com a possibilidade de seus filhos ficarem viciados em telas e seu consequente impacto na saúde.

Com muita discussão sobre os efeitos negativos da tecnologia, incluindo obesidade, problemas de sono, problemas crônicos no pescoço e nas costas, depressão e ansiedade, a Lenstore realizou uma pesquisa para descobrir as principais sequelas desse novo hábito de consumo de conteúdo no comportamento dos pequenos.

Países em que a geração Z apresenta sinais alarmantes

Os Emirados Árabes Unidos estão em primeiro lugar com as crianças mais viciadas em tecnologia. Devido a uma pontuação baixa de atividade física e com um alto tempo diário de internet de mais de 7 horas, o país da Ásia Ocidental tem um resultado geral pontuação de apenas 3,70 em uma escala de 1 a 18.

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Em segundo lugar estão os Estados Unidos. O país tem 12.528 pontos de natureza e vida selvagem disponíveis para os jovens explorarem e brincarem. Apesar disso, a taxa de obesidade do país está aumentando e prevê-se que haja uma taxa de obesidade infantil de 27% até o ano de 2025. Com uma alta marca de comportamento sedentário, menos da metade das crianças no país seguem as recomendações de 2 horas ou menos de tempo de tela por dia.

Completando o top 3 está o Brasil. 94% da população está na internet, gastando mais de 10 horas navegando na web todos os dias. A taxa de obesidade infantil do país também está aumentando e tem previsão de chegar a 12% até 2025.

Com um escore físico geral mediano e uma marca de comportamento sedentário de 12 (sendo 18 o máximo negativo), menos da metade das crianças brasileiras estão seguindo as diretrizes de exercícios ou tempo de tela recomendados.

Contudo, no outro extremo da escala está a Índia. Com uma pontuação geral alta, é aqui que as crianças são menos viciadas em tecnologia. Sua taxa de obesidade infantil está caindo, tanto que se estima que a taxa de obesidade infantil seja de 2% até 2025. Além disso, o país do Sul da Ásia possui quase metade dos seus jovens cumprindo as recomendações de uso adequado das telas.

Crianças estão ficando menos ativas

Ser fisicamente ativo é importante para o desenvolvimento de habilidades, o fortalecimento muscular e ósseo, e a elevação da confiança e autoestima dos pequenos. De acordo com o governo do Reino Unido, crianças ativas são mais saudáveis, felizes e dormem melhor do que crianças não ativas.

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O site oficial do país afirma que as crianças de 0 a 5 anos de idade devem ser incentivadas a serem ativas por pelo menos 180 minutos por dia, enquanto aquelas de 5 a 18 anos devem tentar pelo menos 60 minutos diários.
No entanto, um estudo da Sport England descobriu que pouco mais de quatro a cada 10 crianças e jovens estão atingindo mais de 60 minutos de exercícios diários. Enquanto uma em cada três crianças são ativas por menos de 30 minutos por dia.

Com 51% das crianças com idade entre 11 e 13 anos realizando exercícios diários de 60 minutos ou mais durante o ano letivo de 2019/20, este grupo foi considerado o mais ativo. Por outro lado, os dados mostraram que as crianças com idades compreendidas entre os 7 e os 9 são as mais sedentárias.

Entretanto, esse não é o único grupo a ver uma diminuição na atividade física: descobriu-se que os jovens entre 5 e 7 anos também eram menos ativos com o passar dos anos.

O mesmo estudo revelou, todavia, que jovens de 13 a 16 anos ficam mais ativos com o passar dos anos. No ano letivo 2017/18 39% dos adolescentes faziam exercícios diários de 60 minutos ou mais, até o ano letivo de 2019/20 houve um aumento de 17% (45%).

Além disso, há outro ponto de atenção: a quantidade de tempo que os jovens passam ao ar livre está em declínio. Relatório do People and Nature Survey for England descobriu que apenas 10% das crianças passaram tempo fora com seus amigos da mesma idade durante o período de 2018/19 (queda de 23% em relação à 2013/14), enquanto apenas 5% fizeram uma viagem ao ar livre por conta própria.

A grande maioria das crianças não passou algum tempo em espaços abertos ou verdes nas cidades e nos arredores, no litoral e no campo em 2018/19 sem um adulto (83%). Em média, quem passou um tempo ao ar livre durante 2019 saiu pelo menos uma vez por semana. Os dados também mostraram que, em um período de 12 meses, quase 1 em cada 5 crianças com menos de 5 anos nunca passava tempo ao ar livre.

Telas x desenvolvimento: como os pais podem ajudar

As crianças agora estão gastando seu tempo livre de outras maneiras que não envolvem estar ao ar livre. Com os jogos on-line e as mídias sociais se popularizando ainda mais, os jovens estão desenvolvendo novas maneiras de interagir com seus colegas que não envolvem estar fora de casa.

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“Estudos assinalam que o uso excessivo das telas tem se associado a uma maior prevalência de problemas cognitivos, na função executiva, da linguagem e de desenvolvimento socioemocional. Quanto mais tempo a criança passa perante à tela, menos tempo passa fazendo coisas significativas com as suas figuras de cuidado, proteção e ensinamento. Outros problemas estão relacionados com a saúde do sono, já que a exposição até altas horas da noite pode gerar desajustes ao nível neurotransmissor e deixar as pessoas num estado permanente de vigília”, explica Manuel Araya, psicólogo e diretor técnico Latam da Psicologia Viva.Pensando em tudo isso, o profissional elenca algumas dicas:

● Para as crianças entre 18 e 24 meses, os pais só devem escolher apps de alta qualidade educativa e usar sempre com a supervisão de um adulto;
● No caso das crianças mais velhas – 2 a 5 anos – o uso das telas não deve superar 1 hora por dia, sempre procurando conteúdo educativo;
● Em crianças de até 6 anos, é recomendável estabelecer limites claros de tempo com diálogo;
● É importante desligar as telas quando não estiverem sendo utilizadas;
● Manter os espaços de descanso, alimentação e recreação livre de dispositivos com telas.
● Os dispositivos devem ser desligados ao menos uma hora antes de dormir;
● Evite o uso das telas como mecanismo de controle da conduta da criança;
● Promover a atividade física, de preferência ao ar livre.

“A tecnologia é um fenômeno que chegou para ficar. Então, lutar contra isso é uma batalha perdida. O que os pais podem fazer para cuidar disto é não reagir de maneira exagerada, pois as telas são coisas muito familiares para os filhos. Mais que estabelecer limites, podemos aproveitar as instâncias para dialogar e estabelecer acordos saudáveis e concordados. O uso dos dispositivos é o que faz deles elementos construtivos ou destrutivos”, reforça Manuel Araya.

Nos negócios, as marcas precisam se comunicar

As novas gerações de consumidores têm como característica a extensa utilização de dispositivos móveis para acesso às diversas fontes de informações disponíveis, interagir com o mundo, se entreter e consumir.

Além disso, possuem pouca familiaridade e experiência com os meios tradicionais que as gerações mais antigas usavam, já que, muitas vezes, não tiveram contato com o mundo físico de negócios.

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Nesse contexto, para Ricardo Balkins, sócio da Deloitte e líder da indústria de consumo, as empresas têm estudado e aprendido a se comunicar e atrair a atenção dos consumidores destas gerações utilizando os meios que eles utilizam.

E como atualmente, no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) está em vigor e define as regras para que as empresas capturem informações de seus clientes e potenciais, os cuidados com proteção e confidencialidade devem ser redobrados.

“Considerando o perfil dos consumidores destas gerações, que colocam prioridade em sustentabilidade e diversidade, as marcas devem demonstrar em suas interações quais as medidas que adotam de forma a atraí-los. E, principalmente, cuidar para que essa imagem seja mantida e divulgada ao mercado. Uma matéria publicada que apresente violações a esses princípios têm um impacto muito forte”, descreve o executivo.

“Manter a ética e responsabilidade em relação ao que a empresa acredita é vital para conquistar esses consumidores. Com a facilidade de proliferação de notícias em todos os meios virtuais, quaisquer violações serão rapidamente conhecidas pela comunidade”, acrescenta Ricardo Balkins.

As exigências do novo consumidor

Com base nas preferências dessas gerações, as companhias vão, aos poucos, se adaptando ao novo perfil de cliente que se instala no mercado. Dessa forma, o sócio da Deloitte e líder da indústria de consumo finaliza listando pontos imprescindíveis que devem integrar as jornadas para que a inovação, que se faz necessária quando se trata desse público, seja elemento abordado com assertividade:

● Aprender os hábitos e o perfil de cada consumidor de forma individual, e não o tratar como um grupo;
● Ser proativo na comunicação, sem exagero de massificação;
● Clareza e facilidade de uso dos aplicativos de interação;
● Demonstrar segurança para transações financeiras;
● Enfatizar as qualidades do produto em relação à preservação do meio ambiente;
● Disponibilizar canais de atendimento efetivos para pré e pós-venda;
● Cumprir rigorosamente os acordos em termos de prazo e qualidade do produto e da entrega.

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