A importância dos serviços financeiros para empresas não-nativas do setor

Estratégia fortalece relação de clientes com as marcas e traz benefícios para ambos os lados, e une experiência de compra ao uso de serviços fluídos

Foto: Pexels

Você entra em uma loja e logo é abordado por um atendente oferecendo um cartão. No site, o cartão de crédito da marca tem condições de compra diferentes do seu do banco. Há também a opção de pagar com sua carteira digital, que pode ser utilizada para outras lojas, se quiser. Nos últimos tempos, os serviços financeiros começaram a ser oferecidos por empresas não-nativas do setor, sendo cada vez mais comuns nas lojas e e-commerces do varejo.

O movimento, iniciado na última década, combinado com as novas tecnologias e aceitação pelo próprio mercado financeiro  impulsionou a inserção de serviços financeiros fora dos bancos tradicionais, permitindo às empresas criar também outros serviços para atender uma demanda crescente vinda de seus próprios clientes, como crédito limitado nos setor tradicional e dificuldades em aderir a outros produtos, como seguros.

Hoje, a inserção desse tipo de serviço nas empresas de fora do setor, no geral, é vista como algo positivo tanto para empresas quanto para clientes, aponta Marilyn Hahn, co-founder e COO do Bankly. Esse “novo mercado” também contribuiu para que pessoas antes desbancarizadas (não podiam utilizar serviços por conta da baixa reputação de crédito) e sem possibilidade de crédito nas instituições tradicionais também pudessem consumir, o que ajuda a economia como um todo.

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É loja ou é banco?

O varejo é um dos segmentos que mais aderiu a essa estratégia. É só entrar nos e-commerces de grandes varejistas e reparar: a maioria deles oferece facilidades de pagamento se você realizar a compra com o cartão da própria loja. A tática de oferecer serviços financeiros junto com a venda de produtos foi uma maneira encontrada pelas empresas para diversificar renda e conquistar aqueles consumidores que, antes, não teriam como comprar na loja.

“Acoplar finanças significa para empresas não apenas a possibilidade de gerar novas linhas de receita, mas também aumentar a proposta de valor ao cliente final e gerar o ‘customer engagement’, ou seja, a interação do cliente com a marca e o nível de confiança que ele tem em utilizar seus produtos”, explica Marilyn Hahn. Segundo ela, isso diminui consideravelmente o custo de aquisição de novos clientes e  as despesas com marketing para gerar novos negócios dentro do ecossistema.

Um dos grandes desafios para as empresas, na verdade, é como unir a experiência de compra com a do uso de serviços financeiros de maneira fluida, mostrando que a marca não é apenas uma loja, nem apenas um banco. Para a co-fundadora do Bankly, a melhor maneira de gerar uma boa experiência é trazer os serviços financeiros de maneira transparente, “É preciso criar um fluxo em que ele pode fazer a contratação dos mesmos dentro da experiência que ele já tem, sem mudar de aplicativo, de tela, ou fazer um novo login”, indica.

Assim, quando uma loja ou outra empresa fora do setor financeiro começa a oferecer serviços e produtos, cria um leque de possibilidades dentro da nova estratégia. Para a COO, fazer isso, hoje em dia, já não é algo tão complicado quanto antigamente, muito por conta da tecnologia. O processo por trás da construção de sistemas, por exemplo, já pode ser feito a partir do Banking as a Service (BaaS). Ou seja, utilizando empresas, como o Bankly, que criam todos os processos necessários para garantir segurança e funcionalidade de maneira terceirizada. “Com isso, é possível diminuir consideravelmente os custos de lançamento do produto e o tempo levado nesse processo”, diz Marilyn Hahn.

Vantagens para todos

“Nós enxergamos que o principal benefício dessa inserção é facilitar o dia a dia dos usuários ao oferecer uma experiência em serviços financeiros completa, segura e simples para conectar consumidores e vendedores”, aponta Daniel Davanço, head de pagamentos para empresas do Mercado Pago, o braço financeiro do Mercado Livre. “O Mercado Pago foi pioneiro na oferta de serviços de pagamento dentro de um marketplace, em 2004. Nasceu como braço de pagamentos do Mercado Livre para oferecer mais segurança às compras online e, em 2009, também foi o primeiro player no Brasil a fazer o movimento de oferecer serviços de pagamentos para outros e-commerces”, comenta.

Na época, a união entre varejo e serviços financeiros ainda não era como hoje, apesar de algumas empresas já estarem de olho nesse mercado. Além do Mercado Pago, o PagSeguro (empresa que faz parte do Grupo UOL – e é a mais rentável do grupo) foi criado igualmente na primeira década dos anos 2000, já de olho no mercado e no futuro dos meios de pagamento eletrônicos.

No caso do Mercado Pago, a oferta de serviços também para outras empresas fez com que a estratégia se desenvolvesse ainda mais. “Hoje sua operação já é maior fora do ecossistema do que dentro dele, atingindo 20,5 milhões de pagadores únicos no Brasil, de acordo com dados do terceiro trimestre de 2021. A operação já representa mais de 1/3 do faturamento do Mercado Livre”, afirma Daniel Davanço.

Para ele, do lado do cliente (seja ele um vendedor da plataforma ou um comprador), levar serviços de pagamento de ponta e uma conta gratuita e completa à base da pirâmide da população e comercial do país é uma das maiores vantagens da estratégia e também um dos motivos para a boa aceitação do público e fidelização dos clientes.

“Democratizar o acesso ao comércio passa também por tornar os serviços financeiros e de crédito mais acessíveis. Atuamos para auxiliar pequenos, médios e grandes vendedores, entregando soluções de meios de pagamento, como máquina de cartão, checkout para lojas online e link de pagamento, além de sermos grandes incentivadores de novos meios de pagamento, como Código QR e Pix. Também oferecemos uma conta com acesso a cartão, crédito e todos os serviços que permitam aos nossos usuários não ter mais uma conta em uma instituição tradicional, atrelados ainda a benefícios no Mercado Livre e no comércio em geral”, explica o head de pagamentos para empresas do Mercado Pago.

Os serviços financeiros e a aceitação pelos clientes

Sendo cada vez mais comum entre os varejistas, os consumidores também já estão mais adaptados a essa realidade. Mas, segundo Daniel Davanço, é preciso que eles enxerguem valor nas propostas para que a estratégia seja positiva. No Mercado Pago, por exemplo, há também outras propostas integradas aos serviços financeiros que ajudam na fidelização do cliente, como o Mercado Pontos.

“Os usuários reconhecem que se trata de um ecossistema completo e enxergam valor em propostas integradas. O principal ponto de atenção que temos é sempre oferecer serviços que façam sentido para a necessidade dos nossos usuários, o que já fazemos e que teremos ainda mais oportunidades com o avanço da agenda de Open Finance”, comenta, acrescentando que as iniciativas de educação financeira da própria empresa também contribuem para isso.

Na visão de Marilyn Hahn, do Bankly, oferecer serviços financeiros precisa ser algo pensado com estratégia, visando sempre acrescentar valor na vida dos clientes, o que, consequentemente, trará resultados também para a empresa. Para aquelas que desejam criar seus próprios sistemas financeiros, ela afirma que investir no Banking as a Service pode ser a opção mais vantajosa, já que diminui custos de maneira geral. “Encontre parceiros confiáveis, ágeis e com expertise nesse mercado para que seja possível colocar produtos rapidamente no mercado, mas também com tecnologia de ponta e uma operação redonda. Essa é minha principal indicação”.

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