Como o marketing de influência pode colaborar na experiência do cliente

Com conteúdos criativos e bem-estruturados, o marketing de influência permite que as marcas se apresentem ao consumidor, além de aprimorar a jornada do cliente

Foto: ShutterStock

Três horas e 42 minutos. Essa é a média diária que o brasileiro gasta navegando em redes sociais, de acordo com dados da Hootsuite e WeAreSocial. E é nessa janela de tempo que as marcas têm encontrado brechas para capturar a atenção dos consumidores, por meio do marketing de influência.

De acordo com a pesquisa O Brasil e os Influenciadores Digitais, realizada pelo Ibope, 52% dos internautas brasileiros seguem algum digital influencer. E o mais importante: 50% desses internautas afirmaram comprar produtos e serviços indicados pelos influenciadores.

Segundo Rodrigo Azevedo, CEO & founder do Influency.me, esse tipo de comunicação é um processo do marketing, onde pessoas consideradas influenciadoras são contatadas para promover marcas, produtos e serviços.

“Os influenciadores recebem um briefing, criam um conteúdo promocional e publicam em suas redes, gerando visibilidade para os anunciantes. Geralmente os resultados são superiores a outros tipos de publicidade, já que os seguidores possuem forte identificação com seus influenciadores preferidos”, salienta o CEO.

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Marketing de influência e CX

Antes do advento das redes sociais, o velho boca a boca, ou seja, a indicação de um produto ou serviço de uma pessoa para outra foi uma maneira poderosa de divulgar uma marca.

O marketing de influência adota o mesmo princípio, mas com o poder amplificador das redes sociais. Muitos dos influenciadores contam com milhares de seguidores, que se identificam com o conteúdo que é postado ali, assim como a linguagem utilizada.

Portanto, essa é uma relação de confiança e engajamento, o que culmina diretamente na experiência do cliente, afinal, a marca vai falar diretamente com o consumidor através do influencer, com a linguagem que ele quer receber e da maneira que atraia a sua atenção.

E para Rodrigo Azevedo, as possibilidades de falar com esse consumidor são muitas, e tudo depende do objetivo da marca.

“Por exemplo, uma campanha com influenciadores pode focar em awareness, tornando uma marca, produto ou serviço, conhecido do público e consequentemente, acelerando a decisão de compra. Pode também estar focada diretamente em conversão, em vendas. Também pode ser uma campanha educacional, onde o influenciador ensina como usar, faz um unbox, ou mostra como funciona detalhadamente”, elenca.

De acordo com o executivo, é possível envolver os consumidores através do influenciador digital de forma legítima quando o influenciador identifica que o conteúdo é patrocinado e entrega o “publi” na forma de conteúdos criativos, bem-estruturados e com a sua cara.

Indo além do boca a boca

Ao fazer a divulgação por meio dos influenciadores, a marca certamente garante oportunidades comerciais naturais, pela penetração orgânica e de conversa com o público que essas marcas querem chegar.

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Isso pode ser feito por meio de um influenciador famoso, com milhares de seguidores, ou até mesmo por um influenciador local ou de nicho, cujo alcance está mais atrelado a uma cidade ou região ou a um tema específico.

Rodrigo Azevedo salienta, inclusive, que campanhas com influenciadores muito grandes são frequentemente menos eficientes, em termos de aproveitamento do orçamento, se comparadas com campanhas com influenciadores menores.

Mas, muito mais do que tornar a marca conhecida ou conduzir o público a uma decisão de compra favorável, o marketing de influência deve ir além e proporcionar um serviço para o consumidor, melhorando a jornada do cliente com a marca e fomentando a sua comunicação com os clientes.

“Uma possibilidade é o influenciador atuar como hub para promover dinâmicas entre consumidores, que por meio das interações em comentários, expressam suas opiniões e desejos. Ou mesmo convocar seus seguidores a participarem de fóruns, pesquisa e eventos colaborativos. Influencers são pessoas que formaram uma audiência fiel, que por sua vez, são comunidades em torno de interesses comuns. Essas comunidades podem ser acessadas por marcas, por meio de colaboração com influenciadores”, conclui o executivo.

3 cases de marketing de influência para você se inspirar

No livro The Age of Influence, o autor Neal Schaffer elenca diversos cases interessantes sobre como as marcas conquistaram bons resultados de interação com o público através do marketing de influência. Confira três resultados incríveis:

L’Oreal

A L’Oreal UK envolveu seus usuários para amplificar as conversas boca a boca nas mídias sociais. A marca trabalhou com 2 mil mulheres residentes no Reino Unido com idade entre 20 e 55 anos ao longo de três meses. As influenciadoras não foram selecionadas por seu grande número de seguidores, mas sim aquelas dispostas a postar sobre um creme desintoxicante da marca. As influenciadoras postaram sobre o creme e fizeram fotos e avaliações da máscara de argila em todas as plataformas, incluindo Snapchat, Facebook, Instagram, Pinterest, Twitter e YouTube. Pessoas do dia a dia que usam os produtos, ao invés dos modelos retratados nos comerciais, conectam os produtos aos consumidores e cercam a empresa com conversas orgânicas em plataformas de mídia social. Mais de 5.800 peças de conteúdo envolvendo as máscaras de argila e a linha de produtos desintoxicantes foram produzidas, resultando em um alcance de 741 mil consumidores. Durante a campanha de três meses, as conversas nas redes sociais em torno dos produtos da L’Oreal aumentaram 53% – um grande aumento para uma campanha que essencialmente teve custo zero. É importante ressaltar que o teste de mercado de correspondência ocasionou um aumento nas vendas de 51%, mostrando os benefícios desse método.

Noisy May

Noisy May, uma marca de roupas femininas, buscava estilistas entre 15 e 25 anos. Assim, a marca selecionou influenciadores locais, todos com muitos seguidores nas redes sociais. Os jovens foram então trazidos a bordo como embaixadores e desenharam cinco peças cada para uma coleção a ser lançada.

Como embaixador, cada influenciador recebeu mais responsabilidade e se sentiu mais vinculado, assim como seu público, ao produto final.

A jornada de design e criação até o lançamento foi capturada por cada influencer. Seus seguidores se envolveram ao longo de toda a jornada, expandindo o investimento emocional de seus fãs. A comunidade não estava apenas vendo o produto final, mas acompanhou os jovens designers em cada etapa da jornada.

O acesso às redes sociais deu ao público de cada influenciador uma perspectiva única. Hashtags relevantes foram promovidas junto com partes interativas do site – incluindo, naturalmente, um microsite de compras.

Durante a campanha, a marca obteve mais de 4 milhões de impressões e 183 publicações de influenciadores com uma taxa de engajamento de mais de seis por cento.

Pala Casino

A clientela mais fiel do PalaCasinoResort and Spa costumava ser de aposentados. Contudo, o resort queria penetrar também em outro grupo: a Geração X, ou seja, os nascidos entre meados da década de 1960 e o início da década de 1980.

Assim, eles trabalharam com uma agência para organizar um evento para influenciadores a fim de mostrar seu resort para um público mais amplo. O evento foi um final de semana com as despesas pagas, incluindo comida e bebidas, entretenimento e jogos de caça-níqueis.

A agência identificou mais de 200 influenciadores que atendiam ao público-alvo do resort em termos de idade, localização e especificações de conteúdo. Além da onda inicial de influenciadores que compartilhavam o conteúdo, o Pala Casino também queria reunir uma gama de materiais que eles poderiam usar em seu próprio marketing posteriormente, por isso, envolver-se com influenciadores com visão e estilo aguçados era essencial.

Isso significava que não apenas o influenciador tinha seguidores que abrangiam os objetivos do resort, mas o estilo individual do influenciador também falaria com o público-alvo quando adaptado posteriormente.

O resort convidou 21 blogueiros e instagrammers para o evento. Cada influenciador foi convidado a fazer a curadoria de no mínimo três peças. O evento teve um alcance geral de 28 milhões na onda inicial de conteúdo. O resort também coletou 876 peças de conteúdo que poderiam ser reaproveitadas. O programa resultou em mais de 50 mil engajamentos e um aumento em mais de 1 mil novos likes no Facebook.

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