Experiência

Desodorantes lixo zero: embalagens plásticas estão caindo em desuso

Nos últimos anos, a indústria de desodorantes tem passado por uma grande mudança. Marcas globais como Schmidt’s, e até mesmo a Dove, abandonaram a utilização de alumínio no interior de suas embalagens e produtos que causem danos ao meio ambiente. Outras marcas menos conhecidas como Humankind, Ethique e Bai-li, já lançaram desodorantes com embalagens de lixo zero, todas feitas de papelão.

Além de uma preocupação com o impacto ambiental, o que essas marcas têm em comum é a sinergia com a nova geração de consumidores, que tem buscado marcas com uma clara preocupação com o meio ambiente.

Para Beth Egan, professora de publicidade da Syracuse University, que tem 25 anos de experiência com bens de consumo e embalagens para os setores de viagens e beleza, essa conscientização é em grande parte impulsionada pela geração Z. “Falamos sobre sustentabilidade há anos, e agora, os consumidores mais jovens estão se recusando a se envolver com marcas que não levem isso a sério”, disse Egan, recentemente em entrevista a Fast Company.

Sem dúvida, embalagem plástica é um dos maiores geradores de poluição no mundo e mais e mais pessoas se envolvem nessa causa hoje. A indústria de desodorante, em particular, produz mais de 15 milhões de quilos de resíduos plásticos a cada ano. Seu mercado global de desodorante e antitranspirante foi avaliado em quase US$ 22 bilhões em 2018, e a previsão é que chegue a mais de US$ 30 bilhões até 2026.

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Embalagem é a cara da marca

Como a embalagem é o cartão de visita, a cara de uma marca, as primeiras impressões são tudo. E desodorantes de lixo zero podem ser melhores para o planeta e para o branding das empresas. Abraçar o fato de que a embalagem sustentável é um ponto relevante hoje nas decisões de compra, e ir além de uma boa publicidade, é fundamental.

Foto: Bite, Wellow, Fussy.

Leia mais: Qual é a importância dos rótulos e embalagens na experiência do cliente?

O mercado de recargas

O mercado das recargas para desodorante vem ganhando popularidade mundo a fora. Em maio deste ano, a marca britânica Fussy lançou seu desodorante recarregável com recargas. A caixa é feita de plástico reciclado, também conhecido como PCR, o que significa que nenhum novo plástico foi utilizado. O design do produto ficou a cargo do estúdio de design londrino Blond. Seu formato em pedra, foi projetado para ser enviado através de uma caixa de correio no Reino Unido, já que o produto é vendido via modelo de assinatura.

Já a marca de desodorante Wellow, teve que criar a cadeia de suprimentos do zero para o lançamento do seu desodorante de lixo zero. Eles vêm na forma de um tubo simples e robusto com uma caixa de papelão grossa e compostável. Sem a necessidade de uma capa protetora, a cara “natureba” tem uma vantagem: se comparado com outros modelos no mercado seu preço é bem acessível, US $ 12 cada, nos EUA. Todo o produto da Wellow é 100% reciclável e leva cerca de 12 semanas para os tubinhos de papelão se decomporem no solo.

A Wellow está apenas no seu primeiro ano de negócio, assim como a maioria das marcas com essa pegada. Se hoje, essas pequenas empresas podem estar liderando um caminho para a revolução do lixo zero nas embalagens, será preciso alguns pesos pesados do mercado produzindo produtos em escala para realmente começarmos a vislumbrar o menor impacto do plástico no meio ambiente.

Um exemplo de grandes companhias vem da Dove. Com vendas de desodorantes na casa de US$ 200 milhões por ano, a gigante do mercado lançou seu primeiro desodorante recarregável em janeiro deste ano. Ele vem em uma caixa de aço inoxidável e as recargas são feitas de polipropileno, com capacidade de reciclagem de 98%.

Sem dúvida, o plástico zero na cadeia de consumo exige muito esforço. Além do papel de governos e de grandes indústrias, é preciso logística eficaz com pontos de trocas e de recargas. Um apelo social grandioso também é importante para sensibilizar e educar o consumidor para abandonar desodorantes com embalagens de plástico. Isso certamente envolve dois coeficientes fundamentais: acesso e valor justo. Então, talvez possamos enfrentar um mundo sem plástico nas prateleiras.

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Marcelo Brandão

Marcelo Brandão é jornalista e produtor de conteúdo no Grupo Padrão.

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